O M. diz que está melhor, mas não deixa de ser um exercício de paciência e uma tortura ouvir a Mr tocar trompete.
O M. diz que está melhor, mas não deixa de ser um exercício de paciência e uma tortura ouvir a Mr tocar trompete.
em que criaturas estranhas dão à costa. Misturas assustadoras entre lobos e lombos!
preciso de um saco de boxe. Para libertar esta fúria que não posso libertar em que ma provocou.
"Venceste a guerra, mas não venceste a batalha!" grita a gr. depois do pai vencer um jogo de uno, tendo ela vencido os dois anteriores.
Comprámos-lhe (à mr.) o Diário de Anne Frank na sua adaptação em novela gráfica que saiu agora recentemente na versão portuguesa com a chancela da Porto editora.
Esteve a tarde quase toda agarrada ao livro. Ouvi-a dizer coisas como "ela viveu grandes aventuras naquele anexo" que atestam o quanto a minha filha é pequenina, inocente e imatura, deixem-na ser mais um bocadinho.
Agora à noite, enquanto eu arrumava a cozinha, comunicou-me que ia apresentar aquele livro nas aulas de português, "amanhã, vou apresentá-lo amanhã" e começou a fazer de conta que eu era a turma enquanto desenrolava um discurso totalmente improvisado e um bocado caótico sobre o que leu e viu e ouviu (antes de jantar falámos sobre campos de concentração, sobre nazismo, as SS, sobre o facto de o diário ser um testemunho real). Na cabeça da minha filha ela estava capaz de apresentar aquele livro de uma penada só, sem preparação, sem nada, só chegando lá, à sala de aula, amanhã e debitando o que lhe viesse à cabeça, o que atesta o quanto a minha filha é pequenina e inocente e imatura, cresce lá um bocadinho mais, minha filha!
Já me aconteceram coisas invulgares nesta vida de professora, mas nunca ajudar a tirar os miúdos da sala para a escola ser evacuada.
A intenção era ir beber uma cerveja à beira mar, às Paredes.
Sempre me congratulei por haver um pinhal a salvo dos incêndios, o Pinhal de Leiria na minha cabeça não ia arder. O mato é limpo, não há eucaliptos, as pessoas são cuidadosas, os munícipios que mandam nele também. O pinhal estava a salvo.
Até ontem. O pinhal começou a arder ontem. Uma núvem de fumo espalhou-se pela costa, desde a Figueira até muito além da Nazaré. Às seis já parecia noite, o sol afundava-se no mar mas era difícil vê-lo.
Regressámos a casa. Vim com uma espécie de bola no peito.
Uma semana sem escrever aqui. Uma semana que passou a cavalo.
Ainda é cedo para o calendário do advento, não é?
(O caixote foi destacado e nem dei conta.)
- Gr, queres torrada para o pequeno-almoço? - pergunta a mãe.
- Quero - responde a filha.
Quando a torrada fica pronta, a filha resolve bazar da mesa.
-- Eh, e a torrada? - indaga a mãe.
- Já não quero.
- Assim, a torrada vai ficar triste.
- Não vai nada, porque a torrada não tem vida.
- Tem, tem! - Insiste a mãe. (já não é bebé, pensa a mãe)
- Não tem nada, porque quando a metes na torradeira, ela morre. (ainda, ainda é bebé)
Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...