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sábado, 6 de junho de 2026

crónicas da hormona

Em dezembro de 2025, regressei à ginecologista, que entretanto virou vedeta de tv e instagram. 

Não sentia que a medicação estivesse a fazer o efeito desejado. Nos primeiros três meses senti diferença (melhores noites, menos ansiedade, mamas ok), mas à medida que os meses foram correndo no calendário, comecei a sentir-me muito alterada. Em julho então! não me reconhecia! estava zangada! sempre! triste! cansada! Tinha havido dias em que chegava a casa e deitava-me no sofá até à hora de treinar e estendia o tapete a pensar que não ia conseguir. Tinha palpitações do nada (o coração desatava a galopar sem razão aparente) e comecei a notar um padrão: a meio da cartela, quando passava aos comprimidos de outra cor, ia ao fundo do poço, numa tristeza sem fim. 

Nesta nova consulta de dezembro, perante as minhas queixas, a ginecologista mudou a medicação. 

Para ter a certeza de que não haveria outras cenas à mistura, marquei consulta de endocrinologia

A nova medicação deixou-me desconfiada durante as primeiras semanas: excetuando uns relativos aumentos mamários, associados a desconforto que tal traz, não senti mais nada.

Seis meses depois, posso afirmar que ainda bem que fiz esta alteração. Durmo melhor, sinto-me menos ansiosa, as palpitações quase desapareceram, não sinto aquela tristeza que me assolava, vinda sei lá de onde. 

Já fiz os exames à tiróide marcados pela endocrinologista (está tudo ok, a tiróide está saudável), faltam as análises ao sangue, que vou fazer mais perto da segunda consulta. 

Tudo indica que era necessário acertar com a fórmula correta no que diz respeito à terapia de substituição hormonal. Sem saber ainda como andam as coisas no que ao sangue diz respeito, diria que, de facto, era tudo uma questão de hormonas em falta.

Volto a ter outra consulta com a ginecologista superstar em julho. À conta da fama, livrou-se dos contratos com seguros de saúde dos pobres, por isso será a última que tenho com ela. Espero que tenha a decência de me "encaminhar" para uma colega de trabalho mais perto de mim (estou a ser consultada por ela no Porto!), para eu me sentir acompanhada nesta cena da "mudança de idade". 


segunda-feira, 7 de outubro de 2024

ainda da mudança de idade e para ficar registado

Nada de pílula. Decidi definitivamente na noite em que devia iniciar a toma.


Entretanto, continuo a sentir cenas maradas, que supostamente, são sintomas de entrada na perimenopausa: formigueiros nas pernas e braços (como se tivesse bichinhos a passearem por mim acima e abaixo); o meu peso sobe apesar de não andar a comer mais; tenho momentos em que o meu cérebro se esvazia; falta de s3x drive...


Este fim de semana que se passou fui ter com amigas a Coimbra e é extraordinário que ainda "ontem" estávamos no anfiteatro da FLUP a dizer disparates nas aulas de latim do prof. Deserto e "hoje" estamos a comparar a quantidade de cabelos brancos que o tempo que "não" passou semeou nas nossas cabeças e cabelos e a brincar com os "calores" que ainda nenhuma de nós sente. 


Foi um sábado muito bom.

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

let's talk about perimenopausa

Não me lembro exatamente quando, mas o meu feed de instagram começou a ser "bombardeado" com o conceito de perimenopausa. 


Comecei a seguir uma médica americana, com conteúdo sucinto e esclarecedor e comecei, pois claro, a sentir que também eu estava a caminhar, se não mesmo, em pleno período "perimenopáusico".


Uma das ideias constantes da Dra Haver é que, enquanto mulheres, temos de defender aquilo que sentimos no nosso corpo e que tantas vezes é desvalorizado pelos profissionais de saúde.


Perante um quadro que incluía muitos dos sintomas da dita perimenopausa, marquei uma consulta de especialidade. Pesquisei pela zona e só consegui em Coimbra. É sempre dificíl, para mim pelo menos, ir a um ou uma ginecologista desconhecida, mas convenci-me de que tinha de o fazer e lá fui. Na primeira consulta senti-me ouvida e saí convencida de que estaria a começar uma jornada e que seria apoiada no que fosse necessário.


Fiz os exames pedidos e iniciei a toma de um medicamento que iria, segundo a médica, "atacar" alguns dos sintomas. 


Faço os exames e descubro que tenho uma anemia bem gorda e um útero armado em parvo, padecente de adenomiose. 


Chego à segunda consulta e, perante os resultados dos exames, a médica centra-se na necessidade de "curar" a anemia, provocada pela adenomiose e "manda-me" iniciar uma pilula anticoncecional (daquelas que se tomam sem pausa e que inibem o sangramento que imita a menstruação - graças à Patrícia Lemos sei que com pílula não se ovula, logo não há menstruação). 


Na minha cabeça disse um palavrão cabeludo! Então, fiz eu uma laqueação das trompas para não me preocupar mais com anticoncecionais e, agora que estou a chegar à fase da vida em que não devia ter de me chatear mais com possíveis gravidezes, é que tenho de tomar pílulas?  - "eu não quero, dra! Dou-me muito mal com pílulas! A adenomiose nem me chateia assim tanto...."


 - "Temos de tratar essa anemia...já viu? vai tomar ferro e se  se der bem com a pílula, trocamos pelo DIU:" 


Disse outro palavrão cabeludo (bem baixinho)! A sensação inicial já tinha ido pelo cano abaixo. Não me senti "escutada", mas fui incapaz de me defender.


Isto foi no início deste mês. Entretanto, tenho andado aqui a remoer. O ferro dá cabo de mim - enjoos, diarreia etc. A pílula ainda não comecei... 


Quão mau é marcar uma consulta noutra médica? De acordo com a Dra. Haver, é só o que devemos fazer se não nos sentimos ouvidas. É sermos capazes de nos defendermos.


Já o fiz, já marquei outra consulta! O problema é que, para não faltar às aulas, tive de a marcar para janeiro. Fico aqui na dúvida se devo ou não experimentar o raio da pílula, enquanto não chega janeiro. Fico aqui na dúvida... 


 


 

um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...