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quarta-feira, 6 de setembro de 2023

coisas que lhe digo

levanta o rabinho, faz favor.


não saias daqui.


despacha-te, corre!


onde vais, tão depressa?


mas onde é que queres ir? (enquanto tenta manobrar a cadeira, no meio do corredor)


 

domingo, 27 de agosto de 2023

só para registo

Só para registo: ele


dia 18 de agosto, acidente de mota, a baixa velocidade, numa estrada secundária, clavícula partida, omoplata rachada, perónio partido


saem colocações: não fica


cirurgia, dores, começar o ano letivo de baixa, que se prolongará pelo 1º semestre, de acordo com previsões médicas


eu


enfermeira sem carta ou formação, navego nos mares do auxílio ao esposo


saem colocações: fico no concelho ao lado (onde no ano que terminou acumulei 5h)


levo e trago esposo do hospital, assisto impotente às dores pós cirurgia, às deslocações pela casa na cadeira de escritório (deveria ser uma cadeira de rodas) ( a de escritório tem rodas)


Aguarda-se com algum receio o que ainda aí virá relacionado com os cabrões dos seguros. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

mais um que diz nada de jeito

À minha volta, pessoas cheias de cancros. Dar graças por nenhuma delas ser meu pai, minha mãe, meus irmãos, filhas ou marido é uma ação egoísta? Falta de chá, insensibilidade? Escrever isto aqui piora as coisas? faz de mim uma besta?


É difícil falar/ escrever sobre estas coisas, no entanto, na verdade, é só quase esta questão que me ocupa os dias, se excluirmos o trabalho (os putos andam doidos) e as minhas miúdas (as miúdas andam doidas).


Por isso, calo-me. 

quinta-feira, 21 de março de 2019

isto é uma coisa de nada(quase tudo é uma coisa de nada)

Há intervenções cirúrgicas que são feitas em série. Assim, tu chegas ao sítio, previamente marcado com dois dias de antecedência, fazem-te as perguntas da praxe (tem doenças? toma medicação? tem alergias?) e depois ala para o bloco.


E ficamos assim meio embascacados, sem saber se esperamos sentados, se vamos à nossa vida, afinal que é isto no meio do turbilhão de coisas que acontece todos os dias? nada, um grão de pólen no ar.


E tu vens, à tua vida e de vez em quando páras para pensar mas já nem avanças com o que te assoma à cabeça tanta gente que não acorda da anestesia, tanta merdinha que pode correr mal mas não vai correr, vai fazer as camas será que já saiu do bloco será que a porcaria da pedra foi à vida será que vai tudo correr bem afinal que é tirar uma pedra do rim comparado com um tumor com um acidente grave com um transplante de medula ou outro órgão nada nada. 

segunda-feira, 18 de março de 2019

o fim de semana

O quarto delas era a ala dos tuberculosos - tosse e tosse e tosse.


O resto da casa a ala de nefrologia, com um marido agarrado aos rins. Dizem as más línguas que agora ele já sabe o que é dar à luz.


Serviço público: chá de alburno de tília selvagem parece que faz milagres. 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

belo adormecido

A Bela Adormecida acordou cem anos depois, o meu belo adormecido quase quarenta e dois anos depois. Eu não me importava nada se ele continuasse adormecido, ainda nem tenho a certeza se foi ele que acordou ou se me recuso a acreditar que saiu do seu coma profundo.


Continuo a dizer para mim que foram aqueles kivis azedos como tudo, mas a farmacêutica diz que não, que é quase de certeza o belo adormecido do herpes, neste caso labial (que podia ser outro...)


Estou com o canto inferior esquerdo do lábio num estado novo para mim, com umas picadelinhas chatas e uma coceirinha incómoda... o cabrão do gajo não podia continuar a dormir?


 


 


 

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Endofalk e Dumbledore

Eu era o Dumbledore, num sofrimento excruciante, a despejar a bacia daquela poção amaldiçoada, para chegar ao horcrux. 


Eu era o Dumbledore a engolir aquela mistela, só que a mistela não era uma poção amaldiçoada e objetivo não era encontrar o horcrux. 


Fui bebendo litro atrás de litro e colocando a possibilidade de não fazer exames nenhuns, afinal eu não tinha nada, quase de certeza, para que é que eu estava a sujeitar-me àquilo, já chega, por favor, mais não, mas isto cresce no copo em vez de diminuir, juro que há bocado parecia menos, isto cresceu, mas e se tenho uma pocaria qualquer a crescer-me aqui no corpo e depois não sei, bebe mais, anda, um bocado mais, já chega.


E bebi quase tudo, juro, no último litro vomitei, se fosse o Dumbledore, coitado, lá se ia o horcrux, lá se ia a possibilidade de destruir o Voldemort, mas eu não sou o Dumbledore e bebi quase tudo e fui fazer o exame na mesma. E não tenho nada, ainda bem.


 


 

domingo, 14 de outubro de 2018

Bota laike

Si você passou seu final dji semana limpando vômito e fazendo os trabalhos dji casa dji seus filhos! 

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Estranhamento

Estou tão habituada a ser chulada, pagar e calar que, quando me "oferecem" coisas ou quando olho para a conta e não me assusto, fico de pé atrás, com medo de estar a ser enganada. 


Fui a um fisioterapeuta novo em Leiria. Depois de uma sessão, "mandou-me" voltar lá para fazer exercícios no ginásio da clínica, uma média de duas vezes por semana, a custo zero. Ainda não estou em mim. 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

para memória futura

No dia 1 de dezembro de 2107 o meu ombro esquerdo "quebra". Passo o fim de semana a analgésicos. Corro todos os que tenho em casa, de 4 em 4 horas. No domingo à noite não aguento mais e vou às urgências. 


Sem me tocar, o "ortopedista" de serviço diagnostica-me uma tendinite e manda-me tomar mais análgésicos e fazer "calores".


Na segunda vou ao médico de família, deveria voltar a trabalhar após a retirada da vesícula. O meu braço esquerdo não levanta e tenho dores, muitas dores, mesmo com o que o "ortopedista" receitou.


Minto ao meu médico de família, que é uma besta e digo-lhe que não estou boa para ir trabalhar (não estou mesmo, mas à conta do ombro, não de vesícula que já não tenho). Venho para casa com mais dias de baixa. Nessa tarde, cheia de dores, faço contas à vida. Estou um bocado desesperada e lembro-me de tentar uma sessão de fisioterapia ou osteopatia, sem saber mesmo se tal é possível sem ter requisição médica. 


Acabo por conseguir marcar. Chamo um táxi. Chego e explico o que se passa. A fisioterapeuta aconselha-me ir ao um médico, para pedir que me façam exames médicos. Saio da sessão com menos dores e o meu braço já sobe um bocadinho.


Vou a um outro ortopedista. Descubro que tenho calcificações no ombro, que serão elas as responsáveis pela tendinopatia. Aconselha-me uma infiltração. Recuso. Já ouvi falar horrores, não quero. Manda-me fazer mais fisioterapia. Pode ser que a coisa corra bem.


Faço fisioterapia, dezanove sessões, gasto uma pipa de massa e, por ainda ainda não estar a 100%, vou AO especialista em ombro, ao suprasumo dos especialistas.


Ele faz-me uma infiltração e, dezanove sessões de fisioterapia depois, uma grande pipa de massa depois, o meu ombro volta à estaca zero. Tenho dores e não levanto o braço.  

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Perca peso. Pergunte-me como

Faça-se operar à vesícula, fique sem ela. Venha para casa com instruções básicas e reduzidas como "não coma gorduras nas próximas 2 a 3 semanas, só cozidos e grelhados sem gordura."


Coma o que lhe mandam, não irá comer muito porque na verdade não lhe sabe muito bem.


Passadas três semanas, comece a introduzir, lentamente, acha você, gordura na alimentação: leite meio-gordo, um bocadinho pequenino de manteiga no pão, azeite na sopa e em legumes...


Passe um dia a vomitar e a ver-se livre do que comeu nos últimos dias por outras partes do corpo, fique enjoada e nauseada.


Perderá peso, de certeza absoluta! 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

pós-cirurgia

Já consigo espirrar, só não consigo assoar-me.


Tossir continua difícil, mas a sensação de que tenho uma bola de ténis metida na caixa toráxica está muito menor. Ainda falo aos bochechos e ainda me custa respirar fundo.


Da próxima vez que tiver de tirar uma parte do corpo tenho de me lembrar destas minudências. 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Nao digam que nao avisei

Post enviado do telemovel sem acentos nem cedilhas Ser mae e tambem receber o ultimo bocadinho da bolacha preferida enquanto estamos deitadas no sofa com uma grande dor de garganta. Toma mae, a tua preferida. E ouvir da boca do rebento mais velho que hoje ela trata de tudo.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

leite de arroz e côco

Iac!


Sou mulher de leite de vaca.


Um dia, apanho um cancro qualquer e o médico vai-me dizer que é derivado do leite.


 


Há trocadilhos bem piores.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Nêspera no cu (*)

 


a) Ficar doente de um vez, com os sintomas todos.


b) Ir sentindo coisas diferentes durante a semana, ora dor de cabeça, ora dor de barriga, ora tonturas, ora náuseas....


 


Uma delas fica doente e eu nunca apanho nada, mas vou tendo os sintomas todos, um ou dois de cada vez...


 


(*) conceito pensado e desenvolvido originalmente por Bruno Nogueira (aqui não se plagia).


 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

As segundas (para mais tarde recordar)

Um título destes dava pano para mangas.


Não, não vou aqui refletir sobre nada de especial. Só sobre as segundas-feiras, dias negros para a maior parte das pessoas. Para mim, tendo em conta a forma como tudo se desenrola tão bem cá em casa à segunda, por oposição aos outros dias da semana, as segundas entram no top-five.


Para muita gente, é a sexta. Tendo em conta a forma calamitosa como têm terminado, as sextas entram para o.... qual é o oposto de top-five? top-under five?


A noite de segunda, como descrevi aqui, foi maravilhosa.


A noite de terça foi merdosa. Houve pontapés, cabelos puxados, um "és um bocado estúpida, não és" saído da boca da Mr. revelador da afeição pura e doce que sente, em determinados momentos, pela irmã mais nova.


Portanto, que venham as segundas, o resto dos dias da semana que se lixem.


 

sexta-feira, 14 de março de 2014

estreias

A Gr. achou que era giro ter asma, passou parte da noite no hospital mascarada.


Eu achei que era giro, estando em casa, experimentar "no knead bread". 


 


 


um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...