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domingo, 11 de outubro de 2026

um quarto

 1/4 hoje

1/4 depois e depois

assim entra o antidepressivo no meu sangue

o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mínimo esquizofrénico

nem sei se engulo um quarto, se engulo um meio

ainda não sinto nada de novo

mantenho a ansiedade, doem-me os maxilares porque acho que perdi a capacidade de os fechar como manda a natureza

acordo com dores de ouvidos e sei que passei a noite toda de boca cerrada, apesar da goteira

os dias seguem


sábado, 26 de setembro de 2026

Ramerame

 Abro isto, mas não me apetece escrever

as férias foram à vida

estamos todos a trabalhar e a estudar 

parece que foi ontem que as aulas acabaram e deram lugar às férias, no entanto, cá estamos no ramerame de sempre

pondero não ir trabalhar na próxima semana, para poupar combustível

é que, estando na reserva terça-feira, meti trinta euros e, ontem, voltei à reserva, assim, toma lá, tens de ir meter mais gasóleo

não se aguenta

parece que estamos a ser asfixiados

tenho muita coisa para deixar aqui registada, mas não me apetece. 

Há-de me apetecer. Falta-me a capacidade narrativa e a de ver coisas bonitas do dia a dia.

Hão-de vir...

quarta-feira, 15 de julho de 2026

sete vidas

 Fez ontem um mês que a gata que nos adotou há uns três ou quatro anos apareceu aqui na  frente da casa (por obra e graça não sei de quê ou de quem, porque não mexia mais nada para além do pescoço). Tinha sido selvaticamente atacada (deduzimos) por um cão. 

Eram 23h quando ouvimos gatos à bulha e ela ali estava, com ar alucinado, abanando o pescoço.

Corremos com ela para o veterinário, uma gata literalmente com os intestinos cá fora, pensando que seria para eutanasiar.

Os veterinários que a viram propuseram-nos operar, porque haveria possibilidades de ela se safar. E um mês depois, muito dinheiro gasto depois, idas diárias para Leiria depois, tratamentos a tudo e mais um ar de bota depois, a Joana veio para casa. 

Parece um esqueleto ambulante, tem de ser alimentada e medicada por sonda, mas está em casa. 

Não sei muito muito como vai ficar depois disto tudo, sei que terá perdido as suas seis vidas das sete que lhe cabem. 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

encerramento do ano e coisinhas soltas para memória futura

Declaro oficialmente encerrada a parte letiva do ano letivo 25/26.

Ontem foi o meu último dia de aulas. Hoje, os horários já desocuparam a porta do frigorífico.

Amanhã inicia-se o ciclo de reuniões, vigilâncias da segunda fase, entrega de relatórios e o que mais se lembrarem.

A mais velha continua em estágio pelo norte, a mais nova arrasta-se pela casa, aborrecidamente agarrada ao telemóvel. 

Amanhã também, a banda do pai toca nas festas da terra vizinha, abrindo concerto para os Moonspell. Uh, que excitex! 

domingo, 17 de maio de 2026

49, pá!

Este ano calhou-me nas sortes fazer anos num sábado. Havia a possibilidade de ir lá acima, mas a mr. ia estar a trabalhar, os meus pais estão para as beiras e havia a manif em Lisboa.

Perante esta conjuntura, decidi que ficava por cá e que à tarde ia exercer o direito de me manifestar.

Na véspera, comprei aquilo que me ia apetecer tomar ao pequeno-almoço e cenas para um jantar de sexta já a pensar em celebração (são quase cinquenta!, parece mal celebrar só no dia, não?), cheguei a casa e disse ao homem - toma lá, isto é o que vais preparar amanhã para o meu pequeno-almoço e, já agora, decides também o que vamos almoçar, que não estou para tomar decisões nesse âmbito, uma vez que até já fui eu que reservei mesa para jantar.

De manhã, dei com ele na cozinha a pôr em prática as minhas instruções (é assim, a malta tem de tomar as rédeas da sua vida, nem que seja só neste dia!)

O resto da manhã foi passado a anhar, a tentar fazer o mínimo possível (fogo, se o nosso dia de anos não serve para isso, então para quê fazer anos!) 

À tarde, chegámos a Lisboa e juntámo-nos à manifestação, não sem antes termos feito o percurso em sentido contrário até encontrarmos a "procissão". Estava um dia lindo, e as manifs são sempre uma festa (passávamos sem elas, é verdade, mas já que temos de as fazer, que sejam momentos bons!)

Para ser sincera, estava cheia de medo que fôssemos uns gatos pingados, mas assim que chegámos à zona da avenida do infante e começámos a ver autocarros de todo o país, ficámos num excitação maluca. Eram muitos, todos estacionadinhos em fila indiana, pela avenida fora! 

Quando acabou, corremos para o carro estacionado algures e fizemos a viagem de regresso a casa. Recebi muitas mensagens e telefonemas, de amigos e senti-me feliz.

O jantar foi bom, embora tivesse feito falta a nossa mais velha. Deixei os "parabéns a você" para hoje, para podermos cantar com ela. Está quase a chegar a Leiria. Vamos buscá-la e terminamos assim " a minha festa de 49 anos de idade".





segunda-feira, 4 de maio de 2026

concertos e desconcertos

Percorri 75 kms para lá e outros para cá para ver a banda do M.

Eu e mais uns quantos adolescentes (as de cá de casa e mais outros). Chegámos a casa às 3 da manhã. O único rapaz que nos acompanhava foi o único que se manteve acordado, tendo chamado a si próprio a missão de me manter acordada.

Por muitos concertos que já tenha visto, eu gosto sempre de os ver tocar. O M. transforma-se num animal de palco, ainda que estejam a tocar num espaço exíguo e mal enjorcado, como foi no sábado.

É engraçado e uma lufada de ar fresco perceber como ainda vai havendo espaços onde bandas alternativas podem tocar. Assim sem pensar muito, nestes últimos dois, três anos, os Glaucoma já tocaram em Lordelo, Fafe, Famalicão, na outra banda lá para os lados de Alcochete e na zona de Penafiel. Em espaços pequeninos, mas cheios de pequenas (às vezes muito pequenas, tal como os próprios bares) multidões (está bem, multidõezinhas!) 

No sábado, em Lamego, o bar estava cheio de clientes habituais. E eu fiquei com inveja de não haver assim um sítio aqui perto, onde eu pudesse ir desopilar um bocado, de vez em quando.

Aqui há umas semanas, havia aqui um concerto acústico, num espaço semelhante ao de Lamego. Assim que entrei, saí. Estava cheio de pessoas a comer (os empregados mal tinham espaço para circular) e o tipo que cantava estava sentado num banco alto, agarrado a uma guitarra. Estava com um ar tão lixado da vida!

Pudera! Estava a atuar para uma sala que se estava completamente a marimbar! Deve ter sido um belo desconcerto. 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

ia escrever "às vezes", mas não é só às vezes, é quase todos os dias

 à tarde, treino.

Escolho um treino, estendo o tapete, visto um par de calças de fato de treino e aplico-me, uns 30, 40 minutos, cerca de quatro, cinco vezes por semana.

Pois não há dia em que não diga a mim própria "hoje não treino, estou cansada, não me apetece", uma horita antes, às vezes mais cedo. Na hora de sempre, entre as 18 e as 19, lá estou eu a estender o tapete.

É isto quase sempre. Daria um estudo. Dar a mim própria a possibilidade legítima de não fazer nada, para acabar a fazer, não sem antes ter dito um debate interior. Quase sempre isto. Cansa ser eu. 

domingo, 12 de abril de 2026

vida

Olho para trás e lembro-me de poucas coisas. Tenho memórias vívidas e, depois, memórias difusas e confusas, perco o fio à meada, não tenho a certeza do tempo que passou, das pessoas que estavam ou não, do sítio...

E, muitas vezes, sinto que não fui eu que vivi aquilo, foi outra gabriela, nem sei mesmo se se chamava assim.

Lembro-me de ficar chateada quando a minha mãe, perante memórias que lhes desfiávamos, só saber dizer "não me lembro, não me lembro" e hoje digo exatamente o mesmo " não me lembro, não me lembro..."



quinta-feira, 9 de abril de 2026

ela foi a Londres, eu fui à dermatologista

 É claro que adorou Londres, principalmente o museu de história natural. Gastou uma pipa de massa no hard rock, andou kms e kms, socializou com as colegas mais próximas da turma (o que, para nós que a conhecemos, pode parecer estranho e é muito bom!) e chegou a casa de rastos, a tempo de preparar a mochila e ir para a cama, porque no dia seguinte era dia de escola. Toma lá.

Eu não adorei ir a ida à dermatologista, mas a minha cara precisava. Há meses com ela toda vermelha, "acelerada", "picante", já a usar cremes para rosácea que nada faziam, começam a aparecer "borbulhas", assim entre aspas, porque não eram bem borbulhas.

Eu não podia ter só rosácea. Rosácea ponto. Tinha de ter uma rosácea especial: do tipo papulopustulosa (ou será papulo-pustulosa?).  Tão giro, de dizer... 

Vim para casa com toda uma rotina de skincare e antibiótico. Antibiótico à noite, após o qual não me posso sentar durante meia hora, que aproveito para empastar a cara. Começa com limpeza com um "leite" adaptado à minha condição, segue-se um sérum de niacimida e zinco (da Ordinary), uma pomada para combater a infeção (Soolantra), eritromicina para ajudar a supurar as pâpulas e acabo com um creme hidrante. 

Na primeira noite, após o ritual, quase fiquei colada na almofada, tal era o nível de empastelamento. Agora, ao sétimo dia, já controlo melhor as quantidades e consigo ir para a cama menos palhaça.

É todo um mundo novo. 


quarta-feira, 11 de março de 2026

quero o que ela tomou

 A autora do "Não mudes nunca" escreveu no mais recente post que algo mudou em 2026 para melhor, tornou-se uma outra pessoa. Afirma "Não tenho dores. Não me sinto cansada. O meu sono é regular. Não tenho fome. Sinto necessidade de fazer exercício para gastar toda a energia que tenho a mais. Não tenho pressa nem ansiedade. Não tenho medo."

Nunca interagi com ela, mas apetece-me muito perguntar-lhe o que fez? o que tomou? o que viu? o que ouviu? 

Porque toda eu sou dor (quase o tempo todo), ansiedade, choro, depressão...

Achava eu que este estado geral de merda era hormonal, achava eu que a terapia de reposição ia fazer milagres, que ia ficar bem disposta, sem crises de choro, menos ansiosa... e olhe-se para mim... 

Haja esperança no facto de não me deixar ficar. Já marquei consulta de endocrinologia e de dermatologia (a minha cara está cheia de borbulhas estranhas, vermelha, parva, para resumir) e já pesquisei clínicas de psiquiatria para consultar após o input da endocrinologia, não vá isto tudo ser só uma grande depressão que me está a alterar os modos de estar e de sentir de forma geral. 


sábado, 7 de março de 2026

da minha varanda

 Da minha varanda vejo a quinta. Aqui juntinho à grade, as aves, que vêm a correr quando chega o senhor que as alimenta, num pequeno trator barulhento; lá mais ao fundo, as vacas castanhas, faladoras e de cabeça sempre baixa, focinho ocupado a comer a erva.

Lá mais ao fundo, ainda, os eucaliptos e os capôs dos carros que passam na autoestrada.

Se virar os olhos um bocadinho para a direita, basta um bocadinho, vejo a "porcaria", um edifício branco, feio, que empesta as redondezas em algumas alturas do ano, sem que saibamos porquê (só sabemos que nesses dias temos de fechar janelas e não deixar roupa a secar na varanda).

Nos dias de sol, que este ano ainda foram muito poucos, podem encontrar-me sentada, com uma chávena de café ou um livro, na minha varanda. Faço assim um bocado de fotossíntese.

Nas noites de verão, nas que são minimamente agradáveis, gosto de me sentar no banco vermelho e fazer bolas de sabão. Faço assim um bocado de terapia.

Estou cansada deste inverno, desejo muito dias de sol e noites quentes. 


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos a uma espécie de esconderijo. Sentados numa grande mesa, velhos e velhas que reconheci de criança, de já ter andado fugida com...

Comecei a chorar, não quero, não quero, já fiz isto, já fiz isto, não me façam fazer isto outra vez, dizia eu. 

Puseram-me a mão no ombro e disseram-me qualquer coisa como "fizeste isto enquanto filha da revolução, eras só a filha, agora vais ter de ser tu a fazer a revolução" e enfatizaram o tu. 

Não me lembro do resto com a mesma nitidez. Mas retive esta última parte. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

a última a sair

pelo andar que isto leva, vou ser a última a sair...

Não sei para onde migrar e tenho medo de perder "o blog".

Estão aqui quinze anos da minha vida... há aqui muita porcaria, mas também coisas que tenho orgulho de ter escrito. Nem é só isso, o orgulho em ter parido alguns textos muito bons, sem quailquer tipo de modéstia, sim, eu sei, é estar aqui uma parte das minhas filhas, do M., da minha vida de mãe e de ser vivente neste mundo. E se perco tudo? 

domingo, 11 de janeiro de 2026

para registo

Natal no norte, passagem de ano nas beiras.

frio em ambos os lados, ida à serra, com vento e neve dura, já a caminho de gelo, ainda deu para brincar um bocado.

pai mais capaz, depois de uns dois meses levado pela depressão, já faz piadas e diz que vai voltar ao ensino do latim a senhoras e senhores idosos.

férias que sabem a pouco.

regresso à vida de todos os dias como se não tivesse havido pausa. 

a primeira semana de aulas leva-nos (a mim a ao M.) à exaustão, a ponto de acordarmos já a manhã vai alta e darmos com as miúdas na sala - bom dia! somos assim brindados. e não, não andámos nos copos no sábado à noite.

janeiro é o mês que não acaba, mas já acabei, hoje, agora mesmo, levarei do fogo comigo, da Leila Slimani. o melhor dos três, que me deixa numa melancolia... 

escrevo porque preciso de deixar registadas coisas, em dezembro deste ano novo, que começou há 11 dias, não me lembrarei do dezembro de 2025. sentirei necessidade de vir aqui. 

tenho saudades do tempo em que a miúdas me davam pano para mangas, em que vinha aqui e debitava coisas que diziam ou faziam, saudades de ter a sala cheia de pinipons, de as ter na minha cama ao sábado de manhã.

sábado, 13 de dezembro de 2025

fomos, com licença, ao Porto

No fim das férias grandes, demos um salto ao Porto. Num início de tarde cinzento, apanhámos um comboio em Cête e saímos em São Bento. 

Levámos logo com uma chapada de gente, gente e mais gente, em todas as direções e em todas as línguas.

O destino era a zona da Ribeira. As miúdas não conheciam e eu há muito tempo que não dava por lá umas voltas. Descemos por uma das ruas que não estava em obras. Eu desejosa de um café e uma das miúdas de uma casa de banho.

Procurei um café "normal", mas só via cafés de turistas. Não queria um desses por várias razões, entre elas o preço que iria pagar pelo café. A meio da rua encontrei um, com ar de café autóctone e entrámos. 

Ao balcão, perguntei onde era a casa de banho para a miúda ir e pedi um café. O dono, mal encarado, perguntou se só íamos consumir um café, porque assim só uma pessoa é que podia usar a casa de banho. Fiquei ali um bocado embasbacada e disse à miúda para se despachar, vai lá enquanto bebo o café.

Mas, segundos depois, mando-a vir para trás. Esquece lá, vamos embora, aqui não bebo café, o senhor pode ir ser mal criado e estúpido com outras pessoas. Saímos ao som de "vão lá embora, procurar uma casa de banho pública" e outros mimos que tal. Acabei por tomar o meu café num misto de mercearia, atendida por uma menina francesa, que não só me serviu um café com um chocolate ao lado, como foi simpática e ainda deixou usar o WC sem resmungos e sem qualquer tipo de má educação. 

Desci o resto da rua com umas ganas! Arre, que homem estúpido! O único café numa rua de turistas e de "franchises" que ainda se aguenta trata assim as pessoas... 

No regresso, subimos por outra rua, mas a minha vontade era subir a mesma, entrar na merda daquele café e dizer ao senhor que graças à forma estúpida como fomos tratadas, podendo lanchar ali e dar-lhe dinheiro a ganhar, ia lanchar a outro lado onde tratem bem as pessoas, especialmente as que ainda procuram os cafés de bairro e esperam o minímo de bom atendimento. 

 

 

sábado, 22 de novembro de 2025

terceiro lugar

Aqui há uns tempos, na antena 3, falava um senhor que tinha escrito um livro sobre a necessidade de desligarmos. Não sei quem era nem como se chama o livro, sei que introduziu no meu léxico a ideia do "terceiro lugar". O terceiro lugar corresponde à existência de um espaço e de um tempo fora da casa e do trabalho. Sociologicamente falando, será um local dentro da cidade ou do local onde vivemos onde podemos ser, estar, sem sentir obrigação de ser outra coisa (pai, mãe, médico, professor, seja lá o que for que somos em casa e no trabalho, no cumprimento das nossas obrigações diárias.).

Na altura, fiquei triste. Pensei "eu não tenho um terceiro lugar. Depois das aulas vou para casa e assumo os outros papéis todos. O Marco pega na guitarra, vai para a garagem e compõe cenas, aquela malta vai matar o corpo no padle, no ténis, no futebol, na zumba... eu só vou para casa...." 

E andei assim uns tempos, a pensar que as pessoas tinham o terceiro lugar que eu não tenho e que por isso são mais soltas e menos enervadas com a vida. Até que se fez luz: eu tenho esse espaço e tempo, em casa, mas tenho-o, quase religiosamente umas quatro vezes por semana. Começa comigo a estender o colchão,  a procurar um treino no youtube e acaba comigo mais ou menos suada, mais ou menos cansada. Esse é o meu 3º lugar. Ali sou só eu e os meus halteres, as minhas caneleiras, eu e a minha vontade. Embora eu nunca tivesse pensado nesse momento do meu dia dessa forma, ele cumpre esse papel, de me dar o tal espaço para ser e estar. Por isso, entre outras razões, é que faço todos os possíveis por manter a disciplina de estender o colchão umas quatro vezes por semana. Está na hora. Lá vou eu para o meu terceiro lugar. 

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

só queixinhas, só queixinhas

Hoje vou ver S. Pedro.

Ontem adormeci no sofá por volta das 21.30.

Ando com um livro chamado Shuggie Bain para cima e para baixo, ainda não me agarrou por isso tenho passado mais tempo agarrada à porcaria do instagram. Graças a ele acabei por saber que no parlamento europeu iam, esta semana, defender o direito ao acesso à IVG. Pus o algoritmo a funcionar e reeviei a conta @myvoicemychoiceorg. a quase todos os meus contactos. Deixo isto registado aqui como forma de redenção.

Sei que passo tempo de mais naquela coisa, tanto que por vezes tenho a tentação de eliminar o dito cujo, mas depois lembro-me de que, embora por vezes me deixe muito deprimida, também é através dele que me chega muita coisa. 

Ando cansada. Esta semana dei por mim estacionada em frente a uma escola. Faltavam uns 5 minutos para a próxima aula. Olhei para o edifício e só pensei "há algo de errado aqui. Onde é que eu estou?" Estava na escola errada. 

Na próxima semana tenho pausa para avaliação intermédia e anseio por ela, mesmo sabendo que vou trabalhar no duro. É o facto de não ter de ir dar aulas que me deixa contente. Este ano letivo, que ainda agora começou, está a ser difícil. 

 

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

que aconteceu?

vivemos ali uns meses largos numa bolha onde nos enchemos de esperança e bonomia, escrevendo nos espaços, a giz e a marcadores coloridos nas sete cores do arco-íris, que ia "ficar tudo bem".

depois a bolha rebentou. Caímos de rabo no chão e todos os dias damos por nós maus, alguns execráveis mesmo, biltres, escória...

acordo, nalguns dias, sem vontade, mas levanto-me e vou à vida.

sábado, 27 de setembro de 2025

cérebro em papas

O meu cérebro anda, há uns anos, a funcionar a 70%. Tenho a certeza disto quando regresso das compras, especialmente se não levo lista. 

Ando pelo supermercado a compor mentalmente o que deveria levar, à medida que caminho pelos corredores. Chego à manteiga e penso assim: "também tenho de levar queijo e fiambre", mas o desenho do supermercado faz-me desviar para o corredor da mercearia, onde me lembro que se calhar deveria aproveitar o desconto do arroz e levar um pacote e o resultado é que, entretanto, nesse flash de segundos, me esqueço do queijo e do fiambre. Este modus operandi sucede-se o tempo todo que permaneço nas compras. Chego a casa e só comprei metade. 

Quando levo lista também me acontece o mesmo. No corredor do papel higiénico lembro-me de que ele está a acabar, e não está na lista, mas faço um pequeno desvio para pegar em lenços de papel que estão na lista. É claro que já me venho embora sem papel higiénico.

Outro momento em que sei que estou abaixo das minhas capacidades é quando escrevo no computador. Por vezes, não consigo encontrar teclas e outras esqueço-me de como se escrevem algumas palavras. 

A dar aulas, o meu cérebro fica vazio, especialmente no último tempo da tarde. Chego a casa e quero afundar-me no sofá. Pouco consigo fazer de trabalho da escola, mas assim que pouso a cabeça na almofada para dormir, o meu cérebro ativa-se e acha que é o momento ideal para preparar aulas. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

assim coisas soltas e aleatórias e para memória futura

Deixar registado - porque a memória é curta e, agora mais do que nunca, este sítio é o repositório do que vai acontecendo - que mais um "ano" acabou (se pauto os inícios e os fins pela vida escolar).

A gr. avança para o secundário, pela via científica, após um 9º ano que começou mais ou menos mal e terminou bem. 

A mr. acaba o 2º do curso em estágio por Bilbau e estava a ver que por lá ficava, tal o encantamento pela vida de liberdade e descobertas....

O pai fica-se lá pelo cú de judas entre Alcanede e Santarém, onde gosta de estar e a mãe vinculou definitivamente no agrupamento onde esteve nos últimos dois anos.

A ver como a coisa corre. 

A primeira parte das férias pela costa de sempre (a Vicentina), uma semanita que passou a voar e depois três noites numa casita ali por Sâo Pedro do Sul, ora demolhando o corpo numa piscina, ora a esturricá-lo em passeios pela zona. 

Estamos agora em casa, sem a mais nova, que ficou pela costa. Preparo-me mentalmente para a entrada na maioridade da mr. 

É uma miúda porreira. Não é só por ser minha filha que gosto dela. Gosto dela mesmo. É uma mistura gira do que eu e o pai dela temos de bom e esta constatação a que chego enquanto escrevo deixa-me meia comovida. 

um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...