No fim de semana passado, fomos a Tomar.
Na feira de velharias comprei dois livros e na feira do livro que estava a decorrer comprei outro.
Os da feira do livro dos pobres já foram (lidos). Afirma Pereira e até amanhã, camaradas, do Ondjaki.
Que finalzinho gostoso tem o Afirma Pereira (satisfatório, como dizem ou diziam os putos - já nem sei se se usa, e eu quero manter a minha aura bem farmada); gosto muito do Ondjaki e este deixou-me com vontade de mergulhar na história de Angola, após a independência. É narrado por um adolescente, que vive em Luanda, onde já não há portugueses e se vive no rescaldo do golpe de estado de 27 de maio de 1977. O narrador conta-nos a sua vida com aquele tom de voz despreocupado e auto-centrado, típico de um adolescente, mais preocupado com a sua vida social. No entanto, ficamos a saber que todos são "camaradas", que na escola a maior parte dos professores são cubanos e todos têm medo dos ataques de um gangue de gregos que assalta escolas (de acordo com o google, um mito urbano da época).
Segue-se o que comprei na feira do livro a sério: A Montanha, do Peixoto.
Confesso que há alguns livros do Peixoto que não consegui terminar. O cemitério de pianos é um deles, e é um livro com um escrita fabulosa. É daqueles livros que está ali na estante, ainda com o marcador na página onde fiquei.
Tinha a Mr. uns meses quando o comecei, mas a meio, a eminência da morte do Francisco Lázaro, que ocorre mais ou menos ao mesmo tempo que o seu filho nasce em Portugal, começou a mexer demasiado comigo, que tinha as hormonas todas aos saltos, Para além disso, é um livro confuso, confuso de mais para um cérebro em pós-parto. De modos que estou aqui a olhar para a Montanha e a pensar quando é que lhe hei-de pegar.
O meu estado atual é muito semelhante ao do pós parto, ou nunca recuperei do dito e a prova é que tive de ir googlar montes de cenas sobre Angola, para compreender porque é que havia professores cubanos a dar aulas em Luanda ou porque é que todos se tratavam por camaradas.
Não sabia que no pós 25 de Abril a história de Angola passou por conflitos entre diferentes facções da esquerda. Ouvimos falar tanto em Savimbi e na guerra civil, mas éramos muito novos para perceber o que estava por trás da dita guerra. Na escola, a história de África é a história da colonização, pela voz dos colonizadores. Por isso é bom lermos autores africanos.
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