sexta-feira, 31 de maio de 2013

houvesse

Houvesse uma chave.


Houvesse uma chave para abrir as fechaduras.


Houvesse uma chave para abrir as fechaduras das grilhetas


das grilhetas que arrasto nos pés.


 


Houvesse forma de exorcisar o que me pesa


o que me pesa como grilhetas nos pés.


 

terça-feira, 28 de maio de 2013

segunda-feira, 27 de maio de 2013

pra mais tarde recordar

Mr. e Gr. sozinhas, no quarto, hora de dormir onde já vai e as duas acordadas.


Mr., com medo de ficar sozinha, vulgo sem mãe e sem pai, já vai na quarta história, narrada a uma irmã, mais a dormir do que acordada, que mesmo assim vai pedindo "conta outa".

do fim de semana

Peguei na minha sobrinha ao colo (tão linda!), fui para a noite (tão bom!), peguei na minha "sobrinha" (tão minimini que apetece comer!).

quinta-feira, 23 de maio de 2013

repetições más

Andamos todos na mesma. Uns queixam-se, outros não e outros ainda fazem de conta.


Falo do dia a dia, cheio de coisas aborrecidas, stresses, cansaços, falta de paciência, de noites bem dormidas, falta de tempo para apreciar o que é bom, falta de capacidade para perceber o que é bom.


 


As birras com os putos de manhã acontecem em todas as casas, as birras ao jantar também, o acordar com o gajo ao lado e levantar sem sequer dar bom dia porque se dormiu mal, porque há coisas para fazer, não acontece só aqui (quero acreditar), o encontro na cama, ao final do dia, sem forças para mais nada a não ser um "boa noite e até amanhã".


 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

repetições boas

Nos meus dias quase tudo se repete.


Dentro da monotonia, há coisas que faço por repetir, porque me dão um gozo tramado, por pequenas que sejam: o meu café no arremedo de shopping aqui ao cimo de casa, depois de deixar as miúdas na escola e o café depois do almoço, na minha varanda, se estiver sol e um dia quente.


 


Já almocei. Vou para a varanda, com o meu café.

terça-feira, 21 de maio de 2013

dilemas e a educação

Educar pela positiva.


Educar filhos felizes.


"Berrar baixinho"


 


Mr. muito cheia de mimo e de vontades, Mr. respondona, tem de levar para trás.


Quadro de comportamento! diz o pai. Vamos fazer um quadro de comportamento! A acumulação de comportamentos tidos como maus é anotada, depois há punições variadas, a definir.


 


Mãe lembra-se da coisa da pedagogia positiva e, em portinglês para o crianço não perceber, diz ao pai: we could valorizate the good behaviour instead of the bad...


Pai concorda, aliviado com a perspetiva de não ter de estar sempre a dar para trás e castigar.


 


Mãe vai para o quarto, vestir-se para ir para o barre terre.


Mãe começa a pensar: valorizar o bom comportamento é óptimo! É motivar para manter bom comportamento... 'pera aí.... então eu vou premiar o bom comportamento? aquilo que deve ser visto como obrigação ou dever? Vou dar um prémio porque a menina não respondeu torto, comeu tudo, vestiu-se sozinha, arrumou o quarto?


 


E quando ela for maior? Vamos dar prendas porque estudou e tirou boas notas?


 


Estou confusa? É isto a pedagogia positiva? Preciso de coaching parental.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

para memória futura

Tenho frio e os meus textos parecem mantas de retalhos mal cosidos.


 


A Gr. e a Mr. têm brincado muito bem juntas.


A Gr. diz tudo, mas as laterais e as vibrantes intervocálicas ainda são à bebé: saem "ratos" muito bem, e saem também "a uata" e "o uobo mau" e "fui a coder, coder..."


E é giro.


 


A Mr. continua mimalha, principalmente comigo. As manhãs são um campo de batalha.


Está contente, por agora, por ir para uma escola nova: "eh, vou ter tantas coisas novas para aprender." A estas exclamações seguem-se as que mais me preocupam: "e se eu não conseguir?"


 


Estamos numa de levar a coisa sem grandes estardalhaços.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

hoje estamos, daqui a minutos fomos

Ainda estou abananada. O dia de ontem foi mau.


Já nem falo das merdinhas que foram acontecendo. Bastou, ao fim da noite, o internamento de um amigo que hoje deveria vir cá, com quem deveríamos brindar. O internamento de um amigo que podia ter quinado. Não quinou, o M. passou a noite em Coimbra, à espera de notícias e eu, em casa, fui dormindo aos soluços, com pesadelos.


Hoje seria a festa com amigos aqui do oeste. Não me apetece festejar. 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

merda, pá!

Foda-se, eu aperfeiçoei a merda da candidatura. Eu aperfeiçoei e procurei uma pôrra de um botão onde eu pudesse submeter a porcaria do aperfeiçoamento, mas não havia nenhum visível. Eu aperfeiçoei aquela merda. Eu vejo lá aquela porcaria a vermelho e sublinhado a amarelo "campo aperfeiçoado". Eu vejo, mas o homem da secretaria da escola não vê e já me invalidou a candidatura outra vez. Vou ficar excluída do merda do concurso. Talvez seja um sinal e por isso não vou chorar. Vou, vou. Eu hoje faço anos, pá!

relambório matinal

Eu hoje faço anos.


 


E a Gina deseja apimentar a minha vida sexual. Gostava eu de saber onde foi ela, a Gina, buscar a ideia de que a minha vida sexual precisa de ser apimentada, ainda por cima, com uma mulher.


Ó Gina, desculpa lá, não é nada de pessoal, afinal não faço ideia de quem sejas, mas se eu quiser fazer coisas para pôr mais salero na minha vida íntima não é com uma mulher. Está bem? Assim, dispenso que continues a enviar-me mails aliciadores. Obrigada.


 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

relambório

Apanhei agora as t-shirts e vestidos usados no fim de semana e estendi a roupa escura cheia de camisolas que ia arrumar. Já não arrumo. Está uma ventania desgraçada e os 16 graus de temperatura dizem-me para estar quietinha e deixar as camisolas nas gavetas.


 


Estou cheia de cabelos brancos, que de acordo com o Espinho, parecem pintelhos espetados na cabeça.


Vou buscar uma camisola de gola alta.


Vou fazer trinta e seis anos e ontem a senhora do café tratou-me por tu.


Vou fazer trinta e seis anos e sempre que a boss faz algum reparo à minha conduta no trabalho, sinto-me uma miúda apanhada a roubar pastilhas elásticas no supermercado.


Vou fazer trinta e seis anos e a minha filha mais velha vai entrar para a escola a "sério". Tenho sonhado todas as noites com ATLs (vulgo, depósito de crianças que deviam estar a correr e a saltar, mas estão fechadas em salas).


 


Vou fazer trinta e seis anos e cada vez mais tenho a certeza de que não quero ensinar. O meu bichinho, como lhe chama a Lis, foi atropelado e morreu. Não devia ser grande bicho.


 

domingo, 12 de maio de 2013

imperfeito e condicional

Era assim:


 


petiscos feitos por várias mãos


sangria doce e gelada


amigos


conversa


não pensar em trabalho ou na falta dele


miúdas a brincar com outras miúdas


 


na varanda, onde não haveria (agora condicional) vento.


 


 


 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

...

maria, meu amor... estou com tão pouca paciência para ti, eu sei.


Estou tão zangada com o que adivinho as tuas fraquezas.


Estou com tanto medo de não te saber ensinar a lidar com a vida, com as dores e os desafios com que ela nos brinda.


Estou com tanto medo que sejas uma medrosa como eu.


Estou tão zangada comigo para não saber lidar com as tuas birrinhas, com as tuas incapacidades, que não sei se são da idade, se são de mim, se são tuas, para sempre.


Estou tão apreensiva com o que aí vem, com tanto medo de não saber transmitir-te a calma e o humor necessário.


E faço de conta que tudo é espiga, mais uma fase, nada de mais.


 

dead end

Esta é a altura do ano em que a perspetiva de ir trabalhar me dá vómitos.


Tenho de me requalificar profissionalmente.


O problema é que, quando me ponho a pensar nas hipóteses, só vejo um beco sem saída.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

as favas e o dia da mãe

Ser filha de um homem de esquerda, de princípios e valores bem definidos, tem resultados variados, mas todos associados à recusa de "cenas importadas do consumismo e do capitalismo seja lá de onde for". Em casa, nunca entrou coca cola e hamburgures só os caseiros.


Dia da mãe, dia do pai, dia do avô, o dos namorados, são invenções comerciais.


Assim, não fui educada para dar importância a manifestações e comemorações desses dias.


 


Ah e tal, quando tiveres um namorado vais ver. Não vi.


Ah e tal, quando fores mãe, vais ver.


 


Não vi.


Não fosse o facto de as miúdas trazerem para casa um artefacto meio feito por elas, meio feito pela educadora, eu nem me lembrava de tal coisa. E incomoda-me o não saber muito bem o que fazer àquelas caixas de ovos pintadas, onde supostamente devia guardar a bijuteria, que não tenho. Sou uma treta de mãe, pelo menos nestas coisas sim, sou.


 


Posso e quero, no entanto, como filha, dizer que as favas da minha mãe, feitas assim a correr, para as poder trazer na viagem e comer ao jantar, são as melhores que já comi.


 


(adenda para não esquecer: passámos o fim de semana em Belmonte, onde demos um abraço apertado à Catarina, que brevemente parte para Macau.)

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...