sexta-feira, 30 de setembro de 2016

calor (eu gosto)

Tenho sentido calor (agora, a titi eleva as mãos e foge assustada, porque se eu sinto calor, é o fim do mundo em cuecas!)


Deve ser de andar de sapatilhas. Acresce o facto de as janelas da escola serem muiiiitooo grandes. O sol bate o dia todo. E como não têm grades, não se podem abrir (não vá algum puto querer fazer pára-quedismo* sem pára-quedas*). As salas são uma sauninha jeitosa.


 


Não me queixo, por mim vivia num país tropical o ano inteiro. Tem todas as vantagens, este calor. A começar pela quantidade de roupa que não temos de vestir, logo de lavar, logo de arrumar.


 


** como eu detesto o acordo ortográfico, detesto, detesto, grafia estúpida!

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Gr.

Ela achava que a fada do dentes pagava antes de receber a mercadoria e já queria a moeda debaixo da almofada, só por ter o dente a abanar.

crónica dos tomates e da avó

No fim da primeira semana de aulas, aquela avó foi falar com o M., na qualidade de encarregada de educação, levando consigo uns tomates e uns ovitos.


O M. aceitou, com muitos protestos e agradecimentos, envergonhado e sem saber bem que postura adotar. É que já não é comum, isto de pais e avós levarem aos professores bens comestíveis, pelo menos nas terras por onde tenho andado.


Nessa noite fizemos logo uma salada de tomate. Oh delícia de tomates. Acabaram-se num instante. Pedi ao M. que descobrisse onde ficava a "quinta" da senhora para ir lá comprar tomates. Gostamos de tomates, daqueles bem doces e sumarentos, que fazem molho no fim, onde podemos mergulhar uma fatia de pão. Os tomates da senhora, salvo seja, eram assim.


Passados uns dias, a senhora foi avistada e o M. comunicou-lhe a nossa vontade de lhe comprar alguns bens, que a "minha esposa ficou maluca com os seus tomates". A senhora, entusiasmadíssima, lá concordou, depois de muita discussão, em vender ao professor marco uns tomatitos e uns ovos. "eu antes preferia que o professor lá na escola pagasse um sumo ao meu rapaz." "eu pago-lhe os tomates e a senhora dá ao seu rapaz o dinheiro." "sr. professor deixe la eu dar os tomates." "assim não quero, se não me deixar pagar não quero" "está bem, está bem."


 


Ontem, chego a casa e em cima da mesa estava uma bacia de tomates, um balde de ovos e uma saco cheio de cebolas e a bacia dos tomates foi oferta da casa "para a sua senhora se lembrar de mim". E não é que me vou lembrar?


 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

post desconchavado escrito com duas miúdas à perna

Por esta altura, no 1º ano, já a Mr. andava a desenhar as vogais e a escrever os números, por extenso e tudo.


Trazia imensos trabalhos e demorava séculos a terminar.


No quarto ano, está tudo igual. Mudou a matéria.


 


A Gr. traz pequenos exercícios para treino da lateralidade e outros conceitos e aprendeu o i. Despacha tudo num instante.


 


Sem fazer fazer julgamentos, porque não adivinho o futuro, mas sabendo que para Mr. a coisa não funcionou muito bem, espero que a experiência do 1º ciclo seja mais positiva para a mais nova do que está a ser para a mais velha.


 

Estradas

A estrada que faço para uma das escolas parece uma pista de ski preta. Já me estou a imaginar no inverno.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

fotografia de segunda-feira

Se houvesse fotografia, seria da Mr. enfiada na cama, tapada até aos olhos, numa ladainha em tom crescente tenho sono, tenho sono tenho sono e a Gr. agarrada ao pescoço dos pais noutra ladainha não quero ir para a escola não quero ir para a escola não quero ir para a escola...

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

D. Olga, parte II

A D.Olga já não trabalha na escola da Mr, mas esta semana deu lá um saltinho para ver os seus meninos e a Mr, para quem trouxe da sua Ucrânia natal mais um saco de "cheetos" doces, meio kilo de almofadas de milho. Meio kilo!


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para registo

As minhas filhas andam em lua de mel. Brincam horas sem se arrepelarem, trocam abraços e brinquedos, fazem um jogo de faz de conta recheado de aventuras. Trocam piadas e berlindes, de bicicleta e de bocadinhos de maçã ou tostas com manteiga.


 


 


 

madeira

O M. fez anos na terça feira.


A prenda que lhe demos foi uma viagem ao Funchal no carnaval. Ele sempre desejou (muito secretamente, claro) ver o Sr. Alberto João Jardim desfilar em trajes menores.


Havia alguém da Madeira que lia as baboseiras que escrevo. Será que ainda anda por cá?

chama-se crescer

Quando eu era pequenina (leia-se sem filhos), o meu frigorífico tinha ímans giros, maioritariamente de sítios que os meus amigos visitam.


Agora, tenho ímans, os mesmos e mais alguns para segurarem todos os papéis que vêm das escolas das miúdas e que temos de ter sempre presentes, mais os nossos. A porta do frigorífico mal se vê e os ímans idem aspas.


 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Respira

As aulas estão alinhavadas. Dentro do possível, com crianças que não sabem nada e outras que sabem. Respira, que hoje podes. Respira fundo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

vou levar cadeados!

Eu também posso fechar escolas!


Posso fechar a escola da Gr.


Onde já se viu ela ser incluída numa turma com meninos do 2º ano?? É inadmissível!


Posso fechar todas as escolas onde vou dar aulas.


Onde já se viu porem-me, como professora, a dar aulas a turmas com dois anos diferentes? É inadmissível!

Saldo

Os dois primeiros dias de escola correram bem.


A Gr. veio contente, ainda sem perceber muito bem o que anda a fazer na escola nova. Nem nós conseguimos. Não somos capazes de lhe arrancar nada. Ou porque já se esqueceu ou porque não sem lembra.


A Mr. trouxe logo trabalhos de escola. Há que manter a tradição.


No fim de semana, fomos levar a Gr. a um treino de patinagem artística. Por sugestão da psicóloga que a avaliou antes da entrada no 1º ciclo e das educadoras, convinha que ela frequentasse uma atividade desportiva que incluisse trabalho de equipa. Futebol e desportos de bola não têm nada a ver com a miúda e alguém se lembrou da patinagem. Ela gostou, especialmente das capas cor de rosa vivo que cobriam os patins e lá andou, satisfeita.


A Mr. não quer continuar na natação, com grande pena nossa. Vamos satisfazer um pedido que já tem anos: a dança.


 


A mãe foi a uma das escolas que lhe calharam na rifa e já conheceu duas turmas. A mãe confessa que já sentia saudades de dar aulas aos mais putos. A mãe confessa também que já passou a tpm (cabra!).


Vamos ver como corre hoje, na outra escola onde a colega gentilmente me mandou à minha vida.


 


 


 

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

hás- de perdoar-me

Hás-de perdoar-me esta lamechiche, eu que nem sou dada a lamechiches, exceto as que me acometem em plena TPM ou depois de três ou quatro copos de tinto bem cheios.


Hás-de perdoar-me o ter vindo para casa em lágrimas, o eu descer as escadas já com lágrimas a descerem pela cara e sem óculos de sol, caramba.


Hás-de perdoar-me, porque, sabes, estou em plena TPM (não, não bebi 3 ou 4 copos de tinto) e o que os olhos nâo veem, o coração não sente e tu não viste. Eu saí do corredor da tua sala e só depois é que as putas das lágrimas começaram a correr e eu sem óculos de sol, caramba!


 


Foi muita confusão para mim, também não vou muito à bola com confusão, sabes... ter de me despedir de ti no corredor, e mandar-te entrar na sala, depois ficar ali a ver os pais que teimavam em ficar por ali, enquanto ias para o lugar, ver-te com o olhar perdido, ouvir os berros do menino com grandes necessidades educativas ao colo da mãe, ouvir a funcionária "os pais têm de ir embora, os pais têm de ir embora!" e olha, fui embora. Hás-de perdoar-me o estar aqui a desejar que cheguem depresssa, muito depressa as quatro, para te ir buscar.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Esta 'e uma daquelas noites

Que eu imaginei calma e doce e as gajas estão a boicotar-me tudo. Tudo normal, portanto.

sou muito obediente, é o que eu sou (e parva também)

Altas instâncias deram-me indicações para ir, hoje de manhã, à escola onde terei aulas às quartas de manhã. Hoje é dia de


rece(p)ção aos pais e encarregados de educação -  "Ficas a conhecer as titulares, o espaço, os pais e os miúdos." Eu fui.


Cheguei um bocadinho antes da hora marcada, já adivinhava o que se seguiu:


 - entrei, só estava, ainda, uma das colegas.


 - Apresentei-me à colega e à única funcionária.


 - Fiz algumas perguntas pequeninas de resposta rápida.


 - Começaram a entrar pais na sala.


 - A colega, gentilmente, apontou a sala vazia mesmo ao lado.


  - Na sala vazia, fiz mais uma pergunta de resposta rápida.


 - Na sala vazia, enquanto a outra se ia enchendo de pais, a colega, gentilmente, apontou-me a porta da rua.


 - Eu saí.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Bloqueei. Posso?

Provavelmente, daqui a uns dois mesitos estarei a rir-me do estado em que me encontro agora: estou completamente bloqueada! Não consigo planear uma só aula, nem uma! Tudo porque este ano vou ter grupos de dois anos diferentes na mesma sala, com dois manuais diferentes e eu não sei trabalhar assim, nunca trabalhei assim e NÂO quero trabalhar assim.


Eu sei lá como vou fazer!


Por isso, em vez de estar a olhar para os manuais e seus acessórios (tanto acessório, caramba) já organizei os materiais todos das miúdas, já estendi roupa, já guardei roupa, já li metade da blogosfera, já fiz tudo menos aquilo que realmente preciso de fazer: planear aulas!

É que uma pessoa fica logo mais confiante nas aprendizagens que os nossos filhos irão fazer!

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domingo, 11 de setembro de 2016

não quero

entrar neste esquema de viver para os fins de semana.


Soluções procuram-se.


(que não metam excesso de alcool) por falar nisso, vou já pôr a garrafa que comprei no congelador

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

asterisco "A caixa da fantasia"

Uns meses antes do aniversário da Mr. decidimos que não íamos oferecer-lhe brinquedos nem livros, nem roupa. De brinquedos estou farta até à ponta dos cabelos, livros há muitos que ela ainda não lê e mais ainda na biblioteca municipal e de roupa também estamos servidos.


 


Optámos por oferecer "A caixa da fantasia". Comecei a percorrer as lojas de acessórios e as lojas dos chineses um mês antes e fui colecionando cabeleiras, estolas, tutus, gravatas, tiaras cheias de brilhantes e coisas com as quais ela se pudesse disfarçar, dar espetáculos, eu sei lá.


Comprámos uma caixa e metemos tudo lá dentro. Foi a nossa prenda de anos.


Agora, todos os dias, assim que chegam a casa, temos bailarinas, princesas cabeludas e até anjos (comprámos umas asas na Tiger) a deslizar pela casa, em brincadeiras mais ou menos malucas, mais ou menos silenciosas, mas sempre contribuidoras do caos.


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não temos televisão

Já não sei exatamente quando foi, creio que terá sido mais ou menos umas duas semanas depois das aulas dela (Mr.) terem acabado. Eu andava há uns dias a passar-me (mas tu não fazes mais nada se não passares-te?) com a preguiça da miúda e com a necessidade de estar sempre em modo televisão.


Ventilei com o pai, que não vai de meias medidas e leva a televisão para a garagem.


Estamos sem o aparelho (para não repetir televisão) desde essa altura.


Às vezes, faz falta. Na maior parte dos casos, não faz.


Elas chegam a casa e inventam brincadeiras com os milhentos brinquedos que andam para aí espalhados e com o conteúdo da "Caixa da fantasia". (asterisco)


 


Quando é preciso mesmo mantê-las entretidas com alguma coisa que as mantenha no mesmo sítio (a sala) recorremos ao youtube e aos vídeos dos "gatinhos engraçados".


 


Não sentimos a falta da televisão e acho que elas andam mais criativas nas brincadeiras.


 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

guiomarês

A mais velha queixava-se de que o meu telemóvel não tem jogos. "Tinhas um, de caixas que tinhamos de empilhar (não me lembro se ela disse mesmo empilhar, vamos fazer de conta que sim, o que faz desta minha filha uma filha mais desenvolvida). Porque é que agora já não tens?"


 


Respondo-lhe que aquilo era uma demonstração. Ela pergunta-me o que é uma demontração e eu mando-a tirar as suas próprias conclusões analisando a palavra demonstração.


 


A Gr. chega num instante à resposta: "é porque tinha monstros."

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Isto faz de mim uma mulher moderna, fit e top top e coiso?

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Mr.

Primeiro diz "mãe!" e pode estar à minha frente, olhos nos olhos, eu a fazer-lhe todos os sinais corporais de que sim, estou a ouvir, sim, pode falar..


seja para o que for, do mais importante ao pintelho mais estúpido: só diz o que tem a dizer depois de eu verbalizar "sim?"


Vinte e cinco mil vezes por dia, para tudo e mais alguma coisa, ela tem de ouvir o meu "sim?" para dizer o que tem a dizer.


 


 


 


 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

running away is easy, it's the "living" that's hard


 

notas

integraram-me no 110 (ensino básico, 1º ciclo)


tive hoje a 1ª reunião


são umas gralhas, estas senhoras do 1º ciclo


não houve um único momento de silêncio


fiquei a saber o mesmo


 

Descobri

É a falta de disponibilidade mental. Descobri hoje que é isso que me deixa tão em baixo quando começo a trabalhar, pelo menos nos primeiros meses. A falta de disponibilidade mental para os meus cá de casa. E tudo se ressente.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Estou no indie!

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mais uma volta, mais uma corrida

As miúdas ficaram hoje no atl. Fui apresentar-me ao serviço.


Acho que parte do meu nervosismo se deve a esta fase nova que a Gr. vai iniciar. É claro que a perspetiva de estar em sala de aula com pestinhas que não conheço também me deixa nervosa, mas isto de não ter a certeza de como vai ser com a Gr. está a perturbar-me mais do que devia. Não senti isto com a Mr. e sei que estou a sofrer por antecipação (sou parvinha, eu sei), afinal a Mr. não estava assim tão preparada para o 1º ciclo, portanto enganamo-nos e eles são umas caixas de supresas.


 


Como dizia, ficaram no atl. O meu receio era que a cabeça da Gr. ficasse confusa, porque o atl está ligado ao jardim da isabel. Receios infundados. A miúda percebeu que não ia para o infantário e ficou contente.


 


Relativamente à escola, já sei o meu horário (off the record, psht, não digam a ninguém), e fui à descoberta das escolas que me calharam na rifa de um agrupamento bem grande. Curiosamente, apresentou-se outro colega do meu grupo, com horário completo. Ficou um bocado em estado de choque... terá de correr as capelinhas todas de uma ponta à outra do concelho. Eu, mentalmente, agradeci não ter horário completo. No fim do mês, feitas as contas ao gasto em combustível, devemos ganhar mais ou menos o mesmo.


 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Porquê?

Pela primeira vez na minha vida profissional termino um contrato e inicio outro.


Não tenho de ir à segurança social nem ao centro de emprego. Continuo a ter ADSE, sei o que vou receber e onde vou trabalhar.


Por que carga de água estou tão nervosa?

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...