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quarta-feira, 1 de julho de 2026

encerramento do ano e coisinhas soltas para memória futura

Declaro oficialmente encerrada a parte letiva do ano letivo 25/26.

Ontem foi o meu último dia de aulas. Hoje, os horários já desocuparam a porta do frigorífico.

Amanhã inicia-se o ciclo de reuniões, vigilâncias da segunda fase, entrega de relatórios e o que mais se lembrarem.

A mais velha continua em estágio pelo norte, a mais nova arrasta-se pela casa, aborrecidamente agarrada ao telemóvel. 

Amanhã também, a banda do pai toca nas festas da terra vizinha, abrindo concerto para os Moonspell. Uh, que excitex! 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

sem título possível

 o 1º ciclo é um mundo à parte 

há dias em que convivo bem com isso, outros há em que me apetece mandar tudo e todos às urtigas, especialmente no fim do ano letivo

esta é a altura em que tenho a certeza de que andamos aqui a brincar às escolas. 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

provas e reencontros

 Fui à escola básica do segundo ciclo fazer uma leitura de prova. Foi chato, porque à conta de cenas várias marcadas pelo agrupamento, já deixei de dar uma quantidade de aulas bem jeitosa.

Foi giro porque encontrei miúdos que me passaram pelas mãos nos últimos dois anos. Foi muito abracinho a putos que estão mais altos do que eu, elas todas enormes, eles mais pequenos, mas já a perder a feições de bebés. "teacher, que saudades! tenho 5 a inglês!" Também tenho saudades vossas, miudagem. 

sexta-feira, 13 de março de 2026

ups!

 Estava cansada. Estavam a fazer barulho a mais. É certo que falavam uns com os outros sobre o trabalho, tiravam dúvidas, explicavam coisas, pediam ajuda... mas eu estava cansada de os ouvir, já lhes tinha pedido que usassem a voz de biblioteca várias vezes, mas eles estavam sempre a esquecer-se e lá subia o volume.

Prometi-lhes um chocolate, um chocolate para cada um se reduzissem o volume, se estivessem o mais possível caladinhos.

A sério, teacher? um chocolate para cada um? tens?

Tenho, trago um chocolate para cada um. 

A sério?

A sério!

Ficaram caladinhos, falaram baixinho o resto da aula.

Só me "esqueci" de lhes dizer que o chocolate que tenho em casa é 85% cacau.... 


quinta-feira, 6 de novembro de 2025

só queixinhas, só queixinhas

Hoje vou ver S. Pedro.

Ontem adormeci no sofá por volta das 21.30.

Ando com um livro chamado Shuggie Bain para cima e para baixo, ainda não me agarrou por isso tenho passado mais tempo agarrada à porcaria do instagram. Graças a ele acabei por saber que no parlamento europeu iam, esta semana, defender o direito ao acesso à IVG. Pus o algoritmo a funcionar e reeviei a conta @myvoicemychoiceorg. a quase todos os meus contactos. Deixo isto registado aqui como forma de redenção.

Sei que passo tempo de mais naquela coisa, tanto que por vezes tenho a tentação de eliminar o dito cujo, mas depois lembro-me de que, embora por vezes me deixe muito deprimida, também é através dele que me chega muita coisa. 

Ando cansada. Esta semana dei por mim estacionada em frente a uma escola. Faltavam uns 5 minutos para a próxima aula. Olhei para o edifício e só pensei "há algo de errado aqui. Onde é que eu estou?" Estava na escola errada. 

Na próxima semana tenho pausa para avaliação intermédia e anseio por ela, mesmo sabendo que vou trabalhar no duro. É o facto de não ter de ir dar aulas que me deixa contente. Este ano letivo, que ainda agora começou, está a ser difícil. 

 

domingo, 12 de outubro de 2025

Do no harm

O L. tem comportamentos que fogem à norma, não aceita um não como resposta, é incapaz de estar sentado numa sala, se contrariado entra num ciclo de violência, aparentemente não sabe usar garfo e faca e só faz o que quer. Para não perturbar muito e não correr toda a gente ao pontapé, quando quer sai da sua sala de aulas e vai percorrendo a escola, entrando e saindo de salas.

Numa escola onde não há recursos para ser de outra maneira, deixá-lo andar à vontade, desde que não faça muita merda, é o que se pode chamar de "do no harm" se a escola fosse um hospital e os professores fossem médicos. Não conseguimos chegar-lhe, mas pelo menos tentamos não fazer pior. 

sábado, 27 de setembro de 2025

cérebro em papas

O meu cérebro anda, há uns anos, a funcionar a 70%. Tenho a certeza disto quando regresso das compras, especialmente se não levo lista. 

Ando pelo supermercado a compor mentalmente o que deveria levar, à medida que caminho pelos corredores. Chego à manteiga e penso assim: "também tenho de levar queijo e fiambre", mas o desenho do supermercado faz-me desviar para o corredor da mercearia, onde me lembro que se calhar deveria aproveitar o desconto do arroz e levar um pacote e o resultado é que, entretanto, nesse flash de segundos, me esqueço do queijo e do fiambre. Este modus operandi sucede-se o tempo todo que permaneço nas compras. Chego a casa e só comprei metade. 

Quando levo lista também me acontece o mesmo. No corredor do papel higiénico lembro-me de que ele está a acabar, e não está na lista, mas faço um pequeno desvio para pegar em lenços de papel que estão na lista. É claro que já me venho embora sem papel higiénico.

Outro momento em que sei que estou abaixo das minhas capacidades é quando escrevo no computador. Por vezes, não consigo encontrar teclas e outras esqueço-me de como se escrevem algumas palavras. 

A dar aulas, o meu cérebro fica vazio, especialmente no último tempo da tarde. Chego a casa e quero afundar-me no sofá. Pouco consigo fazer de trabalho da escola, mas assim que pouso a cabeça na almofada para dormir, o meu cérebro ativa-se e acha que é o momento ideal para preparar aulas. 

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

só um pequeno apontamento

Este ano letivo devo ter, no máximo, dois alunos por turma, no 3º ano, que sabem ler e escrever sem dificuldades. 

Aindo só passou uma semana completa de aulas e já estou em transe. 

 

 

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

assim coisas soltas e aleatórias e para memória futura

Deixar registado - porque a memória é curta e, agora mais do que nunca, este sítio é o repositório do que vai acontecendo - que mais um "ano" acabou (se pauto os inícios e os fins pela vida escolar).

A gr. avança para o secundário, pela via científica, após um 9º ano que começou mais ou menos mal e terminou bem. 

A mr. acaba o 2º do curso em estágio por Bilbau e estava a ver que por lá ficava, tal o encantamento pela vida de liberdade e descobertas....

O pai fica-se lá pelo cú de judas entre Alcanede e Santarém, onde gosta de estar e a mãe vinculou definitivamente no agrupamento onde esteve nos últimos dois anos.

A ver como a coisa corre. 

A primeira parte das férias pela costa de sempre (a Vicentina), uma semanita que passou a voar e depois três noites numa casita ali por Sâo Pedro do Sul, ora demolhando o corpo numa piscina, ora a esturricá-lo em passeios pela zona. 

Estamos agora em casa, sem a mais nova, que ficou pela costa. Preparo-me mentalmente para a entrada na maioridade da mr. 

É uma miúda porreira. Não é só por ser minha filha que gosto dela. Gosto dela mesmo. É uma mistura gira do que eu e o pai dela temos de bom e esta constatação a que chego enquanto escrevo deixa-me meia comovida. 

domingo, 1 de dezembro de 2024

IA

Estou a fazer formação para aprender a pôr a IA a trabalhar para mim.


Estou banzada com aquilo. Adormeço a meter prompts e acordo a meter prompts.


Mais um ano ou dois e vamos ser todos incapazes de usar a massa cinzenta. Pedimos aos chatgpts desta vida e aos bots e lá vamos nós. 


It's the end of the world as we know it (lá, lá, lá, lá...) 

segunda-feira, 15 de julho de 2024

casei-me

na saúde e na saúde, casei-me com um agrupamento de escolas


o herpes é agora uma ferida chata ao canto da boca, mas trouxe com ele uma infeção no olho.


na quinta-feira passada, a caminho de um treino, depois de um dia de cão, recebo uma chamada do Marco, que se tinha pisgado para um jantar com amigos. Eu tinha ouvido a notificação de mensagem, mas estava a conduzir. Atendi a chamada e o homem grita-me de lá do restaurante "Vê a mensagem! vê a mensagem!" Quando percebi que seria a minha colocação, nem acertava com os dedos para abrir o raio das mensagens.


Para quem estava cheia de cagaço (Lisboa era o meu destino, acreditava eu), ficar aqui pelas bandas do oeste, ainda por cima onde há um monumento que é património da humanidade, foi assim como um duche de água morna para uma pessoa suja e cansada.


Vou de férias sabendo para onde vou e que é lá que fico uns tempinhos.


 


 

quarta-feira, 10 de julho de 2024

para registo - fim de ano letivo

Um ano letivo passado, as horas maratonas, os dias e os meses sprints.


Miúdas crescidas, a mais velha a caminho do segundo ano do curso de cozinha, agora em estágio (já a cozinhar quando lhe disseram que nem iria chegar perto do fogão), a mais nova a caminho do 9º, agora em férias dedicadas à guitarra elétrica (da bateria passou ao ukelele, do ukelele à guitarra acústica e agora passa as tardes com uma das guitarras do pai).


O pai, por falar nele, passou quase o ano todo em casa, graças ao acidente de mota ocorrido em agosto. Regressou à escola em finais de abril, para poder progredir na "carreira" e a mãe naquele limbo de quem está sem atividades letivas, mas sempre à espera de trabalho não letivo.


À espera, também, de desembrulhar o presente envenenado que foi a vinculação dinâmica, ou seja, estamos à espera de saber o que vai ser de nós no próximo ano letivo. O sr. ministro diz que as listas saem esta semana, sem ter consciência de que a semana tem cinco dias e que a nossa ansiedade ainda vai dar cabo de nós. A mim, trouxe-me um senhor herpes, aqui no lado esquerdo e acho que a comichão no olho e a sensação constante de ter areia da praia alojada na retina também se deve à dita cuja (da ansiedade). 

segunda-feira, 15 de abril de 2024

o que é moderno?

Bem a propósito, na unidade 4 "my family", o manual do 3º ano vem com um áudio chamado "Modern families". Quatro crianças apresentam as suas famílias, os miúdos têm de as identificar.  Uma família dita tradiciona, uma birracial, uma família asiática alargada e, por último, uma constituída por duas mulheres e dois filhos.


Na primeira turma da manhã, quando inicio a conversa, pergunto-lhes se percebem porque é que o áudio se chama famílias modernas. As respostas são extraordinárias e nenhuma aponta para os elementos que constituem os diferentes grupos ou laços entre eles. São modernas porque "estão vestidas à moda", porque moram em cidades, porque são "chinesas".


Chamo a colega titular e peço-lhe que me ajude a conduzir a conversa. Eu não tenho nenhum objetivo em concreto, acima de tudo receio levantar questões que possam ser mal interpretadas e quero apenas ouvir o que eles têm a dizer. Deixo que seja a colega a fazer as "despesas". Nenhuma criança daquela sala revela incómodo ou estranheza por haver ali um casal de lésbicas ou outro constituído por duas pessoas diferentes na cor.


Na turma da tarde, já quase no fim do tempo, faço a mesma pergunta. Não há respostas, mas vejo espanto e incrudelidade: teacher, ali naquela família há uma mother e uma stepmother, como é que isso é possível? e levanta os braços, com ar de quem diz "duas mulheres não funciona, ou funciona?"


Começam a falar uns com os outros, não querem que eu ouça, insinuam coisas que não ousam dizer, como se fossem asneiras ou palavrões. "isso que dizer que elas são.... " e pára, fica ali com a palavra suspensa. Lésbicas, acrescento eu, e vejo-os encolherem-se. A teacher disse "lésbicas"! 


E lanço a pergunta: porque não?


Diz uma: uma senhora pode ter tido um marido, mas depois ele morreu ou separaram-se e depois ela arranjou uma pessoa que é uma senhora e decidem criar os filhos." Claro, digo eu. E olho para o relógio. Acabou o tempo, deixo-os com aquela ideia. Mando-os arrumar, despeço-me e saio.


Venho para casa a pensar como dois grupos de alunos conseguem ser tão diferentes.


 

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

mais registos, que isto de vir cá uma vez por mês é chato

Setembro foi-se devagarinho. Outubro entra a correr, tão depressa que já lhe sinto o fim e ainda agora começou, só que não.


Alterno entre dias de muita motivação e outros em que só o costumeiro "empurra com a barriga" me tira da cama.


Também dou por mim a ter ideias fantásticas, derrubadas no segundo seguinte pelo também costumeiro "síndrome do impostor", que me leva a desistir antes de começar. 


No que toca à "carreira", colocada em QZP, dou por mim num qualquer escalão, não tendo de passar pela "proba" de fazer o período probatório. Não me safei da PACC ("proba" de aptidão, inventada pela exma. dra. maria de lurdes rodrigues, entretanto extinta), mas safei-me desta. 


As miúdas andam mais ou menos desalentadas, especialmente a mais nova.


As novidades dos dias de liberdade ainda conquistam a mais velha. Apanha o autocarro e fica entregue à sua vida lá longe, em Fátima, dona dos seus tempos livres de aulas. 


O pai será operado à clavícula, um dos muitos ossos partidos no acidente de mota, talvez ainda este mês. Seguem-se meses de recuperação, que o vão manter de "baixa pela caixa".


Deixei os treinos na associação recreativa, procuro treinar umas meias horitas todos os dias em casa, para ver se os efeitos da perimenopausa não começam já a fazer das suas. Para já, tenho sido disciplinada, mas de manhã olho-me no espelho após o banho e acho que os gajos (os efeitos da menopausa que há-de vir) já me pegaram de jeito. 


Coisas boas, que isto de me queixar já chateia: a maior parte dos miúdos a quem dou aulas é boa onda, miúdos mimosos, que gostam de abracinhos e me dizem coisas bonitas, idem aspas as colegas titulares. O horário e as colegas de grupo que me calharam na rifa são do meu agrado.  Finalmente veio um bocadinho de frio, que dar aulas em salas onde se registam trinta e tal graus em pleno outubro não funciona. 


 


 


 

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

para registo

Eu em Porto de Mós


Ele na Guia


Mr. em Fátima, a estudar cozinha e pastelaria


Gr. na escola de sempre, com a turma de sempre


Gr. começou ontem (12 set.)


Eu começo amanhã (14 set.)


Mr. começa na sexta (15 set.)


Ele começa quando começar (sabemos lá, na pior das hipóteses em janeiro)


Só agora me estão a bater a sério os nervos de início do ano letivo. Já tenho as coisas preparadas para a primeira aula. O resto há-de vir, espero que venha, acima de tudo, a vontade.


Não sou a única assim.... sem vontade.... isto desgasta... 


Estou mais ou menos tranquila em relação ao outros anos (em anos passados já andaria a dormir mal e a stressar com as aulas há semanas), mas estou preocupada com as miúdas.


Na verdade, sinto-me um bocado a boiar. É o ciclo habitual de setembro. 

domingo, 27 de agosto de 2023

só para registo

Só para registo: ele


dia 18 de agosto, acidente de mota, a baixa velocidade, numa estrada secundária, clavícula partida, omoplata rachada, perónio partido


saem colocações: não fica


cirurgia, dores, começar o ano letivo de baixa, que se prolongará pelo 1º semestre, de acordo com previsões médicas


eu


enfermeira sem carta ou formação, navego nos mares do auxílio ao esposo


saem colocações: fico no concelho ao lado (onde no ano que terminou acumulei 5h)


levo e trago esposo do hospital, assisto impotente às dores pós cirurgia, às deslocações pela casa na cadeira de escritório (deveria ser uma cadeira de rodas) ( a de escritório tem rodas)


Aguarda-se com algum receio o que ainda aí virá relacionado com os cabrões dos seguros. 

quinta-feira, 27 de julho de 2023

vinculei

Demorei um bocado a processar a informação... quando a processei, acabada de sair de três horas como suplente de uma vigilância de exames, a conduzir para casa, senti o coração a disparar.


Vinculei. Pensei. Significa que daqui a dois anos podem mandar-me para onde quiserem.


Eu sou isto, penso logo no pior. Mas o tempo também me deu a capacidade de procurar relativizar. 


Para o ano tenho trabalho, para o ano tenho um horário completo (só não sei onde).


O resto, vê-se quando lá chegarmos.


Agora, é sacudir a sensação de que fizemos um pacto com o demo.... 

quarta-feira, 5 de abril de 2023

professora contadora

Sou professora bibliotecária.


No 1º semestre, quando perguntava se queriam ouvir uma história e os putos berravam em plenos pulmões "nããããoooo!!!" , eu aceitava e deixava-os pura e simplesmente desarrumar o espaço, argumentando comigo que o importante era que eles pegassem em livros, sem que os chateassem muito. Mas, em contrapartida, eu chateava-me muito. 


Arruma bem esse livro.


Vai arrumar o livro de há bocado.


Está mal arrumado. Vai lá arrumá-lo.


Olha o jogo. Já acabaste? guarda-o na caixa. Vai pô-lo no sítio!


No final, cansei-me. Vão ouviu histórias e chiu, que quem manda aqui sou eu.


Agora, recebo-os já sentada no chão, faço-os sentar à minha volta e vai de contar a história que escolhi nos cinco minutos anteriores.


Às vezes, sai uma história chatinha e tenho de lhe dar voltas para lhes prender o interesse, outras são história boas e só tenho de fazer vozes, fazer gestos e mostrar as ilustrações.


Farto-me de rir com as observações que fazem e também me chateio quando se chateiam com a história que escolhi (à pressa).


Hoje, li uma que se chamava "memórias de um lobo mau". Na capa, prometia gargalhadas do princípio ao fim, mas acabou por lhes enriquecer o léxico, com palavras novas como "pindérica". O que é pindérica, Gabriela? 


 

sexta-feira, 3 de março de 2023

terrorismo

Estou num ponto em que acredito que um ataque à bomba ao ministério da educação, fora do horário de expediente, seria uma boa medida para chamar a atenção do governo.


Mas isso é terrorismo! gritam todos!


"Explodir" com milhares de agregados familiares dos professores contratados e de quadros de zona é o quê?


Eu chamo-lhe terrorismo. 


 

quinta-feira, 2 de março de 2023

Se era o que a senhora queria, não percebo porque se queixa!

Boa tarde, D. Clara. Chamámo-la aqui ao escritório central porque sabemos que a senhora está descontente com a sua situação laboral, entre outras razões, por ter de andar sempre a "saltar" entre delegações da nossa empresa e por não ter um vinculo connnosco, apesar de ser nossa funcionária há décadas.


Damos-lhe razão e vamos vinculá-la. Sim, pode ficar contente, Dona Clara. Ainda bem. Nós também ficamos muito contentes por si. Gostamos de ter colaboradores felizes.


Passmos então a explicar: D. Clara, na próxima semana, vai ter de se candidatar a um lugar nas 63 delegações que temos espalhadas pelo país.


Sim, D. Clara, se quer efetivar na empresa tem mesmo de se candidatar aos 63 lugares. Depois, nós dizemos-lhe onde ficou e a senhora, a partir da próxima semana passa a trabalhar lá.


Sim, D. Clara, vai ter mesmo de o fazer. São estas as condições, D. Clara. Então, a senhora não queria efetivar? 


Pois... arrisca-se a ir para lá para baixo para o Algarve sim, é onde temos mais falta de pessoal, como a senhora sabe, pois... ficará por lá efetiva, sim... era o que a senhora queria... 


a sua casa aqui? pois, não sei...


os seus filhos? pois, não sei...


o seu marido que trabalha numa empresa igual à nossa e arrisca-se a ficar noutro sítio qualquer? pois, não sei, D. Clara. Olhe, peça o divórcio e vendam a casa. 


Depois, cada um arranja-se como puder, lá no sítio onde efetivarem. Foi um gosto vê-la, D. Clara. Fique a aguardar notícias. 


 

um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...