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sábado, 23 de abril de 2022

desmazelo (de deixar de zelar)

Escrever "lembro-me como se fosse hoje" não seria verdade, mas lembro-me bem de chegar a casa deles e vê-la, recém mamã, enfiada num par de velhas calças de fato de treino e uma sweat estragada, manchada de lixívia.


Sentámo-nos no sofá, com o bebé entre nós, e fomos pondo a conversa em dia. Eu estava muito longe de vir a ser mãe, acho até que ainda estava na faculdade, não sabia nada de nada.


Lembro-me de olhar para ela e pensar que nada justificava aquele desmazelo.


Lembro-me muitas vezes deles e dela especialmente. Como eu não sabia nada de nada.


Lembro-me muitas vezes dela, especialmente em dias como hoje, enfiada num par de calças de ioga e numa sweat da pantera cor de rosa. Ela tinha acabado de ser mãe. Eu não tenho "desculpa" parecida.


Talvez o modo covid, mas será que este justifica o desmazelo? 

quarta-feira, 20 de abril de 2022

para não esquecer (fugindo ao título para memória futura)

Ao décimo nono dia do mês de abril de 2022, dois anos e picos depois do início da pandemia, os adultos desta casa testaram positivo, com sintomas, ao Covid19.


Nessa noite, a nossa gata deu sinais de morte e deixou-nos de madrugada. 


A minha Pata. A nossa Pata. 


 


 


 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

é só negas!

Eu: pingo no nariz, dor de cabeça, umas vezes leve, outras mais chata, às vezes o corpo pesado, arrepios de frio... mas os testes feitos em casa continuam a dar negativo.


A mais nova: dores de barriga pela manhã, dores de garganta à noite... mas os testes feitos em casa continuam a dar negativo.


Ele: dores de cabeça, cansaço...mas os testes feitos em casa continuam a dar negativo.


Nunca chumbámos tanto, com a impressão contínua de que o professor se está a enganar na correção do teste. 


Amanhã vou levar o material para análise ao professor antigéneo, que ao contrário do que o nome indica, deve ser mais inteligente do que o outro.

domingo, 9 de janeiro de 2022

para memória futura (natal, 2021)

Este ano letivo terminámos as aulas a 22 de dezembro (por estarmos em semestres). No dia 23 fomos para o norte. Arrumámos malas e malotes, enchemos o carro e saímos.


Tivemos tempo para ir dar umas prenditas e por volta das seis da tarde já trocávamos os bs pelos vs.


O Natal foi passado na casa da avó paterna, com o costumeiro bacalhau cozido com batatas e o cabrito assado.


No dia 26 fizemos outro natal com os tios e a sobrinha. No dia seguinte, fomos em excursão a Braga, comer aquela que dizem ser a melhor francesinha. 


No dia 29 deixei marido e miúdas e rumei às beiras, com os meus pais. Li muito, dei umas voltas a pé, aqueci os pés à lareira. 


A sobrinha apareceu para passar a noite de 31 de dezembro para 1 de janeiro. No primeiro dia do novo ano apanhámos o comboio na estação de Belmonte e fomos até à Guarda. Este pedaço de linha, que esteve desativado durante uns anos valentes, voltou ao ativo no verão e vale a pena. 


Em casa, com a sobrinha, não houve tempo para aborrecimento.


As miúdas e o pai juntaram-se a nós no dia 2. Foi um regabofe de brincadeira entre primas.


Passámos a semana de contenção de contactos por lá. Demos um salto à serra.


Entre trabalhos de casa que não tinham sido feitos, jogos e brincadeiras, delas, trabalhos de formação meus, passou-se a semana. 


Amanhã regressamos à escola e, pela sondagem que fiz, está tudo sem vontade. 


Deve ser desta porcaria de momento em que vivemos, cheio de virus e medidas de contenção. 


Vamos esperar que, entretanto, o tempo nos dê algum ânimo. 

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

sempre a andar

Estamos em casa, em modo E@D (porque daqui a uns anos não me vou lembrar: dois colegas testaram positivo para Covid e a turma veio toda para casa no mesmo dia). A mesa da sala é um mundo onde se misturam as cenas dela e as minhas, às quais se vieram juntar as prendas para embrulhar.


O calendário segue, com os percalços do costume.


O que já fizemos, desde a última atualização? nem sei.... um jantar à luz das velas e pouco mais. É a vida a acontecer. 


Hoje é dia de comer o nosso chocolate preferido, amanhã de jogar uno.


Siga. 

sábado, 27 de novembro de 2021

Notas

A mais velha conseguiu a proeza de ficar em isolamento provisório duas vezes no mesmo mês,  uma vez à conta dela, desta vez à conta de um caso positivo na turma. 


O pai esteve em casa quatro dias, à conta dele e de uma rinite marada que lhe deu metade dos sintomas do covid


Eu e a Guiomar vamo-nos safando, pelos pingos da chuva.


Estamos, a partir da próxima semana, em estado de calamidade. Vamos ver o que os próximos dias nos trazem para além do expectável. 


Beijinhos a todos. 


 

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

no mundo covidiano

Dor de garganta, dor de cabeça, nariz entupido e muito lenço espalhado pela casa. Tosse, tosse.


Ao fim de quatro dias, os dois últimos marcados pela tosse, liga-se para a Saúde24, só naquela, por descargo de consciência, que isto não passa de uma constipação, fruto deste tempo marado.


Saúde24 manda ficar em casa (ontem) e, nos minutos seguintes, envia declaração de isolamento provisório e "receita" para teste covid. 


Nós abananados, ficámos com uma filha em isolamento provisório. 


 - Mas... mas... que foi isto?


Entretanto, há que salientar a forma eficaz como tudo se sucedeu.


O teste fez-se hoje de manhã, o resultado, negativo, já chegou e agora aguardamos o contacto para liberação. 


Foi a nossa primeira experiência covidiana. Não venham mais, está bem?

domingo, 27 de junho de 2021

Notas soltas

Duas vacinas (as que explodem coágulos).


Um teste (o primeiro até agora), com resultado negativo (mau era!).


Uma  filha de férias, em estado histérico. A outra ainda a frequentar a escola, num outro tipo de histeria.


 

terça-feira, 22 de junho de 2021

podemos?

Podemos apagar do dicionário surto, vaga, testagem?


Podemos cingir-nos ao plano nacional de saúde e às vacinas que tomamos há anos, sem medo de coágulos?


Podemos respirar o mesmo ar sem medo e tocar nas mesmas coisas?


Podemos?


 

sexta-feira, 30 de abril de 2021

uma piadita

Tenho uma piada (piadita) em relação a esta fase da pandemia.... ao descofinamento...


cá vai: espero que não seja ejaculação precoce....

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Como?

Fala-se no desconfinamento, mas com um colega internado em estado grave, com turmas em casa, com a pré-primária fechada... como pensar, como falar em desconfinar?


 

sexta-feira, 16 de abril de 2021

para memória futura

Conta, Gabs, como têm sido os vossos dias, nestes tempos covidianos.


Não há muito que contar. Vamos trabalhar, voltamos para casa, vamos ao supermercado, onde gastamos o ordenado, nisso e em gasóleo, afinal, andamos sempre de um lado para o outro, numa de ir levar e buscar filhas, para além das viagens para o intestino delgado e seus (interstícios) de judas.


Esperamos que o descofinamento prossiga, sempre à espera que retroceda, à medida que os casos de covid voltam a aumentar e mantemo-nos por casa, execto nos fins de semana, ao domingo à tarde, quando vamos meter umas bolas nos cestos de basquete do novo espaço da vila.


As miúdas crescem, não gostam de comer nada do que vai à mesa à hora de almoço e jantar, mas entretanto comem tudo o que houver à vista (bolachas, pão, queijo, fiambre, cenouras, maçãs, ovos de chocolate que andam perdidos mas elas encontram, frutos secos). Crescem e a roupa deixa de servir porque não cabe ou porque não gostam (não gostam de nada, agora, pôrra!)


Entretanto, à conta desta constante expetativa do abre, não abre, podemos sair, não podemos sair, ainda não marquei cabeleireiro para nenhuma delas. E o cabelo delas bem precisa. Não compro roupa, nem online porque não acerto nos tamanhos, nem presencialmente que ainda se mantém tudo fechado.


Não é tudo uma merda, é verdade, mas lá que estamos cansados, estamos. Essencialmente porque não vemos um fim à vista e quando não vemos o fim à vista a modos que vamos perdendo esperança. 


 


 


 

segunda-feira, 29 de março de 2021

vacina (parte 2) - para memória futura

Então, foi bom tomar a vacina?


Tão bom como ser atropelada por um camião ou como apanhar uma tareia de um louco furioso.


O fim de semana foi doloroso. No sábado à tarde começou a moleza e uma certa dor de cabeça, à noite dores no corpo todo, mais dores de cabeça, que se prolongaram pelo domingo. Muita fadiga.


Hoje, segunda-feira à tarde, ainda sinto dores de cabeça e dores nas costas. Maravilha! 


 

vacina

Estava tão focada nos efeitos marados da vacina, naqueles que incluem a morte, que só quando a Lis disse que ia também ser vacinada brevemente e que até parecia mentira é que parei para pensar no significado de ter tomado a primeira dose. 


Tomei a primeira dose de um vacina que me vai tornar mais ou menos imune (setenta e tal por cento, segundo estudos americanos) ao vírus que vem parando o mundo desde finais de 2019.


Em junho, quando tomar a segunda dose, poderei deixar o medo de infetar alguém um bocado de lado, o medo de ser infetada também. Fixe, fixe é que toda a gente fosse entretanto também vacinada.


Que o ato de sair à rua voltasse um bocado ao normal, pré 2020, aquele sair à rua despreocupado, aquele estar próximo despreocupado, aquele abraço despreocupado, aquele sentar numa mesa livre de "deixa-me desinfetar isto antes".


Isso é que era fixe! 


 


 

sexta-feira, 26 de março de 2021

para memória futura

Amanhã levo a primeira dose de vacina para o SARS-CoV, da AstraZeneca.  (versão editada, achava eu que era da Pfizer, era o meu subsconsciente a brincar comigo)


Que sera sera


whatever will be will be


the future is not ours to see

sábado, 13 de março de 2021

ontem e hoje

Há um ano, confinava. Mesmo a tempo de comprar a prenda de anos da Gr.


Há um ano, fechava tudo e os arco-íris faziam parelha com o covid, dois vírus a dar-me cabo do sistema nervoso.


Há um ano disse: para o ano já vais ter festa de anos, vais ver.


Agora, neste março de 2021, eles continuam confinados, mas eu volto à vida. 


Não há festa de anos com amigos, os arco-íris foram à vida e lá vou eu voltar às máscaras e ao gel. 


Eles em casa, eu no carro, nas viagens diárias para o intestino delgado de judas.


 

quinta-feira, 4 de março de 2021

puft.... foi-se!

Deve haver uma forma de desligar o cérebro, sem desligar... para dormir... dormir a sério, sem estar a corrigir PDFs, a procurar materiais, a fazer planos semanais durante o sono, que não é, portanto, sono. 


Estico-me no sofá e o cansaço quebra-me o corpo e a mente.


Chego à cama e há um interruptor que se acende! puft, vai-se o sono, e quando chega... é aquela porcaria de continuar a trabalhar... sempre podia ser produtivo e acontecer que aquilo que fizesse a dormir aparecesse feito lá nos meus trabalhos.... mas não....


Há semanas que não durmo a sério... 


Já não sei falar e a paciência anda pelas ruas da amargura. Já estou por tudo. Deixem-me em paz. 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

conversar com

Nos dias que correm, não tenho telemóvel...


a mais nova, assim que acaba as sessões síncronas, recebe chamadas no whatsapp ou faz ela chamadas e está tempos infinitos a falar com as amigas


vou conseguindo ver se recebi chamadas ou mensagens nos intervalos destas interações


à noite, após o jantar, quando os telemóveis lhes estão vedados, só quero estar sentada no sofá, com elas ou entregue a um livro


acho que essa é uma das razões porque este "fique em casa" está mais difícil, falta-me a conversa que fui tendo no ano passado


 

Notas soltas

Levantar


pequeno-almoço


camas


roupa para apanhar e para estender


computador


almoço


arrumar cozinha


computador


vontade de mexer o corpo é igual a zero


tenho de olhar para o calendário várias vezes por dia para saber que dia é


só percebi que na terça era carnaval quando alguém disse amanhã é dia de carnaval


os dias passam todos iguais


os kilos devem andar a fazer uma festa aqui no meu corpo, que eu bem sinto


podia vir um bocadito mais de sol


este coiso de ficar em casa está mais difícil e chata do que o outro de há um ano


parece que o tempo não passa e olha, já passaram quase 365 dias


 

sábado, 13 de fevereiro de 2021

ensino à distância 2.0

Sobrevivemos à primeira semana de escola em casa.


Quatro salas de aulas online, três espaços de trabalho, três computadores alternando com telemóveis sempre que necessário, manuais da mais nova, que é uma desorganizada, espalhados por todos os cantos, mas chegamos à sexta-feira à noite e tenho todos os planos de trabalho mais materiais agendados.


Está mais fácil por uma lado, mas mais difícil por outro. Mais fácil porque a máquina está mais ou menos oleada, não me preocupo com o que o super colega de trabalho faz (os vídeos, as apresentações, os googleforms e o c@r@.... ), faço o que posso, com o tempo que posso e seja o que for. Apanhei uma turma que no ano passado foi do super colega e, ao contrário do que pensava, os miúdos não sabem nada, nem falar, nem escrever o básico. Portanto é assumir que nem ando a fazer um trabalho mau. Há sempre vinho às refeições e um episódio de uma série qualquer para me levar bem disposta (relativamente) para a cama.


Por outro, mais difícil porque estamos cansados, porque chove e está frio, porque o céu cinzento é deprimente. Porque não podemos estar com ninguém excetuando nós os quatro, todos os dias, mais uma vez. Porque não vemos o fim à vista.


Num destes jantares comparei estes dois confinamentos a um parto de uma criança, à forma como uma mãe lida com a primeira vez que dá à luz, e depois como lida com a segunda vez. No primeiro confinamento não sabíamos o que nos esperava, tal como uma mãe que nunca pariu. Vai-se mais ou menos na boa, na expetativa de que vai correr bem, por isso ainda acreditávamos nos arco-íris. No segundo filho sabemos ao que vamos, já não há arco-íris para ninguém. Queremos é que acabe e pronto, mas esta merda nunca mais acaba e quando é que o bebé nasce, pôrra, tirem-no daqui, depressa, acabem logo com isto, dasse! 


 

um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...