No fim das férias grandes, demos um salto ao Porto. Num início de tarde cinzento, apanhámos um comboio em Cête e saímos em São Bento.
Levámos logo com uma chapada de gente, gente e mais gente, em todas as direções e em todas as línguas.
O destino era a zona da Ribeira. As miúdas não conheciam e eu há muito tempo que não dava por lá umas voltas. Descemos por uma das ruas que não estava em obras. Eu desejosa de um café e uma das miúdas de uma casa de banho.
Procurei um café "normal", mas só via cafés de turistas. Não queria um desses por várias razões, entre elas o preço que iria pagar pelo café. A meio da rua encontrei um, com ar de café autóctone e entrámos.
Ao balcão, perguntei onde era a casa de banho para a miúda ir e pedi um café. O dono, mal encarado, perguntou se só íamos consumir um café, porque assim só uma pessoa é que podia usar a casa de banho. Fiquei ali um bocado embasbacada e disse à miúda para se despachar, vai lá enquanto bebo o café.
Mas, segundos depois, mando-a vir para trás. Esquece lá, vamos embora, aqui não bebo café, o senhor pode ir ser mal criado e estúpido com outras pessoas. Saímos ao som de "vão lá embora, procurar uma casa de banho pública" e outros mimos que tal. Acabei por tomar o meu café num misto de mercearia, atendida por uma menina francesa, que não só me serviu um café com um chocolate ao lado, como foi simpática e ainda deixou usar o WC sem resmungos e sem qualquer tipo de má educação.
Desci o resto da rua com umas ganas! Arre, que homem estúpido! O único café numa rua de turistas e de "franchises" que ainda se aguenta trata assim as pessoas...
No regresso, subimos por outra rua, mas a minha vontade era subir a mesma, entrar na merda daquele café e dizer ao senhor que graças à forma estúpida como fomos tratadas, podendo lanchar ali e dar-lhe dinheiro a ganhar, ia lanchar a outro lado onde tratem bem as pessoas, especialmente as que ainda procuram os cafés de bairro e esperam o minímo de bom atendimento.
Imagina a minha vontade de ir para essa zona - que era das minhas favoritas.
ResponderEliminarSinto-me em terra de ninguém...