Perguntaram-me assim: "tu tens assim um blog de maternidade?"
Não me incomoda o epíteto, veio de um miúdo que provavelmente leu um ou dois posts e ficou com essa impressão, mas deixou-me a pensar sobre que outras impressões podem os meus posts suscitar. Mentiria de dissesse que não me incomoda minimamente.
Outra pergunta que me deixou a pensar: "já fechaste a fábrica? só com duas filhas?!", estando eu a sofrer os incómodos de uma infeção urinária, entre eles enjoos, o que leva sempre à piada da gravidez.
Tomámos a decisão de o fazer por muitas razões. A principal foi (eu ia escrever "saber", mas a palavra mais acertada é "sentir") sentir que, nas circunstâncias em que vivemos, é difícil criar e educar filhos com qualidade de vida.
Quando eu escrevo qualidade de vida, não estou a pensar exclusivamente em ter dinheiro para lhes dar tudo o que necessitam.
Falo de algo mais importante: ter tempo disponível para elas. Não ter de trabalhar o dia todo para no final do mês pagar as contas.
Ter tempo para ver as miúdas crescerem em vez de estarmos preocupados com a sobrevivência.
Sentimos, perante a qualidade de vida sempre a diminuir, que duas filhas seria o ideal, não por nós, mas por elas e para elas.
Apesar de eu ter na altura 34, apesar de muita coisa poder acontecer, para mim ter filhos não é só uma questão de "querer", mas também de "poder".