Pai: "o que vai ser o jantar?"
Mãe: "pizza."
Gr. "Pizza? vai ser pizza? Eu não queria zebra assada nem cavalo assado."
Nem sei que diga. Zebra e cavalo não fazem de certeza parte da ementa.
Pai: "o que vai ser o jantar?"
Mãe: "pizza."
Gr. "Pizza? vai ser pizza? Eu não queria zebra assada nem cavalo assado."
Nem sei que diga. Zebra e cavalo não fazem de certeza parte da ementa.
Frases que a Mr. adora escrever:
- O pai é totó.
- A mãe é pateta.
Cada vez estou mais convencida de que parte do insucesso escolar é resultado da desarticulação de métodos de trabalho entre os professores dos diferentes ciclos.
É ou não é uma reflexão excelente para "chapar" na prova de avaliação de docentes? Tem direitos de autor e são meus.
Comecei este ano letivo com esperança de que as coisas fossem correr melhor, com atitude diferente perante os miúdos, o que até agora tem resultado. No entanto, já estão a vir à tona os problemas de sempre. Agora, começo a pensar se os problemas não estarão nos meus métodos, mais adequados a alunos mais velhos.
Os miúdos não conseguem estar calados um minuto, exercícios numa folha sem desenhos são encarados como fichas de avaliação, não conseguem encarar o momento da correção de um trabalho como um momento de turma, em que se faz uma correção geral e, cada um no seu lugar, corrige o que fez de errado, têm necessidade de se levantar para mostrar o que fizeram, embora eu insista de vou de lugar em lugar confirmar, precisam de ver um "certo" desenhado no que fizeram bem, há os que pedem licença para afiar lápis, apanhar coisas que cairam, assoar o nariz etc, enquanto um colega fala ou mesmo a professora...
E o problema sou eu, que insisto em manter as mesmas abordagens.
No grupo de teatro lá da terra faço de prostituta (e vidente).
No teatro da escolinha da Gr. faço de menino jeus.
O universo a tentar passar-me uma mensagem. Só não percebi qual.
Têm vindo parar aqui ao tasco pessoas que buscam blogs de putas ou blogs putas. Lamento o defraudar das expetativas.
As expetativas são lixadas, elas e a perspetiva.
"Vamos brincar às professoras."
Passa-me um computador de brincar estragado: "este é o teu migalhães." (delicioso)
Vai para junto do quadro de brincar e começa a aula.
"Vamos desenhar formas. Abram o migalhães. Vamos fazer um diagrama de vénerus com formas. Então é assim: aqui ficam as que não rebolam."
Faz um quadrado e um triângulo.
"Deste lado, as que rebolam". Faz um circulo e um cone (de gelado).
"No centro as que rebolam e as que não rebolam. Vá. Já está?"
Agora vamos escrever: "o pai é o Didi."
Vou deixar que seja a Mr. a fazer a prova de avaliação dos docentes na minha vez.
Já sei que não gostas de mim.
Tu não gostas de mim.
Tu gostas é da gr.
A Mr. vive o complexo de édipo rejeitando a ideia de que a mãe gosta dela. Não idolotra o pai acima de tudo, põe na mãe as culpas de tudo.
E, sabendo que faz parte, fazendo de conta que as frases me voam por cima da cabeça como um pardalito assustado, às vezes cansa.
Não sei para que me serve o feicebuque.
Vejo fotografias, leio frases bonitas, descubro receitas que alguém experimentou, partilho algumas coisas que acho giras ou informativas... mas não sei que faz verdadeiramente a X., não sei como se sente a Y., não sei por onde anda o Z.
Não sei para que o conservo.
Não voltarás a ver programas da manhã.
Agora, vai limpar as lágrimas e assoar o nariz.
Logo, quando as miúdas chegarem, estrafega-as de mimo e pronto.
Vá, vai à tua vida.
Ah, desliga lá a televisão.
Já não é a primeira vez que me acontece. Quando não tenho nada, mas mesmo nada para fazer, pinto as unhas ou peço que mas pintem.
Ontem, perante uma tarde meia aborrecida e uma vintena de vernizes para unhas, lá me veio a vontade. Primeiro, pintam-se as unhas todas com cores diferentes, depois leva-se a amostra ao marido para que ele dê a sua opinião.
O marido optou pelo rosa discreto. A esposa pensou que já que era para pintar, que se notasse de facto que as unhas estavam pintadas, a grande distância.
Assim, dou por mim com unhas verdes.
Foi um fim de semana calmo. Na sexta rumámos a Belmonte para abraçar o paterfamilias. No sábado, de Belmonte partimos para Baltar, para dar abraço à avósinha. No domingo, de unhacas verdes, regressámos à batalha.
O meu pai faz anos hoje.
Deixei de querer saber quantos.
Esqueci o ano em que nasceu.
Atropelo-me nas palavras para deixar aqui o registo de quanto o amo e de quanto preciso dele, dos seus silêncios inquisitivos e dos inquéritos insistentes para saber de mim e dos meus daqui.
O meu pai faz anos hoje.
As mães que têm jantares feitos pelas sogras ou mães, pelas tias, pelas empregadas, pelas amigas sem filhos, são muito melhores mães.
Chegam a casa e só têm de se preocupar com TPCs que estejam por fazer e com que jogo vão jogar para estimular a criatividade e sentido de partilha.
Ontem, foi assim. E foi bom.
Já agora, o jantar, oferececido pelos amigos, também.
É muito bom ter amigos.
O excitante que é (podia usar outra palavra, mas esta é que corresponde à realidade, porque é mesmo excitante) ver a Mr. a escrever coisas!
Não a copiar do livro ou do caderno! A escrever!
Dizer: escreve aí "o pai papou a lua." E ela escrever e partir-se a rir por perceber que escreveu um "disparate", que mais tarde pode ser poesia.
Tão bom!
Há uns dias, a minha professora/instrutora de barre terre olhava-me nos olhos (somos da mesmo altura) e dizia-me no seu sotaque russo: tu és muito explosiva, não és... a propósito do que escrevo e como escrevo.
Eu não sou nada explosiva. Sou mais o contrário: impludo. E as implusões só são boas para quem está cá fora, que não leva com os destroços. Eles ficam todos cá dentro.
Depois, vou colecionando implusões atrás de implusões e, não sei porquê, acho que o facto de cirandar pela casa com ar furibundo e extremamente atarefado vai dar a conhecer às pessoas os destroços todos que andam aqui a boiar.
Cirando, cirando e nada acontece.
Há dias em que anseio por uma garrafa de vinho que me ponho tudo cá para fora, à medida que o vinho entra, mas ponho-me a pensar na ressaca e desisto.
Outros, em que me meto na cama e durmo agarrada às minhas filhas.
Outros em que decido que já chega e expludo com quem de direito. Hoje será o dia.
Não tentes desconstruir os meus sentimentos com as tuas racionalizações. Os meus sentimentos não são desconstruíveis, eu sinto-os e os sentimentos que sentimos não podem ser desmantelados.
Os meus sentimentos são só alteráveis.
Altera-os, por favor.
Daqui: http://vozromazeira.blogspot.pt/
5.11.13
Quando leres um poema que te leve a fechar os olhos,
joga ao faz de conta:
estás a ver a casa
ela vai indo atrás das palavras
cada vez mais pequena
quase chão
só vês as janelas.
O poema é a nossa casa.
Faz ainda de conta:
chega o dia de ir embora
o silêncio vai abrindo as janelas
uma a uma vais vendo as palavras
abelhas cheias de mel.
É a nossa casa. Fica mais um bocadinho.
Colmeal da Torre, 4/Novembro/2013
(a pensar nos filhos e netos)
a minha heroína.
Será este o meu hino, a minha canção de vitória, enquanto acalmo birras e limpo rabos.
A minha casa não é um estendal, nem uma montanha de roupa interior de criança espalhada, nem um conjunto de brinquedos fora do sítio, nos locais mais estranhos, nem botas e sapatilhas metidas na máquina da roupa, nem casacos do pai perdidos pelas costas das cadeiras.
Não.
A minha casa é a prova viva de que é habitada por seres excecionais, seres humanos, que durante o pouco tempo em que lá estão, estão é preocupados com o bem estar da mãe/esposa, que tem de ter o dia ocupado a apanhar e arrumar tudo.
Na sexta passada, dia que seria feriado estivéssemos nós em 2012, o marido entra em casa com um saco do supermercado que só aceita multibanco a partir de vinte euros. Enigmático, disse-me que iria fazer uma sobremesa especial. Achei estranho. O marido e a cozinha só se encontram em blind dates, rapidinhas para tirar café ou pôr o guardanapo que falta (já sei que vou apanhar porrada por causa desta afirmação).
Depois de jantarmos, mandou as mulheres para fora da cozinha (esposa e filhas) e por lá ficou.
Passados uns minutos, umas unhacas negras abriram uma nesga da porta da sala, em jeito de convite. As miúdas saltaram logo do sofá, agarraram-se a mim. Rindo-me, para incentivar as miúdas, levantei-me e fui-me dirigindo para a cozinha: "ui meninas, que susto que o pai pregou! qual será a sobremesa deliciosa que vamos comer?"
Em cima da mesa da cozinha estavam quatro pratos. Cada um tinha um donuts vampiro e meia banana fantasma.
A Gr. fugiu para o escritório e até hoje diz que não quer sobremesa assustadora, quando lhe perguntamos o que quer de sobremesa. A Mr. lambeu o chocolate das bananas e disse que estava muito giro.
Apreciei imenso o esforço do pai, mas já lhe disse que da próxima vez eu trato da sobremesa e ele põe a mesa.
Chupa, chupa, chupa, chupa, chupa.....
Ontem, a Gr. a reunir os chupa-chupas todos que recebeu na corrida ao "bolinho". Fez um belo ramalhete, colorido e doce. Depois, foi o bom e bonito para conseguir que não comessem porcarias o dia inteiro.
O que faço aos doces todos que tenho em casa, fruto da nossa ida ao "bolinho" de hoje e de ninguém ter vindo a nossa casa?
O que faço quando a TPM transforma tudo numa merda insuportável?
Não, não me vou pôr a comer o que me aparece à frente.
Mas gostava, a sério que gostava, de saber como controlar este carrocel emocional, negativo, horrível, em que me transformo por estes dias.
Aprender a estar. Só a estar.
A estar com elas, sem querer estar noutro lado.
A estar comigo e com elas.
Tão difícil.
Ontem, no gabinete da escola onde dou aulas, discutiam-se questões ligadas à gestão de intervalos dos putos, por causa das horas que trabalhamos e das que efetivamente recebemos. A verdade é que, apesar de estarmos com um contrato com o agrupamento, só recebemos as horas do horário e mais 4 no final de cada período, para não termos forma de recusar ir às reuniões de avaliação. Não recebemos nas pausas letivas e não teremos direito a subsídio de férias, em duodécimos ou por inteiro.
Posto isto, a coordenadora fazia contas ao que eu vou receber no final do mês e admirava-se com o facto de eu, mesmo assim, ter aceitado o horário.
Chega uma das professoras, daquelas mais velhas e que olha para mim como se eu fosse uma fedelha e, ao saber que nós os técnicos de AECs recebemos cerca de 10euros por hora, diz às colegas, como se eu não estivesse presente: tu já fizeste as contas ao que ganhas? não te pagam de certeza isso por hora.
Eu peguei na minha mochila e saí.
Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...