a mais nova é um poço de teimosia que roça a obsessão
os obstáculos, se existem, contornam-se, partem-se, sei lá... e ela lá tem levado a sua água ao moinho
é uma canseira para nós, mas não deixa de ser uma lição de vida para mim
Um caixote para atirar para lá a tralha que anda para aqui perdida
a mais nova é um poço de teimosia que roça a obsessão
os obstáculos, se existem, contornam-se, partem-se, sei lá... e ela lá tem levado a sua água ao moinho
é uma canseira para nós, mas não deixa de ser uma lição de vida para mim
Declaro oficialmente encerrada a parte letiva do ano letivo 25/26.
Ontem foi o meu último dia de aulas. Hoje, os horários já desocuparam a porta do frigorífico.
Amanhã inicia-se o ciclo de reuniões, vigilâncias da segunda fase, entrega de relatórios e o que mais se lembrarem.
A mais velha continua em estágio pelo norte, a mais nova arrasta-se pela casa, aborrecidamente agarrada ao telemóvel.
Amanhã também, a banda do pai toca nas festas da terra vizinha, abrindo concerto para os Moonspell. Uh, que excitex!
No fim de semana passado, fomos a Tomar.
Na feira de velharias comprei dois livros e na feira do livro que estava a decorrer comprei outro.
Os da feira do livro dos pobres já foram (lidos). Afirma Pereira e até amanhã, camaradas, do Ondjaki.
Que finalzinho gostoso tem o Afirma Pereira (satisfatório, como dizem ou diziam os putos - já nem sei se se usa, e eu quero manter a minha aura bem farmada); gosto muito do Ondjaki e este deixou-me com vontade de mergulhar na história de Angola, após a independência. É narrado por um adolescente, que vive em Luanda, onde já não há portugueses e se vive no rescaldo do golpe de estado de 27 de maio de 1977. O narrador conta-nos a sua vida com aquele tom de voz despreocupado e auto-centrado, típico de um adolescente, mais preocupado com a sua vida social. No entanto, ficamos a saber que todos são "camaradas", que na escola a maior parte dos professores são cubanos e todos têm medo dos ataques de um gangue de gregos que assalta escolas (de acordo com o google, um mito urbano da época).
Segue-se o que comprei na feira do livro a sério: A Montanha, do Peixoto.
Confesso que há alguns livros do Peixoto que não consegui terminar. O cemitério de pianos é um deles, e é um livro com um escrita fabulosa. É daqueles livros que está ali na estante, ainda com o marcador na página onde fiquei.
Tinha a Mr. uns meses quando o comecei, mas a meio, a eminência da morte do Francisco Lázaro, que ocorre mais ou menos ao mesmo tempo que o seu filho nasce em Portugal, começou a mexer demasiado comigo, que tinha as hormonas todas aos saltos, Para além disso, é um livro confuso, confuso de mais para um cérebro em pós-parto. De modos que estou aqui a olhar para a Montanha e a pensar quando é que lhe hei-de pegar.
O meu estado atual é muito semelhante ao do pós parto, ou nunca recuperei do dito e a prova é que tive de ir googlar montes de cenas sobre Angola, para compreender porque é que havia professores cubanos a dar aulas em Luanda ou porque é que todos se tratavam por camaradas.
Não sabia que no pós 25 de Abril a história de Angola passou por conflitos entre diferentes facções da esquerda. Ouvimos falar tanto em Savimbi e na guerra civil, mas éramos muito novos para perceber o que estava por trás da dita guerra. Na escola, a história de África é a história da colonização, pela voz dos colonizadores. Por isso é bom lermos autores africanos.
o 1º ciclo é um mundo à parte
há dias em que convivo bem com isso, outros há em que me apetece mandar tudo e todos às urtigas, especialmente no fim do ano letivo
esta é a altura em que tenho a certeza de que andamos aqui a brincar às escolas.
Em dezembro de 2025, regressei à ginecologista, que entretanto virou vedeta de tv e instagram.
Não sentia que a medicação estivesse a fazer o efeito desejado. Nos primeiros três meses senti diferença (melhores noites, menos ansiedade, mamas ok), mas à medida que os meses foram correndo no calendário, comecei a sentir-me muito alterada. Em julho então! não me reconhecia! estava zangada! sempre! triste! cansada! Tinha havido dias em que chegava a casa e deitava-me no sofá até à hora de treinar e estendia o tapete a pensar que não ia conseguir. Tinha palpitações do nada (o coração desatava a galopar sem razão aparente) e comecei a notar um padrão: a meio da cartela, quando passava aos comprimidos de outra cor, ia ao fundo do poço, numa tristeza sem fim.
Nesta nova consulta de dezembro, perante as minhas queixas, a ginecologista mudou a medicação.
Para ter a certeza de que não haveria outras cenas à mistura, marquei consulta de endocrinologia
A nova medicação deixou-me desconfiada durante as primeiras semanas: excetuando uns relativos aumentos mamários, associados a desconforto que tal traz, não senti mais nada.
Seis meses depois, posso afirmar que ainda bem que fiz esta alteração. Durmo melhor, sinto-me menos ansiosa, as palpitações quase desapareceram, não sinto aquela tristeza que me assolava, vinda sei lá de onde.
Já fiz os exames à tiróide marcados pela endocrinologista (está tudo ok, a tiróide está saudável), faltam as análises ao sangue, que vou fazer mais perto da segunda consulta.
Tudo indica que era necessário acertar com a fórmula correta no que diz respeito à terapia de substituição hormonal. Sem saber ainda como andam as coisas no que ao sangue diz respeito, diria que, de facto, era tudo uma questão de hormonas em falta.
Volto a ter outra consulta com a ginecologista superstar em julho. À conta da fama, livrou-se dos contratos com seguros de saúde dos pobres, por isso será a última que tenho com ela. Espero que tenha a decência de me "encaminhar" para uma colega de trabalho mais perto de mim (estou a ser consultada por ela no Porto!), para eu me sentir acompanhada nesta cena da "mudança de idade".
ela tem um plano na cabeça, que não é fazível
elaborar um plano alternativo parece-lhe desistir do primeiro
e eu não sei gerir isto.
Fui à escola básica do segundo ciclo fazer uma leitura de prova. Foi chato, porque à conta de cenas várias marcadas pelo agrupamento, já deixei de dar uma quantidade de aulas bem jeitosa.
Foi giro porque encontrei miúdos que me passaram pelas mãos nos últimos dois anos. Foi muito abracinho a putos que estão mais altos do que eu, elas todas enormes, eles mais pequenos, mas já a perder a feições de bebés. "teacher, que saudades! tenho 5 a inglês!" Também tenho saudades vossas, miudagem.
Este ano calhou-me nas sortes fazer anos num sábado. Havia a possibilidade de ir lá acima, mas a mr. ia estar a trabalhar, os meus pais estão para as beiras e havia a manif em Lisboa.
Perante esta conjuntura, decidi que ficava por cá e que à tarde ia exercer o direito de me manifestar.
Na véspera, comprei aquilo que me ia apetecer tomar ao pequeno-almoço e cenas para um jantar de sexta já a pensar em celebração (são quase cinquenta!, parece mal celebrar só no dia, não?), cheguei a casa e disse ao homem - toma lá, isto é o que vais preparar amanhã para o meu pequeno-almoço e, já agora, decides também o que vamos almoçar, que não estou para tomar decisões nesse âmbito, uma vez que até já fui eu que reservei mesa para jantar.
De manhã, dei com ele na cozinha a pôr em prática as minhas instruções (é assim, a malta tem de tomar as rédeas da sua vida, nem que seja só neste dia!)
O resto da manhã foi passado a anhar, a tentar fazer o mínimo possível (fogo, se o nosso dia de anos não serve para isso, então para quê fazer anos!)
À tarde, chegámos a Lisboa e juntámo-nos à manifestação, não sem antes termos feito o percurso em sentido contrário até encontrarmos a "procissão". Estava um dia lindo, e as manifs são sempre uma festa (passávamos sem elas, é verdade, mas já que temos de as fazer, que sejam momentos bons!)
Para ser sincera, estava cheia de medo que fôssemos uns gatos pingados, mas assim que chegámos à zona da avenida do infante e começámos a ver autocarros de todo o país, ficámos num excitação maluca. Eram muitos, todos estacionadinhos em fila indiana, pela avenida fora!
Quando acabou, corremos para o carro estacionado algures e fizemos a viagem de regresso a casa. Recebi muitas mensagens e telefonemas, de amigos e senti-me feliz.
O jantar foi bom, embora tivesse feito falta a nossa mais velha. Deixei os "parabéns a você" para hoje, para podermos cantar com ela. Está quase a chegar a Leiria. Vamos buscá-la e terminamos assim " a minha festa de 49 anos de idade".
Fiz o antibiótico durante um mês, de acordo com as indicações da dermatologista, e segui à risca o "protocolo" de cenas para pôr na cara.
Parei, portanto, com o antibiótico no dia 2, mas mantive as cenas na cara.
Achei que se as bulas dizem que podem ser usados por mais de dois e três meses, e se do lado esquerdo a "coisa" ainda não estava a 100%, não haveria de fazer mal, pelo menos até à próxima consulta (a vinte qualquer coisa deste mês).
Ontem, começaram a aparecer timidamente novas pápulas. Estou a tentar evitar um ataque de nervos, porque dizem que o sistema nervoso afeta esta porcaria, mas está difícil.
Diziam que aos quarenta apareciam as cenas todas. Aqui foi aos 47! Pela positiva: foi mais tarde do que o expectável. Deixa-me feliz? não!
a mais nova é um poço de teimosia que roça a obsessão os obstáculos, se existem, contornam-se, partem-se, sei lá... e ela lá tem levado a s...