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segunda-feira, 30 de março de 2026

não sei estar

Sento-me no banco vermelho, que bela troca que foi o banco vermelho (uma velha nikon ou canon, já nem sei, por um banquinho de jardim), com um copo meio cheio de vinho branco, um fiúza, já que perguntam (cortesia de visitas queridas aqui em casa). 

Sento-me, escrevo eu e olho em redor. Vejo o pôr do sol nas janelas da piscina interior da quinta em frente. Tem piscina, sim senhor, mais corte de ténis e campo da bola. 

Sento-me, escrevo eu e olho o pôr do sol nas janelas (os eucaliptos que restaram da tempestade tapam-me o verdadeiro, tenho de o aproveitar em segunda-mão) com o copo no colo. Sem contar, já bebi meio copo do meio copo que me servi. Vou ao frigorífico buscar um resto de tarte de pêra e camembert e somo ao vinho. Não quero ficar tocada antes do jantar, que é já daqui a pouco. 

Volto sentar-me e componho um texto para aqui. Não tem nada a ver com o que debitei. É algo relacionado com o ato de estar, só estar, mas esqueci-me do essencial. Lá se foi, juntamente com o fiúza.

Sento-me no sofá, após o jantar, cozinha arrumada, são 9.30 da noite, e tento lembrar-me do que compus. Não me lembro. Era sobre estar, só estar, coisa que não sei fazer, obviamente.  

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Como se começa?

Olhe, não sei, é tanta merda, desculpe, tanta coisa, que não sei por onde começar e tenho vergonha de dizer merdas, desculpe, coisas que podem vir a estragar o que está bom, tenho receio de mexer em cocó, desculpe, em coisas que se calhar na minha cabeça estão bem e sair daqui a achar que essas também estão mal, percebe? Faz sentido? Por onde quer que comece?Ou eu não começo nada? e depois se a senhora começa mal e eu não souber continuar ou se eu não souber começar pela coisa certa e ouvir, como já ouvi, que não precisava de terapia porque na minha cabeça resolvia as questões de forma muito lúcida? e depois não tenho coragem de dizer olhe que não, olhe que não, como o Mário Soares naquele debate com o Álvaro Cunhal? 

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Depois acordei ou parti para outro sonho, não me lembro

Sonhei que dava aulas a cursos profissionais (outra vez), mas agora era professora de matemática. Fui dar uma aula sem ter levado o livro do professor, que tinha as soluções. Agarrei-me a um de um aluno, desesperada, para ver se me vinha alguma ideia do que andava ali a fazer. Abria e fechava o livro, transpirava, olhava para eles, que olhavam para mim e só pensava "mas porque é que dou aulas de matemática se sou um zero à esquerda, que é que estou aqui a fazer? daqui a pouco pegam-se à porrada ou fazem merda da grande e eu aqui a olhar para isto como um boi para um palácio!". Entretanto, dois deles pegaram-se efetivamente à porrada! Para os separar, dei um beliscão a um deles, que por sua vez me apertou o pescoço.


Fui salva pela estupidez do próprio sonho, que me pôs na rua, a conduzir o meu meio de transporte: um balão de hélio (amarelo ou azul, já não me lembro). Morava numa pensão e, assim que cheguei, a senhora dona do estabelecimento veio ralhar comigo, porque eu estava mal agasalhada, isto enquanto eu tentava estacionar o meu balão, que por ser de hélio, estava sempre a tentar fugir.


Que vida tão triste, pensava eu, enquanto procurava um lugar para atar o meu balão, que vida tão triste.


 

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Ralouin

Elas querem ir "vestidas" para a escola no dia em que nos estates se celebra o ralouin. Eu quero, gentilmente, mandá-las dar uma volta ao bilhar grande. 


O  carnaval é em fevereiro e ponto final. 

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

gosto

Gosto muito de Courtney Barnett


Gosto muito de Leon Bridges


Gosto muito de Capicua


Gosto muito de Marisa Monte


Gosto muito de sopa de vampiro e de um copo de tinto


gosto muito de calor e gosto muito de sextas-feiras à noite, gosto mais de sextas-feiras à noite do que de sábados à noite


gosto muito de reler as merdas que escrevi ao longo destes anos aqui no Caixote, embora constate, com muita pena minha, que sou, acima de tudo, uma queixinhas


gosto muito de muita coisa que não cabe aqui

quinta-feira, 17 de junho de 2021

não sei como

Uma destas noites, sonhei (pesadelei) que uma delas tinha morrido. Não sei como, não sei porquê, só sei que não havia mais essa filha.


Foram tsunamis de dor, uns em cima dos outros. Tsunamis de dor excruciante em cima de mim. Acordei lavada em suor e lágrimas, com o coração a mil. Nunca me senti tão feliz por acordar.


Não sei como se vive após a morte de um filho.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

São uma porcaria...

... mas dão um jeitão durante as audições. As máscaras. Esta semana esconderam um quase ataque de riso, à medida que a criança tocava no violino a peça que lhe tinha cabido nas sortes. 

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Untitled

Tenho isto aberto desde as quatro da tarde. Não sai nada. Nem sequer consigo ensaiar o que escrever, não sai esboço, rascunho, não sai nada.


Desisto

domingo, 14 de junho de 2020

manutenção

Pegar no pano e na vassoura, chegar aos cantos e tirar as teias de aranha.


Não sei quando volto aqui, mas se a gente tem uma casa, mesmo que lá não vá, é bom ir fazendo umas limpezas, para ajudar na manutenção ou a casa cai aos pedaços mais depressa.


Pronto, limpei aqui os cantinhos, puxei o lustro aos corrimões, dei uma lavadela aos vidros e aspirei o chão.


Até à próxima. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

sou invisível

Provas de que sou invisível:


as portas automáticas tendem a não abrir,


as pessoas tendem a não dizer "bom dia", "boa tarde", "até amanhã",


os funcionários das lojas e cafés passam por mim e não me atendem,


mas o que me deixa deveras admirada é aquela coisa das portas não abrirem....as pessoas vá que não vá, vivemos num mundo onde as regras básicas de educação deram ares de diogo, já as portas....


porquê? 

domingo, 20 de outubro de 2019

problemas de 1º mundo

Cuecas! cuecas que se metem em todo o lado, cuecas grandes de mais para as nádegas ou pequenas de mais, que se passeiam livremente pela anatomia, cuecas do demo.


Experimentem andar o dia todo com um par de cuecas dessas e, finalmente, ao fim do dia arrancá-las e deitá-las ao lixo... o alívio que se sente! caramba!


Ah! que maldade, há pessoas que nem cuecas têm e eu aqui a criticar as minhas... que horror.


As pessoas que não têm cuecas não sabem o que é usar cuecas, não lhes sentem a falta.


Ui, isto vai de mal a pior, é melhor encerrares por hoje. 

domingo, 6 de outubro de 2019

quinta-feira, 13 de junho de 2019

venha o demo e escolha (ou não, que afinal nem é assim tão mau sonhar com o lopes)

Sonhei com o nuno lopes


aparentemente, era visita frequente cá da casa


só o meu marido é que não sabia


e é isto: ou tenho sonhos parvos ou estou acordada a pensar nas avaliações.

sábado, 11 de agosto de 2018

Diz que está na moda

Gabs: "precisava de comprar uma parte de baixo de biquíni que me tapasse mais as bochechas..."


 


Alguém: "não te preocupes. O teu rabo este ano usa-se." 

quinta-feira, 26 de julho de 2018

quinta-feira, 5 de julho de 2018

manuais escolares

Todos os anos é a mesma coisa: faço uma pilha com os manuais usados pelas miúdas e depois fico a olhar para ela.


O que lhes faço? Estão usados, usados, isto é, os exercícios estão feitos, os autocolantes colados, não há quase nada que possa ser feito neles.


A ideia de reutilização é muito gira, mas até que ponto funciona? 


Dão-se manuais usados. Eu dou. Alguém quer?

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Eu gostava de ter dito

"Eu não pago greves de ninguém. Querem fazer greve, façam, mas não esperem que eu pague. Já fiz muitas greves e nunca ninguém me ajudou."


Já eu acredito que é uma questão de empatia ajudar os colegas que ciclicamente vão faltando às reuniões para manter a greve que poderá acabar com o congelamento da carreira. 


 


"Os gajos enganaram-me e eu não dei conta. Comprei aquilo estragado. Então, pensei: ai é? Enganaram-me? Também não quero saber. Vou vender isto e quero lá saber se está estragado. Vendi aquilo, recuperei o dinheiro mas digo-lhe que Olx para mim nunca mais! "


Já eu acho que o sr. é um aldrabão tão grande como o outro primeiro que lhe vendeu um bem estragado. E dizê-lo assim à descarada, sem consciência de tal, só faz de si um aldrabão estúpido. 


 

um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...