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domingo, 17 de maio de 2026

49, pá!

Este ano calhou-me nas sortes fazer anos num sábado. Havia a possibilidade de ir lá acima, mas a mr. ia estar a trabalhar, os meus pais estão para as beiras e havia a manif em Lisboa.

Perante esta conjuntura, decidi que ficava por cá e que à tarde ia exercer o direito de me manifestar.

Na véspera, comprei aquilo que me ia apetecer tomar ao pequeno-almoço e cenas para um jantar de sexta já a pensar em celebração (são quase cinquenta!, parece mal celebrar só no dia, não?), cheguei a casa e disse ao homem - toma lá, isto é o que vais preparar amanhã para o meu pequeno-almoço e, já agora, decides também o que vamos almoçar, que não estou para tomar decisões nesse âmbito, uma vez que até já fui eu que reservei mesa para jantar.

De manhã, dei com ele na cozinha a pôr em prática as minhas instruções (é assim, a malta tem de tomar as rédeas da sua vida, nem que seja só neste dia!)

O resto da manhã foi passado a anhar, a tentar fazer o mínimo possível (fogo, se o nosso dia de anos não serve para isso, então para quê fazer anos!) 

À tarde, chegámos a Lisboa e juntámo-nos à manifestação, não sem antes termos feito o percurso em sentido contrário até encontrarmos a "procissão". Estava um dia lindo, e as manifs são sempre uma festa (passávamos sem elas, é verdade, mas já que temos de as fazer, que sejam momentos bons!)

Para ser sincera, estava cheia de medo que fôssemos uns gatos pingados, mas assim que chegámos à zona da avenida do infante e começámos a ver autocarros de todo o país, ficámos num excitação maluca. Eram muitos, todos estacionadinhos em fila indiana, pela avenida fora! 

Quando acabou, corremos para o carro estacionado algures e fizemos a viagem de regresso a casa. Recebi muitas mensagens e telefonemas, de amigos e senti-me feliz.

O jantar foi bom, embora tivesse feito falta a nossa mais velha. Deixei os "parabéns a você" para hoje, para podermos cantar com ela. Está quase a chegar a Leiria. Vamos buscá-la e terminamos assim " a minha festa de 49 anos de idade".





quinta-feira, 14 de maio de 2026

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Rosácea papulocoiso

 Fiz o antibiótico durante um mês, de acordo com as indicações da dermatologista, e segui à risca o "protocolo" de cenas para pôr na cara.

Parei, portanto, com o antibiótico no dia 2, mas mantive as cenas na cara. 

Achei que se as bulas dizem que podem ser usados por mais de dois e três meses, e se do lado esquerdo a "coisa" ainda não estava a 100%, não haveria de fazer mal, pelo menos até à próxima consulta (a vinte qualquer coisa deste mês).

Ontem, começaram a aparecer timidamente novas pápulas. Estou a tentar evitar um ataque de nervos, porque dizem que o sistema nervoso afeta esta porcaria, mas está difícil.

Diziam que aos quarenta apareciam as cenas todas. Aqui foi aos 47! Pela positiva: foi mais tarde do que o expectável. Deixa-me feliz? não! 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

A mais velha estagia

 A mais velha foi para terras do norte, para iniciar o estágio final. Três meses longe de casa, com indicações para "se portar bem", estudar para o exame nacional de Português e para fazer exame de código (tadinha, tenho pena dela).

No ano passado esteve dois meses em Bilbau e não a senti tão enervada como estes dias que antecederam a ida para cima.

Está certo que as circunstâncias mudaram bastante: deixou um namorado saudoso e uma proposta de emprego pendurada, foi para um sítio bem snob, com um chef a condizer e, nota importante, sozinha. Vai chegar ao fim do dia e não vai ter as amigas para conversar, para sair... 

Nós estamos na expectativa do que aí vem. No fim do estágio ela tem de decidir, dependendo do resultado do exame, se quer mesmo fazer o curso superior ou se ingressa já no mercado de trabalho.

É desafiador, no mínimo, vermos os nossos miúdos a crescerem. Deduzo que quando eles sabem que vão entrar para a faculdade seja diferente. Parece que a entrada na vida adulta fica adiada mais uns anos. Saber que ela pode eventualmente fazê-lo já daqui a três meses causa-me assim uma espécie de calafrio.

Não podemos tomar as decisões por ela nem ir com ela tratar da vida. Por exemplo, quando veio a proposta de emprego (por telefone), tivemos de a "deixar" conduzir a conversa, mas a minha vontade era tirar-lhe o telemóvel das mãos e sermos nós tratar do assunto. 

Não dá! Se não, ela não ganha as asas dela. É só mais uma fase no reino da paternidade. 

Nós também estamos SEMPRE a aprender e a ganhar as nossas neste terreno.  


segunda-feira, 4 de maio de 2026

concertos e desconcertos

Percorri 75 kms para lá e outros para cá para ver a banda do M.

Eu e mais uns quantos adolescentes (as de cá de casa e mais outros). Chegámos a casa às 3 da manhã. O único rapaz que nos acompanhava foi o único que se manteve acordado, tendo chamado a si próprio a missão de me manter acordada.

Por muitos concertos que já tenha visto, eu gosto sempre de os ver tocar. O M. transforma-se num animal de palco, ainda que estejam a tocar num espaço exíguo e mal enjorcado, como foi no sábado.

É engraçado e uma lufada de ar fresco perceber como ainda vai havendo espaços onde bandas alternativas podem tocar. Assim sem pensar muito, nestes últimos dois, três anos, os Glaucoma já tocaram em Lordelo, Fafe, Famalicão, na outra banda lá para os lados de Alcochete e na zona de Penafiel. Em espaços pequeninos, mas cheios de pequenas (às vezes muito pequenas, tal como os próprios bares) multidões (está bem, multidõezinhas!) 

No sábado, em Lamego, o bar estava cheio de clientes habituais. E eu fiquei com inveja de não haver assim um sítio aqui perto, onde eu pudesse ir desopilar um bocado, de vez em quando.

Aqui há umas semanas, havia aqui um concerto acústico, num espaço semelhante ao de Lamego. Assim que entrei, saí. Estava cheio de pessoas a comer (os empregados mal tinham espaço para circular) e o tipo que cantava estava sentado num banco alto, agarrado a uma guitarra. Estava com um ar tão lixado da vida!

Pudera! Estava a atuar para uma sala que se estava completamente a marimbar! Deve ter sido um belo desconcerto. 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Intermezzo

 Acabei ontem o Intermezzo da Sally Rooney. Foi um parto longo.

Não é de leitura fluída, como os anteriores, especialmente se estivermos a ler a versão original. Admiro e, ao mesmo tempo, irritam-me as narrativas no presente do indicativo. É um daqueles romances onde a maior parte da ação é o que se passa na cabeça das personagens, dois irmãos muito diferentes, que vivem o processo de luto após a morte do pai. 

Demorei muito a engrenar, pegava no livro e só conseguia ler umas dez ou doze páginas de cada vez. Primeiro porque a escrita é difícil e depurada (a tradução deve ter sido complicada de fazer!), segundo porque a alternância entre duas vozes me deixava, no início, insegura - mas quem é este agora? o irmão mais velho ou o mais novo? Onde estou agora, e quanto tempo passou?

Depois, fui percebendo que a "voz" do irmão mais velho era completamente diferente da "voz" do mais novo, habituei-me ao presente do indicativo e acabei por não conseguir parar até chegar ao fim. 

Gostei especialmente da forma os irmãos  vão processando tudo o que acontece - e fazem-no de forma completamente distinta - para chegarem a conclusões mais ou menos idênticas. 



segunda-feira, 20 de abril de 2026

quantos?

 quantos farias hoje? uns bons oitenta, a comparar-te com a idade do meu pai. e digo bons oitenta, não tendo a certeza da idade do meu próprio pai (já escrevi sobre isto, a minha memória deixou de guardar a idade dos meus pais).

quantos farias hoje, pintoveski? a tua C. chega aos 40. E tu? quantos farias hoje?

ia escrever "às vezes", mas não é só às vezes, é quase todos os dias

 à tarde, treino.

Escolho um treino, estendo o tapete, visto um par de calças de fato de treino e aplico-me, uns 30, 40 minutos, cerca de quatro, cinco vezes por semana.

Pois não há dia em que não diga a mim própria "hoje não treino, estou cansada, não me apetece", uma horita antes, às vezes mais cedo. Na hora de sempre, entre as 18 e as 19, lá estou eu a estender o tapete.

É isto quase sempre. Daria um estudo. Dar a mim própria a possibilidade legítima de não fazer nada, para acabar a fazer, não sem antes ter dito um debate interior. Quase sempre isto. Cansa ser eu. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

rosáceas há muitas

 A tipa que habita a minha cara não gosta de exercício físico.

É uma rosácea papulocoiso preguiçosa, que se enerva com o exercício fisíco. Fica zangada e começa a picar-me, deixa-me outra vez de cara inflamada.

Deito-me toda empastada, acordo com a cara relativamente ok, ao longo do dia, se não estiver muito calor, a cara mantém-se decente, mas após o treino estou toda ruborizada e as borbulhas renascem. 

A medicação está a fazer efeito, sim, mas tenho a ligeira impressão de que o exercício está a atrasar a recuperação e temo pelos meses de calor.

Já comecei a procurar chapéus de abas bem grandes, que me tapem a cara e não me façam parecer estranha.  

Raios

 Devia haver um plafond. Um plafond para a quantidade de barbaridades que cada pessoa podia dizer. 

Depois de esgotado o dito plafond, caía um raio em cima da pessoa. Um raiozito, só, à primeira, que ia aumentando de intensidade à medida que a pessoa fosse insistindo em dizer mais barbaridades. 

Era. 

49, pá!

Este ano calhou-me nas sortes fazer anos num sábado. Havia a possibilidade de ir lá acima, mas a mr. ia estar a trabalhar, os meus pais estã...