Na sexta saímos mais cedo, chegámos mais cedo e às 9 da noite lá estava eu em Baltar para o ensaio geral. Acabou à uma, com uma pequena pausa para fazer a mudança de cenário do ato I para o ato II.
Correu muito mal. A encenadora esteve o tempo todo a dar deixas, falas inteiras, o tempo todo a corrigir entradas e saídas, marcações, eu sei lá!
Correu tão mal que saí da sala de espetáculo a desejar um acidente, um anúncio de bomba para o dia seguinte, qualquer coisa que nos impedisse de estrear a peça.
No sábado levantei-me cedo, cedo de mais para quem se tinha deitado às duas. Depois de dar uma série de voltas que tinham de ser dadas, às duas da tarde lá estava eu e toda a a gente para mais uma sessão de ensaio.
Com atrasos deste e daquele, conseguimos começar efetivamente a trabalhar por volta das 3.
Eram oito quando acabámos, com alguma brincadeira pelo meio, para libertar a tensão e o stress.
Petiscámos ali mesmo, nas bancadas onde daí a uma hora e meia haveria público.
A casa ia estar lotada, cheia até às costuras e nós cheios de medo.
Antes da hora marcada para o início já havia público a entrar.
Fechámos o pano, fizemos um aquecimento rápido, desejámos muita merda uns aos outros, abraçamo-nos e lá fomos nós às nossas posições.
Não foi perfeito, somos amadores, mas somos também e, acima de tudo, "amadores" do que fazemos. As pessoas riram e enterneceram-se, bateram palmas e cantaram e nós divertimo-nos, com muito orgulho pelo que fazemos... ainda que de véspera tenhamos pedido aos deuses do olimpo uma qualquer desgraça.