A mais velha foi para terras do norte, para iniciar o estágio final. Três meses longe de casa, com indicações para "se portar bem", estudar para o exame nacional de Português e para fazer exame de código (tadinha, tenho pena dela).
No ano passado esteve dois meses em Bilbau e não a senti tão enervada como estes dias que antecederam a ida para cima.
Está certo que as circunstâncias mudaram bastante: deixou um namorado saudoso e uma proposta de emprego pendurada, foi para um sítio bem snob, com um chef a condizer e, nota importante, sozinha. Vai chegar ao fim do dia e não vai ter as amigas para conversar, para sair...
Nós estamos na expectativa do que aí vem. No fim do estágio ela tem de decidir, dependendo do resultado do exame, se quer mesmo fazer o curso superior ou se ingressa já no mercado de trabalho.
É desafiador, no mínimo, vermos os nossos miúdos a crescerem. Deduzo que quando eles sabem que vão entrar para a faculdade seja diferente. Parece que a entrada na vida adulta fica adiada mais uns anos. Saber que ela pode eventualmente fazê-lo já daqui a três meses causa-me assim uma espécie de calafrio.
Não podemos tomar as decisões por ela nem ir com ela tratar da vida. Por exemplo, quando veio a proposta de emprego (por telefone), tivemos de a "deixar" conduzir a conversa, mas a minha vontade era tirar-lhe o telemóvel das mãos e sermos nós tratar do assunto.
Não dá! Se não, ela não ganha as asas dela. É só mais uma fase no reino da paternidade.
Nós também estamos SEMPRE a aprender e a ganhar as nossas neste terreno.