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terça-feira, 31 de dezembro de 2024

saí

encerro o ano com a saída do grupo de teatro da terra onde não moro há 17 anos


os papeis foram ficando cada vez menores


fui ficando por achar que, embora menores, faziam alguma diferença e que a minha quase não presença era apreciada


nesta peça "deram-me" duas falas


achei que era hora de sair (já quase não estava, não era verdade?)


doeu, essencialmente porque ninguém deu pela saída


prova de que já devia ter saído há muito tempo


mas doeu. cerrei os dentes e abri muito os olhos para as lágrimas ficarem no saco lacrimal


isto de cerrar os dentes não me é aconselhado


à conta de tanto cerrar os dentes terei de dormir com uma goteira nos próximos tempos

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

teatro para que te quero

A próxima personagem que me calhou na nova peça é uma freira ganzada.


Necessito de vídeos nos quais me possa basear para construir o boneco, ou então, o envio gratuito de material que eu possa usar (também conhecido por canábis).


Muito agradecida. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A Sensinha

Eu não sei o nome da Sensinha, sei que é a Sensinha porque é assim que todos se referem à velhinha de metro e quarenta que anda para baixo e para cima, com as mercearias da família.


A Sensinha não falha um ensaio de teatro. Se falha, sabemos que está doente.


A Sensinha é a primeira a decorar as suas falas e as suas deixas e nunca as falha, ainda que a dentadura lhe salte com o nervosismo. Deixa a canadiana que a ajuda a deslocar-se no dia a dia, e lá sobe ela ao palco, sejam muitas ou poucas as escadas. 


A Sensinha é a senhora que leva sempre uns pastéis de bacalhau ou um bolinho feitinho mesmo hoje de manhã, comam, comam que saiu do forno há bocadinho.


A Sensinha caiu do palco no sábado à noite, em Ermesinde e o "engraçado" é que todos vimos a queda em câmara lenta, o corpo pequenino da Sensinha a rebolar palco abaixo.


No domingo de manhã, a Sensinha chegou à hora marcada para partirmos para Guimarães, independentemente de ter o corpo cheio de mazelas da queda.


Deus dê muitos anos de vida à Sensinha. 

sábado, 6 de outubro de 2018

Em Ermesinde é que há gajas boas

Afinal, era só uma e vai-se a ver, era um homem.


Nós vamos lá e vamos encher aquilo de gajas e gajos giros, participando no Grande fim de semana de teatro. 


Muita merda. (bem necessitados estamos, porque o ensaio geral foi...  Ui... )

segunda-feira, 5 de março de 2018

para memória futura

Na sexta saímos mais cedo, chegámos mais cedo e às 9 da noite lá estava eu em Baltar para o ensaio geral. Acabou à uma, com uma pequena pausa para fazer a mudança de cenário do ato I para o ato II.


Correu muito mal. A encenadora esteve o tempo todo a dar deixas, falas inteiras, o tempo todo a corrigir entradas e saídas, marcações, eu sei lá!


Correu tão mal que saí da sala de espetáculo a desejar um acidente, um anúncio de bomba para o dia seguinte, qualquer coisa que nos impedisse de estrear a peça.


No sábado levantei-me cedo, cedo de mais para quem se tinha deitado às duas. Depois de dar uma série de voltas que tinham de ser dadas, às duas da tarde lá estava eu e toda a a gente para mais uma sessão de ensaio. 


Com atrasos deste e daquele, conseguimos começar efetivamente a trabalhar por volta das 3.


Eram oito quando acabámos, com alguma brincadeira pelo meio, para libertar a tensão e o stress. 


Petiscámos ali mesmo, nas bancadas onde daí a uma hora e meia haveria público.


A casa ia estar lotada, cheia até às costuras e nós cheios de medo.


Antes da hora marcada para o início já havia público a entrar.


Fechámos o pano, fizemos um aquecimento rápido, desejámos muita merda uns aos outros, abraçamo-nos e lá fomos nós às nossas posições. 


Não foi perfeito, somos amadores, mas somos também e, acima de tudo, "amadores" do que fazemos. As pessoas riram e enterneceram-se, bateram palmas e cantaram e nós divertimo-nos, com muito orgulho pelo que fazemos... ainda que de véspera tenhamos pedido aos deuses do olimpo uma qualquer desgraça.


 

sábado, 3 de março de 2018

Estreia

Hoje estreamos "Como a comida quer ao sal". A julgar pelo ensaio geral, não há necessidade de as pessoas virem aqui desejar "muita merda". Correu tão mal, tão mal que o pessoal ria, ria, ria, para não desatar a chorar. Ou seja, vai dar merda, de certeza! 

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

É doidinha, tadinha

Quem me ouvir, há-de pensar que perdi o juízo, mas estou só a estudar o texto da próxima peça, que estreia em março.


E então, como corre?


 


Mal.... Ensaiar sozinha é uma bosta! 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

o workshop, ou em português de Portugal, a oficina de teatro

Devia ter sido assim:


Um anfiteatro.


Um grupo de mais novos das duas às três.


Um segundo grupo de mais velhos das três e meia às quatro e meia.


Exercícios de aquecimento do corpo e da voz, com uma musiquinha de piano, exercícios de expressão dramática mais ou menos livres, jogos de exploração da voz e da expressão corporal, dramatização de um pequeno conto, mais infantil para o grupo dos mais novos, mais "adulto" para o grupo dos mais velhos.


 


Como foi na realidade:


um pavilhão gimnodesportivo para albergar quase quarenta putos todos ao molho e fé em deus,


quarenta putos a correr e a gritar pelo pavilhão fora,


quarenta putos a correr e a gritar,


uma "formadora" a gritar "não, pá, não...."


Uma "formadora" a pensar "que se foda, isto é para eles se exprimirem, que gritem para aí."


Uma "formadora" a tentar reunir os putos todos, numa de: já agora, vamos dramatizar alguma coisa.


Os putos a dramatizarem cenas de contos tradicionais.


Mais uma experiência para o currículo.


 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

exercício narcisista

Honra me seja feita: sou uma medrosa, cheia de reticências, mas quando me estendem desafios, e fecho os olhos, dou um grito mudo (aaaahhhhhh, no que me vou meter aaaaahhhhh) e aceito, vou, faço.


Continuo a fazer parte de um grupo de teatro e a representar papeis sem ensaios em grupo, aqui há uns anos fui dar uma entrevista a uma rádio local, agora vou dar um workshop de teatro.


Que sei eu de teatro exeto pegar num papel, decorar deixas e depois seja o que for?


Nada, portanto. Mas fecho os olhos, grito aaaahhhhhh e vou. Para a semana lá estarei. Que espetacular que sou. Ou que burra!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Ontem deu-me para isto

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Vestido: figurinos do grupo de teatro, kitado pela d. Elsa


Peruca: emprestada pela Titi, há séculos


Sapatos: dysfunctional by Eureka


Leque: alguém mo meteu na mão


Máscara: diretamente de Veneza, emprestada pela Rita


 


Tropecei mil vezes na cauda do vestido, abri e fechei o leque em espasmos sensuais outras mil, disse disparates e ri-me muito, sem ter bebido uma pinga de alcool (tá bem! tá bem! bebi uma imperial depois do jantar, uma!)


 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Coimbra

Arre, cidade complicada. E eu? Que troco a esquerda com a direita? As voltas que dei!!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

eis-me

Aqui estou eu, a corrigir testes...


aqui estou eu a procrastinar a sopa do jantar,


a adiar o resto dos testes,


das listas do que há para fazer,


das listas das listas do que há para fazer.


Aqui estou eu a pensar na quinta-feira, na ida a Coimbra. Que vou lá fazer? vou aqui, não sei bem fazer o quê, com parte do grupo de teatro. Eu queria estar mais stressada com isto que não sei o que é do que com a viagem de sábado, mas está difícil. Estúpida!


 


 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

amador

Fazer teatro amador é ter de chegar ao sítio onde vamos representar a nossa peça e descarregar o cenário e depois montá-lo no palco, que, às vezes, é pequeno e outras vezes tem pianos de cauda em cima. É ter de afinar luzes e projetores e filtros e som.


É ir procurar os "camarins" e perceber que às vezes não há camarins, mas sim espaços estreitos atrás do palco onde todos nos teremos de encaixar para nos vestirmos/ despirmos, maquilharmos e aguardar a entrada em cena.


É morrer de calor ou de frio antes, depois e durante o espetáculo.


É ter de levar farnel e fazer uma patuscada antes do espetáculo começar, ali mesmo, na plateia.


É levar o espetáculo à cena e, a seguir, com a adrenalina toda a correr no sangue, ir beber uma mini para acalmar e, logo a seguir, quando o cansaço chegou, quando sentimos dores no corpo todo, ir desmontar o cenário e carregar a carrinha.


Fazer teatro amador é ir para casa, a 200 kms de distância, e voltar outra vez, as vezes que forem precisas, para repetir tudo outra vez.


É muito bom!

terça-feira, 28 de junho de 2016

para registo

Domingo à tarde subimos ao palco para a estreia de "A mansão Veit", uma peça brasileira, encenada pela nossa querida e talentosa encenadora Ana Perfeito.


A personagem que me calhou foi a Elisa, uma jornalista com graves problemas de memória e um bocadinho lenta de raciocínio. Imaginámo-la simplória e eu achei que ela tinha de ter buço e monocelha. Dei-lhe umas pernas tortas e uma postura curvada, de quem pede licença para falar.


A Ana pediu-me para fugir ao meu registo habitual de voz, que tende sempre para o agudo e esforcei-me por fazer uma voz grave que o M. dizia que era de totó.


Sinto muita falta dos ensaios, por isso esta Elisa saiu um bocado improvisada, tenho a impressão de que fui um bocado aquele adolescente a quem a voz ainda foge para o tom de menina, mas, para não variar, diverti-me tanto, tanto!


O ponto alto foi a parte da peça em que a Elisa desmaia (para aí pela terceira vez) e é acordada com um jarro de água. Na cabeça da Ana deveria ser coisa pouca, mas eu achei que poderia ser um pouco mais. O Filipe, com quem eu ia contracenar nessa cena, veio-me mostrar a quantidade de água e eu disse-lhe que podia pôr mais um bocadinho.


Uma coisa é durante os ensaios eu ter os olhos fechados e avisarem-me "ele já deitou a água, levanta-te" outra bem diferente é levar de facto com uma jarra cheia de água na cara, em cima do palco, durante a peça, com a casa cheia. Não sei como consegui controlar o ataque de riso que senti assim que a água me caiu em cima. As pessoas no público fizeram AAAAHHHHHH!!!!, a encenadora ficou a hiperventilar e eu consegui continuar a cena, dominando-me para não me atirar para o chão outra vez, às gargalhadas.


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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

em modo faz malas

Parece que ainda ontem desfiz malas e hoje já estou a fazer malas outra vez. Lá vamos nós, em direção ao norte para um salto ao ikea (o mundo podia dividir-se entre quem diz o ikea e a ikea?).


Depois tenho ensaio de teatro, onde me calhou na rifa uma personagem que é o equivalente da Dori, do filme do Nemo. Ainda não sei muito bem o que fazer com ela, mas no último ensaio a que fui, durante as férias de natal, ri-me muito com esta personagem e com as outras.


Fazem-me tanta falta os ensaios, não só para memorizar texto e trabalhar a personagem. Faz-me falta para outras coisas e por outra razões, porque acho que quando for grande quero ser atriz. Talvez noutra encarnação.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

gudebai Gina....

Disse adeus à Gina, que me permitiu descobrir a prostituta que há em mim (teatralmente, acrescento, não vão pensar outras coisas, que nós nunca sabemos como vão interpretar o que a gente escreve e já estou a ver o meu pai a pegar no telemóvel para me admoestar, "rapariga, não podes escrever coisas destas, tem cuidado...")


 


Afinal, tirando as prostitutas e excetuando no carnaval, quem de nós pode vestir-se como uma prostituta várias vezes?


Adeus botas tigresa com 20cms de tacão, adeus corpete cor de rosa e leggins "vrilhantes".


Acima de tudo, adeus peça que me fez rebolar no chão de tanto rir. 


 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

para memória futura e para me ajudar a relativizar os próximos tempos que se avizinham maus

Os últimos dias merecem registo.


As férias foram boas: descanso, amigos, praia, família, tudo a que se tem direito.


A primeira semana de setembro merece post.


Entro em setembro com uma vontade danada de prolongar o mood de férias, mil vezes preferível ao de desempregada, que esta chuva está a fazer chegar.


Vêm cá amigos a casa, saímos, fazemos picnics, as miúdas vão à psicina, bebemos um copito ao jantar...


No final da semana passada aparece a S.


Saímos, feitas turistas, passeamos muito e sentamo-nos numa esplanada, batemos texto de peça, vamos à praia e tomamos banho!


Na sexta rumo a Baltar, de caminho paramos em Quiaios e vamos outra vez à praia, tomamos banho, mergulhamos, desafiamos as ondas.


No sábado, vou ao Indie music fest, em Baltar, armada em Soraia, fã louca de Tony Carreira (com o restante grupo de teatro, armamos barraca e divertimo-nos tanto, tanto!). Conheço o Álvaro Costa, ouço a banda que me tem acompanhado nos últimos tempos (Sensible soccers), bebo à pala junto dos "artistas", no backstage e vejo o M. em cima do palco a tirar fotografias.


Foda-se! (sim, palavrão, repito: foda-se!) Que dias bons! Que maravilha isto de termos sol, termos uma família gira e amigos e fazermos teatro!


 

um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...