quinta-feira, 29 de março de 2018

ela

No dia da segunda audição de trompete a mais velha teve um ataque de histeria. O trompete entrou em colapso e deixou de tocar.


Eu não fui capaz de compor o trompete nem de acalmar a diva em plena crise existencial.


Na hora da audição, foi a única que tocou sem pauta e não falhou uma nota.


 

ela

Ela deixa-me papelinhos na mochila a dizer i coração you e és a melhor mãe.

terça-feira, 27 de março de 2018

egoísmo na ótica da pessoa

Aqui há uns dias a mula  escreveu sobre o egoísmo das pessoas na ótica de funcionária de uma empresa que presta serviços por marcação.


Eu já ando aqui há uns tempos a moer sobre o egoísmo das pessoas, mas na ótica de uma pessoa, uma pessoa normal e minimamente civilizada. 


Na vida em geral, está tudo virado para o seu umbigo e parece que há uma incapacidade de as pessoas levantarem os olhos e verem com olhos de ver as pessoas que estão à sua volta, de sentirem empatia, de pensarem naquela máxima de "faz aos outros o que gostavas que te fizessem".


No supermercado, quem está à frente na fila não é capaz de olhar para a pessoa que está atrás e só tem um pacote de açuçar, aquela senhora na lavandaria que não é capaz de pensar que é errado usar as duas máquinas de secar, aquele casal que acha que "pela mesma ordem" são só palavras vazias, o homem que estaciona às três pancadas e ocupa três lugares, o puto que não vê aquela senhora muito grávida e não cede lugar...


Merdinhas pequeninas, mas que fazem tanta diferença no nosso dia a dia, que nos fazem ter esperança na humanidade... eu ando muito desesperançada. (ou então estou há demasiado tempo nesta terra do oeste)

para memória futura

Ela é tão forreta que veio da kidzania com um maço de kidzos.


 - "Só brincaste na farmácia e no supermercado?"


 - "Para brincar tinha de gastar dinheiro e eu não queria."

segunda-feira, 19 de março de 2018

arrependimento esclarecido

O m. costuma ir para a cama depois de mim. Às vezes nem dou conta da sua chegada ao leito matrimonial, tal o meu estado de adormecimento.


No outro dia, levantou-se do sofá e largou o que estava a fazer, anunciando que ia para a cama porque estava cheio de sono. Eu fui também, sem estar cheia de sono.


Chegámos à cama, ele adormeceu. Eu... fiquei a olhar para o escuro, para o teto, que não via por estar escuro.


 


Arrependi-me de ter ido para a cama com ele, pois claro! 

sexta-feira, 16 de março de 2018

quarta-feira, 14 de março de 2018

recuso-me

"Fizemos teste único, não tive nem ciências nem educação física, não nos avisaram. Podia não ter levado equipamento.... "


"Teste único?"


"Sim, todos os quintos anos fizeram o teste igual, à mesma hora."


 


Passei o último ano do curso e o estágio de forma intensiva a ouvir "o aluno é o centro, temos de nos adaptar ao aluno, temos de chegar ao aluno". Passei esses dois anos a levar com as teorias dos diferentes estilos de aprendizagem, a levar na cabeça todos os dias porque "não chegaste ao aluno, estas fichas não têm exercícios para os aprendentes cinestésicos..." 


E agora, anda esta malta a fazer testes iguais para todos, em nome de umas supostas objetividade e justiça.


Até para as minhas diferentes turmas tenho dificuldade em fazer testes iguais, porque elas são diferentes, têm ritmos diferentes, aprendem de forma diferente, logo a minha abordagem dos mesmos conteúdos é diferente, como é que esta malta consegue fazer testes iguais, iguais? Como? Ninguém protesta? os colegas andam a dormir? 


Recuso-me! Eu sei o que estou a dar aos meus alunos, mais importante: eu sei como estou a dar. Aquele teste que aquele professor fez a pensar na turma dele não serve à minha ou aquele teste feito em modo retalho, com uns exercícos daquele professor e outros exercícios de outro não passa disso, uma manta de retalhos.


Recuso-me. E faz-me urticária que as minhas miúdas andem a ser sujeitas a esta merda desta pedagogia da treta, ainda mais quando a palavra "flexibilização" anda por aí nas bocas de tudo o que é diretor. Parece que andamos sempre a brincar ao ensino, foda-se! 


 


 


 

Sad day for Sheldon

Stephen Hawking is dead. 

terça-feira, 13 de março de 2018

festas e unicórnios

Ela quer uma festa com unicórnios.


Depois de termos esgotado tudo o que é T-shirts, cadernos, autocolantes, pantufas, pinipons, peluches com unicórnios de primarks e lidls ela ainda quer unicórnios na festa!


Eu vejo aquelas fotografias com decorações fofinhas, lindas, perfeitas, cheias de cor, perfeitamente ordenadas, coordenadas, organizadas e tenho muitas dúvidas.


A canalha chega ali a mesinhas destas 


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 E que faz? dez, quinze miúdos, suados, elétricos à volta de uma mesa assim?


Miúdos que gostam de mamar gomas e batata frita e ala para mais brincadeira?


Por isso, tenho muitas reticências em fazer produções destas. Por isso e porque, sendo eu a fazer, sai mais depressa algo do género


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 (Fotos sacadas da net. sem pedido de autorização)

domingo, 11 de março de 2018

Dúvidas existenciais

Comé? Dispo o pijama e vou estender roupa ou cago nisso, sr. sol que está para aí a dar um ar da sua graça?


Comé?


Ser adulto é tão bom. Ser adulto e responsável por uma casa ainda melhor. 

sexta-feira, 9 de março de 2018

A culpa é minha

Eu queria chamar-lhe nomes feios, muito feios, por estar a usar as duas máquinas de secar quando a roupa cabia toda e mais alguma numa só maquina, mas, em vez disso, vou ajudá-la a programar a temperatura de secagem. Ah! Quanto me custa não ser mal criada. 

top 10

quantos dias faltam para eu fazer anos? (não devia estar a escrever isto)


ponham-se na minha vez para sentirem o que eu sinto!


é injusto!


quantos dias faltam para o meu dia de anos?


o que é que eu faço?


vocês não me compreendem!


mãe, viste a saia cor de rosa com manchinhas brancas da pinipon do cabelo rôxo?


Mããããeeeee, veeemmmm cááááááá


não, tens de vir cááááá.....


mããããeeeeee, não sei do meu esquadro


mãããeeeeee, viste o meu compasso?


paaaaaaiiiiiiii, veeeeeemmmm cááááááá.....


não, tens de vir cáááá.....


 

quinta-feira, 8 de março de 2018

Eu nasci assim...

A porra do dado a girar na mesa há uma hora e tal a porra do dado a bater e rodar na mesa há uma hora e tal. Fui tomar café e a merda do dado.


O livro no meu colo e a porcaria do dado.


Os phones nos ouvidos e aquilo sempre a bater e a girar na mesa.


"Esse barulho do dado na mesa está a dar comigo em doida"! Levantei-me e disse. Disse isso, assim.


O m. ficou roxo, mas não disse nada. 


As pessoas foram buscar cartas de uno. As pessoas odeiam-me, de certeza. 


Ainda bem que outros tratamentos os levaram a outros andares deste hospital de dia. Até eu me odeio, neste momento, por odiar as pessoas em geral, nestes momentos. Ainda bem que a ala psiquiátrica fica longe. 

Something big

This could be the beginning of something big, penso ao olhar para ela, na cama, com um cateter na mão. É, para mim, obviamente um trocadilho cheio de piada, porque ela veio fazer uma prova de hormona, que pode iniciar (ou não) o processo de toma de hormona de crescimento, que a fará crescer um bocadinho mais.


Ontem, durante a audição de classe conjunto, pensei no dia de hoje. Ela era a mais pequenina de todos, ao lado do gui, o mais pequenino de todos. Os dois da mesma altura, mas a mãe dele nunca se preocupou com o facto. E eu senti-me mal. 

quarta-feira, 7 de março de 2018

Pai,

Afasta de mim este daim....


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as pessoas cá de casa e o blog

Já não posso escrever sobre ela, a mais nova. Se me apanha alguma coisa escrita aqui fica vermelha como um tomate e obriga-me a apagar (e, sem querer, já estou a escrever sobre ela). Se visse o texto sobre as pupilas gustativas não ia descansar enquanto não deixasse de o ver.


A mais velha fica inchada de orgulho, acho que se sente assim meio superstar. Afinal, isto é um blog, lido mundialmente por milhões de pessoas (de células, quero eu dizer), especialmente o texto sobre aniquilar piolhos, que tem muita saída todos os dias. Esse é assim uma espécie de bestseller cá do sítio. 


O pai cá de casa gosta que a mãe escreva, mas às vezes, por uma razão ou outra que eu nunca prevejo (sem ironia nenhuma aqui) fica melindrado.


Eu ando, como dá para ver, muito desinspirada. Estou a pensar fazer mais uns filhos, para ver se arranjo material digno. 


 


 

a caminho dos onze

No sábado fazemos onze anos de casados.


Não temos babysitters de espécie alguma. Vamos fazer um jantar cá em casa e partilhar com alguns amigos a comemoração.


"Não!" disse-me alguém. "Vão jantar os dois, um jantar romântico..." e deixamos as miúdas em casa com uma fatia pizza e o cartoon network.... pensei eu. Talvez daqui a uns dois anos esse plano seja exequível. Para já, ficamos mesmo pelo romantismo de podermos estar com amigos na nossa casa, no mesmo dia em que faz anos que nos casámos.


Adivinho um chilli con carne ou algo assim rápido e bom, uma garrafas de tinto das quais não beberei, umas garrafas de espumante mais ou menos rasca, do qual não beberei, muita conversa e barulho.


É, este ano será assim. 


 


 


 

terça-feira, 6 de março de 2018

hoje

Hoje acordei insossa (tive de googlar e descobri que também pode ser insonsa ou não, não me apetece levantar e verificar no aurélio de papel que está no escritório).


Duvido muito dos acrescentos de sal que se fazem à comida depois de ela já estar na mesa, por isso não sei que faça comigo hoje. 

segunda-feira, 5 de março de 2018

para memória futura

Na sexta saímos mais cedo, chegámos mais cedo e às 9 da noite lá estava eu em Baltar para o ensaio geral. Acabou à uma, com uma pequena pausa para fazer a mudança de cenário do ato I para o ato II.


Correu muito mal. A encenadora esteve o tempo todo a dar deixas, falas inteiras, o tempo todo a corrigir entradas e saídas, marcações, eu sei lá!


Correu tão mal que saí da sala de espetáculo a desejar um acidente, um anúncio de bomba para o dia seguinte, qualquer coisa que nos impedisse de estrear a peça.


No sábado levantei-me cedo, cedo de mais para quem se tinha deitado às duas. Depois de dar uma série de voltas que tinham de ser dadas, às duas da tarde lá estava eu e toda a a gente para mais uma sessão de ensaio. 


Com atrasos deste e daquele, conseguimos começar efetivamente a trabalhar por volta das 3.


Eram oito quando acabámos, com alguma brincadeira pelo meio, para libertar a tensão e o stress. 


Petiscámos ali mesmo, nas bancadas onde daí a uma hora e meia haveria público.


A casa ia estar lotada, cheia até às costuras e nós cheios de medo.


Antes da hora marcada para o início já havia público a entrar.


Fechámos o pano, fizemos um aquecimento rápido, desejámos muita merda uns aos outros, abraçamo-nos e lá fomos nós às nossas posições. 


Não foi perfeito, somos amadores, mas somos também e, acima de tudo, "amadores" do que fazemos. As pessoas riram e enterneceram-se, bateram palmas e cantaram e nós divertimo-nos, com muito orgulho pelo que fazemos... ainda que de véspera tenhamos pedido aos deuses do olimpo uma qualquer desgraça.


 

guiomarês

Fala-se de sentir os sabores.


A Gr. vai apontando os locais da língua onde se sente o doce, o salgado e por aí fora.


"As minhas pupilas gostativas estão a trabalhar". 

sábado, 3 de março de 2018

Estreia

Hoje estreamos "Como a comida quer ao sal". A julgar pelo ensaio geral, não há necessidade de as pessoas virem aqui desejar "muita merda". Correu tão mal, tão mal que o pessoal ria, ria, ria, para não desatar a chorar. Ou seja, vai dar merda, de certeza! 

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...