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segunda-feira, 30 de março de 2026

não sei estar

Sento-me no banco vermelho, que bela troca que foi o banco vermelho (uma velha nikon ou canon, já nem sei, por um banquinho de jardim), com um copo meio cheio de vinho branco, um fiúza, já que perguntam (cortesia de visitas queridas aqui em casa). 

Sento-me, escrevo eu e olho em redor. Vejo o pôr do sol nas janelas da piscina interior da quinta em frente. Tem piscina, sim senhor, mais corte de ténis e campo da bola. 

Sento-me, escrevo eu e olho o pôr do sol nas janelas (os eucaliptos que restaram da tempestade tapam-me o verdadeiro, tenho de o aproveitar em segunda-mão) com o copo no colo. Sem contar, já bebi meio copo do meio copo que me servi. Vou ao frigorífico buscar um resto de tarte de pêra e camembert e somo ao vinho. Não quero ficar tocada antes do jantar, que é já daqui a pouco. 

Volto sentar-me e componho um texto para aqui. Não tem nada a ver com o que debitei. É algo relacionado com o ato de estar, só estar, mas esqueci-me do essencial. Lá se foi, juntamente com o fiúza.

Sento-me no sofá, após o jantar, cozinha arrumada, são 9.30 da noite, e tento lembrar-me do que compus. Não me lembro. Era sobre estar, só estar, coisa que não sei fazer, obviamente.  

quinta-feira, 26 de março de 2026

parentalidade

 Afinal, ter filhos não significa apenas andar com o coração fora do peito. Parece que os pulmões também entram na equação. Se não, como justificar que a ida da mais nova a Londres me tenha deixado com dificuldades em respirar?

Só senti os pulmões a funcionar corretamente quando recebi mensagem com a informação de que o voo tinha aterrado e que ela tinha gostado muito. 

domingo, 22 de março de 2026

dezasseis

ela fez dezasseis anos

foi o fim de semana da casa cheia, desde a tarde de sexta até à tardinha de domingo

a máquina de lavar louça sempre a bombar

fizemos kms a levar e a buscar, entre leiria, batalha e marinha grande

a minha filha tem amigos

amigos que gostam dela na sua quirkiness

amigos quirk, mas amigos, que esta semana, por ela ter o braço ao peito, de uma luxação no cotovelo, lhe carregaram a mochila, lhe partiram comida... 

foi um fim de semana cheio, mas estou contente. por ela e por nós, porque se há coisa má é sentir que os nossos filhos não são aceites pelos seus pares. contente porque ela tem amigos.

 

sexta-feira, 13 de março de 2026

ups!

 Estava cansada. Estavam a fazer barulho a mais. É certo que falavam uns com os outros sobre o trabalho, tiravam dúvidas, explicavam coisas, pediam ajuda... mas eu estava cansada de os ouvir, já lhes tinha pedido que usassem a voz de biblioteca várias vezes, mas eles estavam sempre a esquecer-se e lá subia o volume.

Prometi-lhes um chocolate, um chocolate para cada um se reduzissem o volume, se estivessem o mais possível caladinhos.

A sério, teacher? um chocolate para cada um? tens?

Tenho, trago um chocolate para cada um. 

A sério?

A sério!

Ficaram caladinhos, falaram baixinho o resto da aula.

Só me "esqueci" de lhes dizer que o chocolate que tenho em casa é 85% cacau.... 


quarta-feira, 11 de março de 2026

quero o que ela tomou

 A autora do "Não mudes nunca" escreveu no mais recente post que algo mudou em 2026 para melhor, tornou-se uma outra pessoa. Afirma "Não tenho dores. Não me sinto cansada. O meu sono é regular. Não tenho fome. Sinto necessidade de fazer exercício para gastar toda a energia que tenho a mais. Não tenho pressa nem ansiedade. Não tenho medo."

Nunca interagi com ela, mas apetece-me muito perguntar-lhe o que fez? o que tomou? o que viu? o que ouviu? 

Porque toda eu sou dor (quase o tempo todo), ansiedade, choro, depressão...

Achava eu que este estado geral de merda era hormonal, achava eu que a terapia de reposição ia fazer milagres, que ia ficar bem disposta, sem crises de choro, menos ansiosa... e olhe-se para mim... 

Haja esperança no facto de não me deixar ficar. Já marquei consulta de endocrinologia e de dermatologia (a minha cara está cheia de borbulhas estranhas, vermelha, parva, para resumir) e já pesquisei clínicas de psiquiatria para consultar após o input da endocrinologia, não vá isto tudo ser só uma grande depressão que me está a alterar os modos de estar e de sentir de forma geral. 


sábado, 7 de março de 2026

da minha varanda

 Da minha varanda vejo a quinta. Aqui juntinho à grade, as aves, que vêm a correr quando chega o senhor que as alimenta, num pequeno trator barulhento; lá mais ao fundo, as vacas castanhas, faladoras e de cabeça sempre baixa, focinho ocupado a comer a erva.

Lá mais ao fundo, ainda, os eucaliptos e os capôs dos carros que passam na autoestrada.

Se virar os olhos um bocadinho para a direita, basta um bocadinho, vejo a "porcaria", um edifício branco, feio, que empesta as redondezas em algumas alturas do ano, sem que saibamos porquê (só sabemos que nesses dias temos de fechar janelas e não deixar roupa a secar na varanda).

Nos dias de sol, que este ano ainda foram muito poucos, podem encontrar-me sentada, com uma chávena de café ou um livro, na minha varanda. Faço assim um bocado de fotossíntese.

Nas noites de verão, nas que são minimamente agradáveis, gosto de me sentar no banco vermelho e fazer bolas de sabão. Faço assim um bocado de terapia.

Estou cansada deste inverno, desejo muito dias de sol e noites quentes. 


Intermezzo

 Acabei ontem o Intermezzo da Sally Rooney. Foi um parto longo. Não é de leitura fluída, como os anteriores, especialmente se estivermos a l...