segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos a uma espécie de esconderijo. Sentados numa grande mesa, velhos e velhas que reconheci de criança, de já ter andado fugida com...

Comecei a chorar, não quero, não quero, já fiz isto, já fiz isto, não me façam fazer isto outra vez, dizia eu. 

Puseram-me a mão no ombro e disseram-me qualquer coisa como "fizeste isto enquanto filha da revolução, eras só a filha, agora vais ter de ser tu a fazer a revolução" e enfatizaram o tu. 

Não me lembro do resto com a mesma nitidez. Mas retive esta última parte. 

Aqui?

 Estou aqui ou não?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

a última a sair

pelo andar que isto leva, vou ser a última a sair...

Não sei para onde migrar e tenho medo de perder "o blog".

Estão aqui quinze anos da minha vida... há aqui muita porcaria, mas também coisas que tenho orgulho de ter escrito. Nem é só isso, o orgulho em ter parido alguns textos muito bons, sem quailquer tipo de modéstia, sim, eu sei, é estar aqui uma parte das minhas filhas, do M., da minha vida de mãe e de ser vivente neste mundo. E se perco tudo? 

domingo, 11 de janeiro de 2026

para registo

Natal no norte, passagem de ano nas beiras.

frio em ambos os lados, ida à serra, com vento e neve dura, já a caminho de gelo, ainda deu para brincar um bocado.

pai mais capaz, depois de uns dois meses levado pela depressão, já faz piadas e diz que vai voltar ao ensino do latim a senhoras e senhores idosos.

férias que sabem a pouco.

regresso à vida de todos os dias como se não tivesse havido pausa. 

a primeira semana de aulas leva-nos (a mim a ao M.) à exaustão, a ponto de acordarmos já a manhã vai alta e darmos com as miúdas na sala - bom dia! somos assim brindados. e não, não andámos nos copos no sábado à noite.

janeiro é o mês que não acaba, mas já acabei, hoje, agora mesmo, levarei do fogo comigo, da Leila Slimani. o melhor dos três, que me deixa numa melancolia... 

escrevo porque preciso de deixar registadas coisas, em dezembro deste ano novo, que começou há 11 dias, não me lembrarei do dezembro de 2025. sentirei necessidade de vir aqui. 

tenho saudades do tempo em que a miúdas me davam pano para mangas, em que vinha aqui e debitava coisas que diziam ou faziam, saudades de ter a sala cheia de pinipons, de as ter na minha cama ao sábado de manhã.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Calendário 2025

Riamos, para não chorarmos...

Jantamos quase sempre na sala, com duas velinhas acesas, uma musiquinha tranquila e para mim um copo de vinho, mas quase posso afirmar que o calendário está morto, embora eu o veja ali, na sua forma física, em cima da lareira.

Cenas várias, entre treinos que acabam às 22h, crises existenciais que têm de ser geridas, namorados sem carta de condução que aparecem e depois têm de ser levados a casa, consultas médicas que terminam às tantas foram, até agora, impedimento de praticamente tudo. 

Vamos ver se a noite de hoje se salva: concurso de culinária. O pai faz a sobremesa, a mais velha o prato principal e a mais nova a entrada. Eu como. 

sábado, 13 de dezembro de 2025

fomos, com licença, ao Porto

No fim das férias grandes, demos um salto ao Porto. Num início de tarde cinzento, apanhámos um comboio em Cête e saímos em São Bento. 

Levámos logo com uma chapada de gente, gente e mais gente, em todas as direções e em todas as línguas.

O destino era a zona da Ribeira. As miúdas não conheciam e eu há muito tempo que não dava por lá umas voltas. Descemos por uma das ruas que não estava em obras. Eu desejosa de um café e uma das miúdas de uma casa de banho.

Procurei um café "normal", mas só via cafés de turistas. Não queria um desses por várias razões, entre elas o preço que iria pagar pelo café. A meio da rua encontrei um, com ar de café autóctone e entrámos. 

Ao balcão, perguntei onde era a casa de banho para a miúda ir e pedi um café. O dono, mal encarado, perguntou se só íamos consumir um café, porque assim só uma pessoa é que podia usar a casa de banho. Fiquei ali um bocado embasbacada e disse à miúda para se despachar, vai lá enquanto bebo o café.

Mas, segundos depois, mando-a vir para trás. Esquece lá, vamos embora, aqui não bebo café, o senhor pode ir ser mal criado e estúpido com outras pessoas. Saímos ao som de "vão lá embora, procurar uma casa de banho pública" e outros mimos que tal. Acabei por tomar o meu café num misto de mercearia, atendida por uma menina francesa, que não só me serviu um café com um chocolate ao lado, como foi simpática e ainda deixou usar o WC sem resmungos e sem qualquer tipo de má educação. 

Desci o resto da rua com umas ganas! Arre, que homem estúpido! O único café numa rua de turistas e de "franchises" que ainda se aguenta trata assim as pessoas... 

No regresso, subimos por outra rua, mas a minha vontade era subir a mesma, entrar na merda daquele café e dizer ao senhor que graças à forma estúpida como fomos tratadas, podendo lanchar ali e dar-lhe dinheiro a ganhar, ia lanchar a outro lado onde tratem bem as pessoas, especialmente as que ainda procuram os cafés de bairro e esperam o minímo de bom atendimento. 

 

 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

calendário 2025

só para registo e memória futura: na primeira semana falhámos TODAS as atividades, nem a primeira se safou (montar a árvore). Andamos cabisbaixos, amuados e sem vontade, cá por várias razões.

Na segunda semana, a coisa engrenou. 

O que tenho feito por que aconteça todas as noites, e ainda não sei se eles notaram, é jantar na sala, com duas velas acesas, uma musiquinha baixinha na "penumbra" e com a mente minimamente tranquila. 

sábado, 22 de novembro de 2025

terceiro lugar

Aqui há uns tempos, na antena 3, falava um senhor que tinha escrito um livro sobre a necessidade de desligarmos. Não sei quem era nem como se chama o livro, sei que introduziu no meu léxico a ideia do "terceiro lugar". O terceiro lugar corresponde à existência de um espaço e de um tempo fora da casa e do trabalho. Sociologicamente falando, será um local dentro da cidade ou do local onde vivemos onde podemos ser, estar, sem sentir obrigação de ser outra coisa (pai, mãe, médico, professor, seja lá o que for que somos em casa e no trabalho, no cumprimento das nossas obrigações diárias.).

Na altura, fiquei triste. Pensei "eu não tenho um terceiro lugar. Depois das aulas vou para casa e assumo os outros papéis todos. O Marco pega na guitarra, vai para a garagem e compõe cenas, aquela malta vai matar o corpo no padle, no ténis, no futebol, na zumba... eu só vou para casa...." 

E andei assim uns tempos, a pensar que as pessoas tinham o terceiro lugar que eu não tenho e que por isso são mais soltas e menos enervadas com a vida. Até que se fez luz: eu tenho esse espaço e tempo, em casa, mas tenho-o, quase religiosamente umas quatro vezes por semana. Começa comigo a estender o colchão,  a procurar um treino no youtube e acaba comigo mais ou menos suada, mais ou menos cansada. Esse é o meu 3º lugar. Ali sou só eu e os meus halteres, as minhas caneleiras, eu e a minha vontade. Embora eu nunca tivesse pensado nesse momento do meu dia dessa forma, ele cumpre esse papel, de me dar o tal espaço para ser e estar. Por isso, entre outras razões, é que faço todos os possíveis por manter a disciplina de estender o colchão umas quatro vezes por semana. Está na hora. Lá vou eu para o meu terceiro lugar. 

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Rosalía

Já gosto desta miúda desde o Los Angeles. Motomami não me caiu no goto. Este Lux é uma coisa fenomenal! 

 

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

só queixinhas, só queixinhas

Hoje vou ver S. Pedro.

Ontem adormeci no sofá por volta das 21.30.

Ando com um livro chamado Shuggie Bain para cima e para baixo, ainda não me agarrou por isso tenho passado mais tempo agarrada à porcaria do instagram. Graças a ele acabei por saber que no parlamento europeu iam, esta semana, defender o direito ao acesso à IVG. Pus o algoritmo a funcionar e reeviei a conta @myvoicemychoiceorg. a quase todos os meus contactos. Deixo isto registado aqui como forma de redenção.

Sei que passo tempo de mais naquela coisa, tanto que por vezes tenho a tentação de eliminar o dito cujo, mas depois lembro-me de que, embora por vezes me deixe muito deprimida, também é através dele que me chega muita coisa. 

Ando cansada. Esta semana dei por mim estacionada em frente a uma escola. Faltavam uns 5 minutos para a próxima aula. Olhei para o edifício e só pensei "há algo de errado aqui. Onde é que eu estou?" Estava na escola errada. 

Na próxima semana tenho pausa para avaliação intermédia e anseio por ela, mesmo sabendo que vou trabalhar no duro. É o facto de não ter de ir dar aulas que me deixa contente. Este ano letivo, que ainda agora começou, está a ser difícil. 

 

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...