quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

retalhos da vida (não de um médico)

Não admira que a roupa não seque. Se até eu me sinto constantemente húmida.... (no sentido literal... será que esta explicitação piora as coisas?), se até a mim me apetece pendurar-me pelas orelhas num estendal ou, quiça, enfiar-me numa máquina de secar roupa...


A preguiça para sair de casa e ir às aulas de ginástica anda cá pelo corpo. Já pensei em mandar o exercício às urtigas. O meu marido há-de gostar de mim gorda e flácida, pelo menos assim jurou no altar, se é para a saúde e para a doença, também há-de ser para a gordura e magreza.


O problema é que depois passo eu a não gostar de mim ou a gostar ainda menos de mim e isso é que era mau. 


Por isso, vou arranjando coragem para sair de casa e me meter lá naquela associação duvidosa onde duas vezes por semana entrego o corpo ao manifesto (toma lá, duas insinuações de âmbito sexualmente duvidoso no mesmo post, estás bonita, estás!)


As miúdas andam na vidinha delas e isso é bom, chato é termos de ser nós a conduzi-las, e digo isto em sentido figurativo E literal, porque elas ainda não têm carta e as distâncias mais a chuva que cai não se compadecem com idas e vindas a pé. 


E eu disse que isto eram retalho e não menti. Agora, vou corrigir trabalhos. 


 


 


 

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

essa parte é que não

A gente levanta-se às sete da matina, a gente mete-se no duche ou não porque a preguiça é de mais ou afinal a gente não saiu da cama de facto às sete da matina e agora já não há tempo para duches, a gente vai para a cozinha e ainda está escuro, ainda é de noite, pronto, é de noite! e começa a preparar a comida para as pessoas que ainda estão na cama, leite para aqui, pão a descongelar ali, água a aquecer na cafeteira elétrica, o aquecedor a bombar porque está frio e os pés estão gelados e as mãos estão geladas e a alma está gelada, porque são sete da manhã e está frio e ainda é de noite! e os pés estão gelados!


A gente, dizia eu, levanta-se às sete e trata das comidas, trata das filhas, ralha com as filhas que vêm para a cozinha descalças, descalças! mete-lhes as comidas à frente, mete-lhes comidas nas lancheiras, envia-as para o quarto para as ajudar a enfiar as roupas nos corpos, enfia-as no carro e despeja-as na escola uma hora e meia depois e já é dia, mas o frio continua, se calhar a alma já não está assim tão fria, porque as tarefas que enfrentou anteriormente lhe deram algum calor, mas....


mas....


mas a pôrra dos pés continuam frios e assim hão-de permanecer o resto do dia! embora já seja dia e até as mãos já tenham alcançado um certo nível de quentura.


Os pés é que não. Não, os pés não. 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

era hoje

Que belo dia para uma balda às aulas: céu cinzento, chuva miudinha, frio...


Que chato que sou adulta responsável. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

à linha, à linha

Antes das férias do natal ganhei coragem estupidez e marquei uma sessão de depilação ou epilação qualquer coisa assim, das sobrancelhas, com linha.


Marquei, precisei de coragem, porque quando marco uma coisa não sou de desmarcar ou não aparecer sem dizer água vai, e evitei pensar no assunto. Bola para a frente.


Quando chegou o dia, fui, porque não sou de desmarcar ou não aparecer sem dizer água vai. Fui, às nove da matina, no meu primeiro dia de férias, o que é só mais uma prova de como sou corajosa estúpida.


Dentro do gabinete da raquel, que é assim um sítio espaçoso e claro, agradável à vista, para a malta não pensar naquilo como é na verdade (um espaço de tortura), a mesa marquesa estava pronta para me receber. Não sei bem porquê, porque já tenho idade para saber que nem tudo o que se faz deitado é bom, especialmente numa marquesa de esteticista, fiquei uns segundos feliz pela decisão de ter marcado aquilo. Foram uns breves segundos, porque depois lembrei-me de que, claro, NADA do que se faz numa marquesa de esteticista é agradável. No entanto, deitei-me, minimamente esperaçosa de que fosse minimamente suportável.


Por breves segundo, porque entretanto a raquel mandou-me pediu-me que repuxasse a testa e a cara ao mesmo tempo e sacou da linha. Portanto, aquilo ia ser assim: não só ia ser torturada, como ainda tinha de colaborar diligentemente no ato de tortura sob pena de ficar sem olhos.


Assim que a raquel sacou da primeira puxada de fios quis morrer, eu, não ela. Ela ficou a apreciar o meu misto de susto, incredulidade e dor avassaladora, o choque. 


E assim foi, durante uma boa meia hora, talvez mesmo quarenta e cinco minutos: susto, incredulidade e dor avassaladora, não necessariamente pela mesma ordem.


Saí, mais linda, apenas sutilmente mais linda porque ninguém deu pela diferença (só o M.), nem mesmo aquela que um dia disse que eu tinha monocelha e a principal responsável por eu ter ido cometer aquela atrocidade conta mim própria, saí, escrevia eu e pensei: nunca mais, pá! nunca mais.


Agora, mais de um mês depois, olho-me ao espelho e vejo os estupidozinhos dos pelinhos a aparecer, espalhados, pintelhadinhos e penso: vais ser corajosa mais uma vez, estúpida! estúpida! e vais marcar outra sessão. Toma que é para aprenderes! 


 

exercícios de escrita

Já desmontámos a árvore de natal, comprei um bolo de rei em saldo de propósito para torrar no forno mas nem assim consigo gostar de fruta cristalizada. Não conheço ninguém que goste de fruta cristalizada, mas parece que bolo rei sem ela não é bolo rei. Já vieram as datas de testes da mais nova, até os de inglês, mas eu ainda não marquei os meus, as ementas semanais estão cheias de falta de imaginação e de vontade, o frio come-me os ossos a roupa para lavar cresce no cesto o calor de casa vem da lareira e dos aquecedores mas às vezes está-se melhor na rua. As definições do blog estão todas malucas, não sei que fiz, mas a vontade de sair desta plataforma é cada vez maior. pareço incapaz de alinhar ideias com conectores no sítio, estabelecendo ligações de causa, efeito ou seja lá o que for. preciso de dormir mais horas. O texto aparece-me todo corrido na mesma linha, não tenho os botões de alinhar à direita, esquerda ou justificar, não sei se fiz algo de errado para os fazer desaparecer ou se o sapo está contra mim.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

foi um erro

acender a lareira


foi um erro comer tudo o que comi


foi um erro vestir um par de calças suaves e fofas


foi um erro ter calçado as pantufas.


Quem é que agora vai sair de casa para ir mexer o corpo numa sala gelada, cheia de mulheres rezingonas?

sábado, 19 de janeiro de 2019

exterminar piolhos, parte 2

Este ano, o meu contacto com os parasitas capilares é diário.


Eu olho para as cabecitas dos miúdos e vejo tudo infestado de lendêas. Vou começar a usar uma touca de banho e um gorro na cabeça nas aulas.


A mais velha, por sua vez, tem trazido para casa uma dose de dois em dois meses.


Meus amigos: os produtos não são 100% eficazes. Entre o primeiro e o segundo tratamento (cerca de uma semana, dez dias), é preciso passar-lhes o pente metálico TODOS os dias, para verificar se ainda há piolhos e tirar o máximo de lêndas possível. 


Liguem-se ipads, canais pandas e cartoons networks o que for preciso, mandem vir pizzas, porque o tempo que medeia entre a chegada a casa e a ida para a cama será para passar cabelos a pente fino. 


E tenham sempre em casa algum champô ou loção, para não perder tempo a ir à farmácia.


Parece-me que as escolas não estão a levar a sério o problema. Os miúdos que têm piolhos deviam ser impedidos de ir à escola! A ver se a malta não começava logo a fazer os tratamentos certinhos!! 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

processando o processo

Seremos sempre mães e pais de primeira viagem.


Porque eles são diferentes uns dos outros, porque as várias idades vão trazendo fases, como eu gosto de lhe chamar, porque eles e elas registam as coisas e processam de forma diferente, porque ainda que desejemos ser iguais e atuar de forma semelhante com os nossos filhos, somos diferentes, vamos constantemente em busca de adaptações, correções, eu sei lá.


Seremos sempre pais em construção e é assim que tem de ser. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

é a vida e é a morte

foi o que ela me disse, depois de me fazer confirmar que eu estava triste pela ti ci.


"É a vida e a morte, mãe". 

domingo, 13 de janeiro de 2019

cambada de merd#&%s!

Por baixo desta notícia , uma chusma de comentários apelida de idiotas e outros nomes ofensivos sempre a subir na fasquia do bom português, o grupo que se formou para ajudar os brasileiros que tiverem de sair do Brasil por causa do "bolsonarismo".


Idiotas, mas idiotas de tão burros e estúpidos que são, são esses comentaristas, que não percebem que as coisas acontecem assim:


"Quando os nazis vieram buscar os comunistas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era comunista.


Quando eles prenderam os sociais-democratas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um social-democrata.


Quando eles vieram buscar os sindicalistas,
eu não disse nada;
eu não era um sindicalista.


Quando eles buscaram os judeus,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um judeu.


Quando eles me vieram buscar,
já não havia ninguém que pudesse protestar."


Martin Niemöler


E um dia, virão por eles também, esses ignorantes, cambada de ....

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

a história repete-se?

Todos os dias chegam ao agrupamento miúdos brasileiros. Pelo que ouço de outros locais, o fenómeno não é exclusivo de Leiria e ainda hoje, quando fui levar o almoço às minhas miúdas, um pai brasileiro fazia o mesmo.


Não sei se é o efeito "bolsonaro" ou se é uma tendência que agora se acentuou por diversas razões aliadas ao colapso de uma vida com condições dignas para todos. 


Temo o que se irá passar nos próximos anos no Brasil, não só pelos brasileiros, mas pela forma como estas tendências fascistas/extremistas estão a ganhar terreno no nosso país. Todos os dias nos facebooks desta vida aparecem pessoas a clamar por um novo salazar, indignadas com a corrupção.


Cheira ao que se passou do outro lado do Atlântico e temo que o mesmo se venha a repetir aqui, caso se forme um partido que seja capaz de agregar todos estes seres que parecem ver na existência de corrupção a justificação para regimes autoritários e limitadores das liberdades dos indivíduos. 


Fica-se com a impressão de que as pessoas mais velhas que viveram durante o Estado Novo se esqueceram do que era viver sempre com medo do "vizinho" e que as mais novas não sabem nada nem querem saber de História.


Ou então, é aquela velha máxima  "history repeats itself" a funcionar, não havendo nada a fazer.


Eu quero acreditar que há. 


 


 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

dançar no sistema de ensino

Isto de uma pessoa trabalhar em dois departamentos, que mexem com dois ciclos diferentes, tem muito que se lhe diga: num lado, pedem-nos que dance a valsa, no outro que dance o chá-chá e o mambo.


Eu até era capaz de dançar valsa, chá-chá e mambo, mas uma dança de cada vez, nunca as três em simultâneo! 

coisas da vida do inverno

Fale-se de amplitude térmica: por estas bandas, às nove  da manhã estão zero graus, às catorze dezanove graus.


De manhã, senti frio nos olhos (eu já transpirei dos olhos, frio não me lembro de ter tido), à tarde vou ter calor em todo o lado. E vontade de me despir. Depois, saio das aulas e vou ter frio outra vez. 


 

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

ou não

No dia dos meus anos fazes a comida que eu te pedir?


Não sei. Estás a pensar em quê?


Pizza ou bolonhesa ou lasanha vegetariana ou a sério ou hamburger no pão.


Sim, posso fazer. Mas ainda falta tanto tempo. Não queiras que o tempo ande muito depressa.


Porquê?


Porque depois ficamos velhas, ou melhor, eu fico velha mais depressa.


Pois é... eu não quero que tu fiques velhinha!


Eu também não.


Eu não quero ficar adulta!


...


Não quero estar sempre a discutir com os meus pais...


É isso que tu achas que acontece? É isso que tu vês?


É.... Mas deixa lá, mãe. Eu sei que é a tua vida, é assim... não te preocupes. 


 


 


Não sei se ria, se chore, se me sinta embaraçada, se me debruço sobre a questão ou assobio para o ar. Se calhar, estava aqui uma meta para o futuro, ou não.


Parar de escrever tudo sob a forma de disjuntivas também... 

you suck!

Então?


não falaste do teu natal


nem da tua passagem de ano,


não fizeste um balanço de 2018,


não pensaste em metas para 2019,


não te impões desafios...


És uma treta.


 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

amsimumsi

As avaliações deixam a minha miúda mais nova descompensada. Toda ela é um contínuo chamar pela mãe, que nos dias que correm é qualquer coisa como "amesimumsi" ou algo estranho assim.


Desde os primeiros minutos em que acorda até à hora de deitar. Se esse som estranho que ela agora usa para me chamar fosse um bem perecível, há muito, muito que já tinha desaparecido da face da terra, só à conta das vezes que ela o usa. 

belo adormecido

A Bela Adormecida acordou cem anos depois, o meu belo adormecido quase quarenta e dois anos depois. Eu não me importava nada se ele continuasse adormecido, ainda nem tenho a certeza se foi ele que acordou ou se me recuso a acreditar que saiu do seu coma profundo.


Continuo a dizer para mim que foram aqueles kivis azedos como tudo, mas a farmacêutica diz que não, que é quase de certeza o belo adormecido do herpes, neste caso labial (que podia ser outro...)


Estou com o canto inferior esquerdo do lábio num estado novo para mim, com umas picadelinhas chatas e uma coceirinha incómoda... o cabrão do gajo não podia continuar a dormir?


 


 


 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

de volta

Voltamos ao toque dos passarinhos que nos acordam às sete da manhã, ao arrabal e ao frio matinal.


Voltamos aos tupperwares com os almoços para a mãe, as filhas e graças a deus não para o pai, que come o que escola lhe dá, já que não paga subsídio de alimentação.


Voltamos ao orfeão, ao atl e à explicação.


Voltamos à vida, mas que pôrra de vida, que o que a gente queria não era isto, eram férias a vida toda! 

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...