quarta-feira, 5 de abril de 2023

professora contadora

Sou professora bibliotecária.


No 1º semestre, quando perguntava se queriam ouvir uma história e os putos berravam em plenos pulmões "nããããoooo!!!" , eu aceitava e deixava-os pura e simplesmente desarrumar o espaço, argumentando comigo que o importante era que eles pegassem em livros, sem que os chateassem muito. Mas, em contrapartida, eu chateava-me muito. 


Arruma bem esse livro.


Vai arrumar o livro de há bocado.


Está mal arrumado. Vai lá arrumá-lo.


Olha o jogo. Já acabaste? guarda-o na caixa. Vai pô-lo no sítio!


No final, cansei-me. Vão ouviu histórias e chiu, que quem manda aqui sou eu.


Agora, recebo-os já sentada no chão, faço-os sentar à minha volta e vai de contar a história que escolhi nos cinco minutos anteriores.


Às vezes, sai uma história chatinha e tenho de lhe dar voltas para lhes prender o interesse, outras são história boas e só tenho de fazer vozes, fazer gestos e mostrar as ilustrações.


Farto-me de rir com as observações que fazem e também me chateio quando se chateiam com a história que escolhi (à pressa).


Hoje, li uma que se chamava "memórias de um lobo mau". Na capa, prometia gargalhadas do princípio ao fim, mas acabou por lhes enriquecer o léxico, com palavras novas como "pindérica". O que é pindérica, Gabriela? 


 

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...