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quinta-feira, 14 de agosto de 2025

assim coisas soltas e aleatórias e para memória futura

Deixar registado - porque a memória é curta e, agora mais do que nunca, este sítio é o repositório do que vai acontecendo - que mais um "ano" acabou (se pauto os inícios e os fins pela vida escolar).

A gr. avança para o secundário, pela via científica, após um 9º ano que começou mais ou menos mal e terminou bem. 

A mr. acaba o 2º do curso em estágio por Bilbau e estava a ver que por lá ficava, tal o encantamento pela vida de liberdade e descobertas....

O pai fica-se lá pelo cú de judas entre Alcanede e Santarém, onde gosta de estar e a mãe vinculou definitivamente no agrupamento onde esteve nos últimos dois anos.

A ver como a coisa corre. 

A primeira parte das férias pela costa de sempre (a Vicentina), uma semanita que passou a voar e depois três noites numa casita ali por Sâo Pedro do Sul, ora demolhando o corpo numa piscina, ora a esturricá-lo em passeios pela zona. 

Estamos agora em casa, sem a mais nova, que ficou pela costa. Preparo-me mentalmente para a entrada na maioridade da mr. 

É uma miúda porreira. Não é só por ser minha filha que gosto dela. Gosto dela mesmo. É uma mistura gira do que eu e o pai dela temos de bom e esta constatação a que chego enquanto escrevo deixa-me meia comovida. 

sábado, 21 de junho de 2025

"catar felicidade"

as minhas tpms não estão a reagir à medicação, levam-me ao fundo do poço e só quando olho para a caixinha e vejo os comprimidinhos no fim é que percebo de onde veio aquela dor toda - das hormonas (sempre as mesmas bestas!) em falta ou em excesso, já nem sei

nos outros dias, cato felicidade nas bolas de sabão, nas piadas que a mais velha faz lá nas espanhas e que a mais nova nos manda aqui à mesa da cozinha, que de resto mal a vemos

 

sábado, 9 de abril de 2022

notas soltas para memória futura

A adolescência dos nossos filhos é um veneno que os pais vão tomando em doses homeopáticas. Eventualmente, eles crescem e deixam de o despejar no café ou nas bebidas e o que houver no sangue é excretado.


Para já, sinto-o nos meus poros todos.


Há umas semanas, voltámos (o grupo de teatro do qual faço parte) aos palcos.


O Marco perguntou-me há quanto tempo eu não me sentia feliz e eu fui capaz, sem sombra de dúvidas, de responder que me senti muito feliz no palco no fim de semana em que regressámos. Tanto, que desisti de desistir do grupo. 


O meu cabelo está cada vez mais branco. Os meus cabelos brancos não me incomodam por serem brancos. Incomoda-me o serem parvos, com uma estrutura completamente diferente dos outros que ainda não embranqueceram. Não são lisos, mas também não são ondulados. Fazem da minha cabeleira uma coisa estranha. O meu cabelo anda a contribuir, em parte, para o meu estado atual de estar um bocado na merda. É absolutamente "redículo", eu sei, um problema de primeiro mundo e de um mundo onde não temos de nos esconder em bunkers para nos safarmos de uma bomba, eu sei. 


Meio sistema de ensino está em pausa letiva mas nós em semestre, o que significa que pausas não são para nós. Pessoalmente, não tenho nada de bom a dizer disto da semestralidade. Nunca estive tão cansada e, provavelmente, tão ranzinza. 


Está esclarecida a minha ausência do caixote, nem eu me aguento. 


 

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

diário

Abro a porta da cozinha e a gata mia. Preparo as coisas para o pequeno-almoço, nem sei se posso chamar-lhe assim, pequeno-almoço, se elas não comem quase nada.


Elas chegam, ensonadas e rabujas. Metem à boca pedacinhos de torradas e bebem chá ou cevada. Parece que o leite as enjoa durante o ano letivo, para passar a saber bem apenas nas férias. 


Depois, preparo os lanches para a escola. A gata ronda os nossos pés e os pés da mesa, em miados agudos de quem não come há semanas, mas tem o seu prato cheio. A culpa é de quem lhe dá pedacinhos amarfanhados de fiambre.


Despacho-as da cozinha com o cheiro das torradas com manteiga entranhado nas mãos. O que vale é que é um cheiro bom. 


Rabujas, as minhas filhas preparam-se para ir para a escola. Eu preparo-me no que falta preparar. 


Saímos. A geografia inicial mantém-se a mesma há vários anos. Depois, sigo viagem nos caminhos novos que trilho todos os anos. Invariavelmente cheios de curvas. Este ano, mais curtos. Já não era sem tempo! 


 

quarta-feira, 28 de julho de 2021

é sempre todo um mundo novo

Daqui não vejo, mas imagino, porque estendi-os logo pela manhã (fresquinha, fresquinha), os três soutiens: o meu, o da mais velha e o da mais nova.


É muito estranho, isto de ter em casa pessoas que, de um momento para o outro passaram, a necessitar de usar algo como um soutien. 

terça-feira, 13 de julho de 2021

estilos (ou uma lição sobre)

que fazes?


estou a pesquisar roupa alterna.


Até me caiu a caneta da boca, a caneta com que ia escrevendo no caderno e que punha na boca quando precisava de voltar ao teclado do computador.


Alterna? podia jurar que tinha ouvido alternadeira, que a minha mais velha queria roupa de alternadeira. Depois pedi para repetir e ela disse outra vez "roupa alterna". Claro que não podia ser de alternadeira, ela sabe lá o que é uma alternadeira. 


Alterna, de alternativa, explica ela. Tudo bem, nada a opor, até bato palmas. Devo ter arrumado algures umas quantas saias e camisas que cumprem o requisito.


A outra, a mais nova, quer roupa no estilo kawai. o que é? não sei... 


quando acho que a coisa até está a correr minimamente bem saem-se com estas pérolas que me fazem sentir uma velhadas de noventa anos. 

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

tão engraçada que ela é....

Cá em casa, as miúdas e o pai fartam-se de mandar bocas uns aos outros. Riem-se e ninguém se ofende, mas creio que passa das marcas quando se passam cenas destas:


a mais velha chega a casa, muito contente porque fez festas a um burro.


A mais nova diz que não é nada de mais, que ela faz festas a um burro todos os dias, começando discretamente a fazer festinhas no braço do pai. 

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

coisas estranhas

No sábado, a mais nova teve o primeiro sarau de ginástica acrobática. Esteve desde as quatro até às seis e meia enfiada num maillot lindo de morrer, toda ela elegante, linda de morrer, num pavilhão gelado como o Alaska.


A mais velha é que ficou constipada. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

oh tempo, volta para trás!

Pergunta a mãe: lembram-se daquela vez em que íamos a subir a serra e vocês não paravam de discutir uma com a outra e eu disse que se vocês não parassem o pai ia dançar lá para fora?


Responde a Mr.: sim, e nós não parámos e o pai foi mesmo. Parou o carro, saiu, tirou a T-shirt e começou a dançar! Pois foi!


 - Bons velhos tempos!! - Diz a outra. 

quarta-feira, 17 de julho de 2019

balanço 2018-19

O ano letivo acabou (ainda ontem começou, é a sensação que tenho).


Para as miúdas correu bem. Acho que sou menos ansiosa em relação à mais nova no que toca à escola e vou dando asas à mais velha.


Ainda não estou de férias, mas já não tenho trabalho. Fiz duas formações e ando agora com os trabalhos de avaliação das ditas cujas. Foi giro.


Tive companhia para andar para baixo e para cima, para fazer relatórios e avaliações no meio de muita galhofa e umas quantas minis, superbock e sagres.


Ontem terminei a segunda ronda e acabámos o jantar a falar sobre fenómenos como reuniões da maleta vermelha. Foi giro. 


Não sei o que o ano letivo que aí vem traz (que novidade!), mas este trouxe-me duas pessoas bem porreiras! 


 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

na batalha, na guerra!

Estava difícil pôr a mais nova a ler. Tal como fiz com a Mr. nunca a obriguei a pegar num livro. Fui fazendo pressão, pouquinha, fui pondo livros no meio do caminho, mas a miúda não tinha interesse nenhum (nada de mais, a mr também demorou a ainda agora é preciso forçar um bocado a barra).


Entretanto, na escola, uma miúda apareceu com um livro de BD que metia um unicórnio. Tudo em tons de rosa, como a chavala gosta e aquilo deixou-me interessada.


Na última ida àquela grande superfície comercial que começa em F e acaba em ac, comprei-lhe o primeiro da coleção. Já vai a mais de meio. E é muito gira vê-la concentrada, com a cabeça mergulhada no livro. 


Estou também a dever dinheiro à Mr. porque subornei-a para ler um da Alice Vieira e ela já vai para o segundo, tendo gostado do primeiro (Paulina ao piano). 


Não me lembro de alguma vez ter sido subornada pelos meus progenitores para ler, mas ei! vale tudo na guerra a favor da aculturação das camadas mais jovens! 


 

domingo, 17 de fevereiro de 2019

fim de semana

O solfejo com o pai, as contas com potências e os perímetros das circunferências, com a ajuda da tia ci, torradas com manteiga e chá de lúcia-lima, para a mais velha. 


Uma ida ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota com o tio pedro e a prima rosarinho , bolachas carregadas de chocolate, para a mais nova.


Quando quiser ter lembranças deste fim de semana, só vou lembrar-me ter estado o tempo todo a estudar! zanga-se a mais nova, com toda a razão, mas o que é que a gente há-de fazer? 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

fim de semana

Sábado de sol... arranjei um caminhão, prá levar galera.....


podia continuar, mas não arranjei camião nenhum nem fui com galera nenhuma. Passámos o fim de semana no norte e fiquei em casa, sozinha, com a lareira a bombar e os textos maravilhosos dos meus alunos para ler e me darem alegrias, tantas que parei de cinco em cinco minutos para não ter uma síncope.


Fui às compras, em busca de ingredientes para um jantar a dois e regressei umas duas horas depois. O supermercado que começa em C e acaba em ente estava cheio de gente e não tinha salmão fumado. Tive de ir ao que começa em L e acaba em dl que estava mais cheio ainda. Estive uns bons quinze minutos na fila para pagar e as caixas estavam todas abertas, com filas semelhantes.


Mas o jantar ficou bom. Um jantar romântico, nesta fase das nossas vidas, equivale a um jantar em que estamos só os dois, o que significa uma grande economia de palavras e de zangas com a prole que agora não gosta de comida nenhuma e esqueceu as boas maneiras que lhes fomos incutindo ao longo destes últimos anos.


Assaltei a garrafeira do paterfamilias, que está muito má (ai, ai, pai... ), bebemos um copito e vimos mais um episódio de sex education. Depois, fomos dormir. O dia acordou outra vez soalheiro e eu já estava outra vez entregue a mim. Fui ao mercado, que é só o café mais giro de paredes e tomei um café com vista para a feira de velharias que ali se realiza pelo menos uma vez por mês. Lá dentro estavam uma tia e respetiva filha mais genro, com quem me entretive à conversa uma boa hora. 


O Dr. Daniel Sampaio, através do livro "a razão dos avós", relembrou-me a importância de darmos valor ao nosso passado e nada melhor do que conversar com uma guardiã desse passado (a tia aninhas). Tenho pena das crianças a quem a vida (ou os adultos das suas vidas) afastam de parentes e avós que lhes podem dar tanto.


À tarde refizemos um passeio da minha infância: fomos ao Monte Mozinho, um castro que fica ali para as bandas de penafiel. O sol batia bem quentinho lá no cimo da acrópole, a chuva tinha deixado o solo verdinho e as miúdas acharam-se no paraíso (palavras da gr.).


Foi mais um fim de semana que passou a voar num boing 747.  

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

retalhos da vida (não de um médico)

Não admira que a roupa não seque. Se até eu me sinto constantemente húmida.... (no sentido literal... será que esta explicitação piora as coisas?), se até a mim me apetece pendurar-me pelas orelhas num estendal ou, quiça, enfiar-me numa máquina de secar roupa...


A preguiça para sair de casa e ir às aulas de ginástica anda cá pelo corpo. Já pensei em mandar o exercício às urtigas. O meu marido há-de gostar de mim gorda e flácida, pelo menos assim jurou no altar, se é para a saúde e para a doença, também há-de ser para a gordura e magreza.


O problema é que depois passo eu a não gostar de mim ou a gostar ainda menos de mim e isso é que era mau. 


Por isso, vou arranjando coragem para sair de casa e me meter lá naquela associação duvidosa onde duas vezes por semana entrego o corpo ao manifesto (toma lá, duas insinuações de âmbito sexualmente duvidoso no mesmo post, estás bonita, estás!)


As miúdas andam na vidinha delas e isso é bom, chato é termos de ser nós a conduzi-las, e digo isto em sentido figurativo E literal, porque elas ainda não têm carta e as distâncias mais a chuva que cai não se compadecem com idas e vindas a pé. 


E eu disse que isto eram retalho e não menti. Agora, vou corrigir trabalhos. 


 


 


 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

dança

Vieste de mansinho e dançaste comigo o last christmas


fizeste-me entrar no natal


pela porta grande


obrigada


 


dançámos juntas enquanto eu me vestia para ir para a ginástica


fazemos isso muitas vezes e eu gosto tanto


 


que a nossa vida seja sempre uma dança

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

elas

Passa o dia a assobiar. Está a fazer trabalhos de casa, assobia.


Lê, assobia.


Arruma as coisas dela, assobia.


E canta, canta, está sempre a cantar. As porcarias da rádio comercial e também algumas coisas fixes da antena 3.


Há bocado, no carro, as duas repetiam, feitas doidas, o spot de entrada da rubrica da Ana Markl "os audiogésicos da dra. Ana Correia" e riam-se. Ficaram a saber quem é o Júlio Isidro e acabaram por me chamar velha. 

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

ontem, hoje e amanhã (hei)

Com cinco seis anos eu ia à mercearia uns metros abaixo de casa, murmurando a lista de compras, invariavelmente pequenina:


"seis papo secos, seis papo secos, seis papo secos...."


Brincávamos, em magotes, ou sozinhos, ao longo da vila. Com frequência, eu descia até lá abaixo, pertinho do campo de futebol e ia brincar com a margarida maria alacoque, que é a santa que deus nos envia para dar o sinal dar o toque, margarida maria alacoque. A margarida, ou guida para os amigos e família, odiava esta lengalenga que o meu pai fazia questão de dizer de todas as vezes que a via, mas tal não a impedia de brincar comigo. Às tantas de noite, quando achava que seria hora de jantar, porque também em casa da guida se punha a mesa, lá voltava eu para casa.


Brincava com o meno, no bairro, perto da casa do carrola, brincava na encosta do castelo, muitas vezes sozinha.


Ia para escola e voltava, sempre sozinha ou com o bruno, o meu amigo inseparável, que no fim da primeira classe se mudou porque o pai era bancário e foi ser gerente noutro sítio.


Ia à catequese sozinha e voltava sozinha.


Em baltar assim continuou. Íamos e vinhamos, sozinhos, das brincadeiras, das tarefas diárias...


Hoje, não deixo as minhas flhas irem a lado nenhum.


Mas a coisa vai mudar. Já é tempo! De pequenino se torce o pepino. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Já partiram

Ouço-a daqui, no carro, a soprar no trompete. O trompete esteve parado este mês, saindo do caixa uma vez ou outra para tocar magnetic zeros e uma outra coisa que ela ouvia no rádio. 


Vai continuar com o instrumento emprestado pelo orfeão, lá chegará o dia em que terá o seu próprio. 


O sexto ano chegou de comboio à estação e já partiu.


O sexto da Mr e o terceiro da Gr.


Não há como os parar.


Às vezes queria... 

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

as filhas

A mais velha vai ter uma consulta do sono, em Coimbra, sugerida pela endocrinologista que a acompanha.


A terapia de hormona corre como deve correr, sem esquecimentos e sem dores ou dorzitas.


Provavelmente, também eu precisaria de uma consulta de sono. Calculo que após um determinado número de anos sem dormir, o corpo desaprenda e seja necessário ensiná-lo a voltar a dormir.


A mais nova estica-se pela casa,incapaz de se entreter se não tiver nas mãos um qualquer gadget que lhe dê acesso ao youtube onde vê vídeo atrás de vídeo.


A culpa é nossa. 


 

um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...