Não sei se é crónico, ainda não me esforcei o suficiente para chegar a uma conclusão fidedigna, mas não consigo fazer balanços, olhar pra trás e analisar o que foi ou não foi este ano que termina. Não sei fazer balanços. Fique o disclaimer: o meu 2016 não foi um monte de merda.
sábado, 31 de dezembro de 2016
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
la familia
No dia 25 de manhã, vi um daqueles ramos da minha árvore genealógica no facebook de alguém. Eram muitos. A minha tia aninhas teve sete filhos que, por sua vez, se reproduziram de forma generosa. O meu primo mais velho daquele ramo só não é avô porque a sua filha mais velha é uma mulher independente a quem não conheço namorada ou namorado.
Adiante, na foto vi moços grandes de barbas grandes que não conheci. De regresso de outro ramo genealógico passei na tia aninhas. Deixei as miúdas no carro e fui tocar à campainha. A porta abriu-se diretamente para a forografia que eu tinha visto de manhã. Estavam todos no mesmo lugar e acho que não faltava ninguém. As várias mesas alinhadas em retângulo davam a volta à sala. E lá estavam eles a jogar cartas, a comer frutos secos, alguns agarrados ao telemóvel, outros no sofá em amena cavaqueira.
Dos moços grandes de barba, reconheci todos exceto um que não via desde criança de fralda.
As minhas primas rodeadas dos filhos, que estão a caminho de terem filhos e a minha tia, na ponta da mesa, perto da porta que dá acesso à cozinha, olhou para mim e vi-lhe nos olhos um baita orgulho de matriarca, daquelas dignas de um romance de Gabriel Garcia Marquez.
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
natal grande
Tenho para mim que foi depois de as tias começarem a ser avós.
As tias foram avós e foram passar os natais com os filhos e os netos.
As casas foram-se esvaziando, as famílias divididas pelos novos ramos da árvore genealógica.
Foi aí que deixei de achar piada ao natal.
Natal é casa cheia, pratos e copos num vai e vem constante, crianças em grandes correrias, adultos em número suficiente para poder diversificar conversas, para partilhar as arrumações.
Natal pequenino não me cheira a natal.
(eu sei, nunca estou contente)
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
Instagrams, instagrams
Às vezes, vou dar umas espreitadelas a alguns instagrams de pessoas mais ou menos famosas. Fioo sempre com a ideia de que vivemos em países diferentes. Eu estou aqui encolhidinha de frio e com os pés gelados como pedras, esse pessoal passeia-se de t-shirt e calção por essas ruas fora. O natal foi o costume, já agora.
sábado, 24 de dezembro de 2016
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
ól ai uant for crissmas....
Antes de irmos levar as miúdas a meio do caminho entre a nossa casa e a casa dos meus pais, onde elas estão agora, fizemos uma das atividades do calendário: escrever palavras que tivessem especial significado para cada um de nós e colocar os papeis na árvore de natal.
As miúdas escreveram "amor" (Mr.) e "família" (Gr., escreveu-a sozinha, que orgulho!), o M. escreveu "paz" e eu escrevi "paciência", algo que me faz imensa falta.
A "paciência" é o único papel que está constantemente a cair do raio da árvore!
Sejamos positivos: os outros não.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
bitter sweet symphony
O despertador do M. toca, à hora do costume. Filho da mãe, esqueceu-se de alterar as definições.
Fico ali deitada, digo ao corpo e ao cérebro que posso continuar a dormir, posso.
O cérebro vai buscar as avaliações, que terei de imprimir ou mandar imprimir, fica ali a ruminar naquilo, o meu corpo diz-me que não quer dormir mais, mas eu quero e deixo-me ficar. Acho que fico mais um bocadinho num limbo e quando me sinto desperta outra vez tenho de me levantar porque agora é a bexiga que me chateia. Volto a deitar-me, mas as avaliações voltam ao ataque.
Levanto-me difinitivamente, cerca das 9h e vou para a cozinha. Tomo um pequeno-almoço rápido, pão velho torrado e uma chávena de água suja de café. Não há leite sem lactose, já sei de que daqui a meia-hora vou estar cheia de fome!
Vou para a sala e sento-me ao computador. O trabalho é constantemente interrompido por mails, de colegas, de titulares, do coordenador... é tudo novo, andamos todos a apalpar terreno, tanta documentação e dúvidas sobre preenchimentos, finalidades... às 10 o M. aparece, tira-me um café e desaparece para as suas cenas, fora de casa.
Às 11 faço uma pausa. Levo o telemóvel para a casa de banho, ponho uma mix de indie/pop rock a tocar no youtube e tomo banho. Ao som de The killers danço pelo quarto em cuecas, admiro os meus abdominais (são fixes, muito fixes), abano o rabo (não é assim tão fixe). Visto-me e danço mais um bocado.
Decido continuar a pausa, mas entretanto recebo mais mails com instruções novas. Tenho de refazer algumas coisas. Cago na cena. Vou ao Lidl. Faltam-me algumas coisas em casa, leite sem lactose, por exemplo.
Isto de não as ter em casa é, realmente, uma bitter sweet symphony.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
para registo e memória futura
A Mr. teve hoje o seu primeiro espetáculo de ripi rópi (hip hop). Andava nervosa, a miúda. "E se me engano, se me engano? tanta gente a ver... que vergonha!"
A miúda não foi perfeita, não é uma dançarina inata, mas vê-la em palco a divertir-se, sobretudo isso, divertir-se em cima do palco de uma associação recreativa, fez-me vir lágrimas aos olhos (tpm, you bitch).
A mais nova
Chegou a casa vinda da escola, onde teve o último dia de aulas antes das férias de natal e já despachou duas páginas do trabalho de casa das férias. Nunca foi uma miúda "normal", não sei porque me espanto.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
dia 14
O pai fez o jantar e serviu à mesa, como se fosse o nosso criado.
Depois, o incompetente e descarado sentou-se à mesa connosco. Criado que é criado come na cozinha!!
ingenuidade e pureza
As minhas filhas são ainda tão ingénuas e puras.
Ontem quiseram ir para a escola com os corninhos de rena que o pai comprou. Embora na minha cabeça eu gritasse NÃO! olhei para as duas, tão natalícias, queridas, ignorantes da crueldade do mundo e dos pares, e deixei. Foram todas contentes.
Pelo sim, pelo não, tirei fotografias, para poder usar em caso de necessidade, quando elas forem mais velhas e perderem a ingenuidade e a graça e se transformarem em aborrescentes estúpidas.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
Dia 14
Este ano, introduzimos o conceito de: três dias dos calendário são vossos ( filhas e marido), escolham o que querem fazer e recheiem vocês o rolo de papel higienico. Hoje, dia 14, o marido sera responsável pela confecção e servimento do jantar.
calendário, 2016
Dia 13 Fotografias malucas em família. Passa pelo chenês e compra porcarias natalícias para nos enfeitarmos, pedi ao marido. O marido comprou corninhos de rena e capuzes luminosos e fizemos uma sessão fotográfica apalhaçada. Com muita risota pelo meio.
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
repelente
A minha teoria é que os repelentes de piolhos funcionam na medida em que repelem as pessoas, logo os piolhos não têm como passar de cabeça para cabeça.
As minhas filhas têm ido para a escola com repelente no cabelo, no carro fica um cheirinho a repelente, as suas cabeças exalam o cheiro a repelente, eu própria me sinto repelida...
para registo e memória futura
"Olha, mãe, já sei fazer o x. O minúsculo é assim (desenha o x minúsculo) e o maiúsculo é assim (desenha o maiúsculo)."
"Fixe, o x de xilofone."
Vai-se embora. Regressa uns minutos depois:
"Olha, mãe, já sei escrever xilofone."
"O quê? mas ainda não deste o f."
"Sim, mas no outro dia a professora disse-nos como se fazia. Olha:
domingo, 11 de dezembro de 2016
sábado, 10 de dezembro de 2016
inversões linguísticas
Gr. no regresso da escola: "Hoje na escola caí e magoei-me, mas não te preocupes que a S. infetou-me."
Gr. ao jantar, atacando a saladeira: "Não comas mais alface, chega! Come o que tens no prato!"
"Mas eu não consigo descontrolar-me!"
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
notas soltas
uma noite no sofá
dois dias seguidos no ginásio
uma subida pela serra acima
dores nas costas
difícil estar sentada a corrigir testes e a pensar em avaliações
fiz um suflé de bacalhau que saiu uma bela merda
das atividades do calendário não fizemos quase nada
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
que queres neste natal?
Eu pergunto-lhe o que quer nesta quadra, que para ela é um dois em um que redunda sempre num, porque faz anos no mesmo dia em que dizem que nasceu jesus.
Pergunto-lhe porque quero acertar no que lhe vou dar, quero compensar a tia que tem sido desde que as miúdas nasceram.
Mas ela só me responde que quer uns bons momentos de descanso e "jantares assim durante a semana, um vinhinho, uma sobremesa..." e a mim dá-me vontade de lhe oferecer jantar, a ela e ao rapaz mais ao cão, todos os dias.
domingo, 4 de dezembro de 2016
calendário, 2016
Montámos a árvore de natal no dia 1. Começou assim a nossa contagem decrescente para o natal.
E de resto? de resto, está tudo por cumprir: escrever postais para os amigos e brincar ao faz de conta (seja lá o que for). Mas estivemos com amigos, a casa sempre cheia de riso, de calor, de coisas boas para comer, de jogos. Portanto, não vem mal ao mundo.
Hoje, dia 4, é dia de jantar à luz das velas. Provavelmente será também à luz da lareira.
As miúdas terão o cabelo húmido do banho, cheirará a pão quente e as luzes da árvore emprestarão arco-íris à nossa sala.
domingar
Gosto de domingos assim. Sentir o calor da lareira, ouvir as miúdas brincar, ouvir o blues que sai da aparelhagem, esperar pelo que virá do supermercado e servirá de jantar: uma alheira para grelhar, castanhas para assar, queijo e pão, um tinto alentejano.
Gosto de domingar. Perfeito seria se domingo fosse véspera de sábado.
fazer a revolução (outra vez)
Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...
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Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...
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Estou aqui ou não?
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Estamos em casa. À minha volta vejo sacos e malas. Ouço as miúdas na casa de banho, dentro da banheira, a livrarem-se de sal e areia acumula...