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domingo, 14 de junho de 2026

que relambório sobre livros para aqui vai

 No fim de semana passado, fomos a Tomar. 

Na feira de velharias comprei dois livros e na feira do livro que estava a decorrer comprei outro.

Os da feira do livro dos pobres já foram (lidos). Afirma Pereira e até amanhã, camaradas, do Ondjaki.

Que finalzinho gostoso tem o Afirma Pereira (satisfatório, como dizem ou diziam os putos - já nem sei se se usa, e eu quero manter a minha aura bem farmada); gosto muito do Ondjaki e este deixou-me com vontade de mergulhar na história de Angola, após a independência. É narrado por um adolescente, que vive em Luanda, onde já não há portugueses e se vive no rescaldo do golpe de estado de 27 de maio de 1977. O narrador conta-nos a sua vida com aquele tom de voz despreocupado e auto-centrado, típico de um adolescente, mais preocupado com a sua vida social. No entanto, ficamos a saber que todos são "camaradas", que na escola a maior parte dos professores são cubanos e todos têm medo dos ataques de um gangue de gregos que assalta escolas (de acordo com o google, um mito urbano da época).  

Segue-se o que comprei na feira do livro a sério: A Montanha, do Peixoto. 

Confesso que há alguns livros do Peixoto que não consegui terminar. O cemitério de pianos é um deles, e é um livro com um escrita fabulosa. É daqueles livros que está ali na estante, ainda com o marcador na página onde fiquei.

Tinha a Mr. uns meses quando o comecei, mas a meio, a eminência da morte do Francisco Lázaro, que ocorre mais ou menos ao mesmo tempo que o seu filho nasce em Portugal, começou a mexer demasiado comigo, que tinha as hormonas todas aos saltos, Para além disso, é um livro confuso, confuso de mais para um cérebro em pós-parto. De modos que estou aqui a olhar para a Montanha e a pensar quando é que lhe hei-de pegar. 

O meu estado atual é muito semelhante ao do pós parto, ou nunca recuperei do dito e a prova é que tive de ir googlar montes de cenas sobre Angola, para compreender porque é que havia professores cubanos a dar aulas em Luanda  ou porque é que todos se tratavam por camaradas. 

Não sabia que no pós 25 de Abril a história de Angola passou por conflitos entre diferentes facções da esquerda. Ouvimos falar tanto em Savimbi e na guerra civil, mas éramos muito novos para perceber o que estava por trás da dita guerra. Na escola, a história de África é a história da colonização, pela voz dos colonizadores. Por isso é bom lermos autores africanos.  


sexta-feira, 12 de junho de 2026

sem título possível

 o 1º ciclo é um mundo à parte 

há dias em que convivo bem com isso, outros há em que me apetece mandar tudo e todos às urtigas, especialmente no fim do ano letivo

esta é a altura em que tenho a certeza de que andamos aqui a brincar às escolas. 

sábado, 6 de junho de 2026

crónicas da hormona

Em dezembro de 2025, regressei à ginecologista, que entretanto virou vedeta de tv e instagram. 

Não sentia que a medicação estivesse a fazer o efeito desejado. Nos primeiros três meses senti diferença (melhores noites, menos ansiedade, mamas ok), mas à medida que os meses foram correndo no calendário, comecei a sentir-me muito alterada. Em julho então! não me reconhecia! estava zangada! sempre! triste! cansada! Tinha havido dias em que chegava a casa e deitava-me no sofá até à hora de treinar e estendia o tapete a pensar que não ia conseguir. Tinha palpitações do nada (o coração desatava a galopar sem razão aparente) e comecei a notar um padrão: a meio da cartela, quando passava aos comprimidos de outra cor, ia ao fundo do poço, numa tristeza sem fim. 

Nesta nova consulta de dezembro, perante as minhas queixas, a ginecologista mudou a medicação. 

Para ter a certeza de que não haveria outras cenas à mistura, marquei consulta de endocrinologia

A nova medicação deixou-me desconfiada durante as primeiras semanas: excetuando uns relativos aumentos mamários, associados a desconforto que tal traz, não senti mais nada.

Seis meses depois, posso afirmar que ainda bem que fiz esta alteração. Durmo melhor, sinto-me menos ansiosa, as palpitações quase desapareceram, não sinto aquela tristeza que me assolava, vinda sei lá de onde. 

Já fiz os exames à tiróide marcados pela endocrinologista (está tudo ok, a tiróide está saudável), faltam as análises ao sangue, que vou fazer mais perto da segunda consulta. 

Tudo indica que era necessário acertar com a fórmula correta no que diz respeito à terapia de substituição hormonal. Sem saber ainda como andam as coisas no que ao sangue diz respeito, diria que, de facto, era tudo uma questão de hormonas em falta.

Volto a ter outra consulta com a ginecologista superstar em julho. À conta da fama, livrou-se dos contratos com seguros de saúde dos pobres, por isso será a última que tenho com ela. Espero que tenha a decência de me "encaminhar" para uma colega de trabalho mais perto de mim (estou a ser consultada por ela no Porto!), para eu me sentir acompanhada nesta cena da "mudança de idade". 


sete vidas

 Fez ontem um mês que a gata que nos adotou há uns três ou quatro anos apareceu aqui na  frente da casa (por obra e graça não sei de quê ou ...