sexta-feira, 28 de setembro de 2012

eu não sou professora??!!

Há um número muito grande de pessoas que não ficaram colocadas no concurso anual de professores. De acordo com o Min. da Educação, nem todos são professores, são apenas candidatos. 


O homem tem razão, se eu termino o curso de medicina, mas depois nunca exerci a atividade eu não posso dizer que sou médico.


O problema é que, no meio deste número de pessoas candidatas a professores que nunca ou quase nunca foram colocados, há uma parte muito grande que nunca deixou de dar aulas, que tem prática letiva efetiva. É insultuoso para mim, e acredito que para todos os que estão na minha situação, virem dizer na comunicação social que eu não sou professora! Eu sou professora! Eu dou aulas há DEZ anos! Só que, por via do sistema, só duas vezes é que fiquei colocada.


De acordo com a lógica do ministério, eu não sou professora, os que estão afetos a escolas profissionais não públicas e que trabalham a recibos verdes há anos, não são professores, os que são profissionais das AECs não são professores, os que dão formação não são professores, os que dão horas e horas de explicações porque não conseguem mais nada não são professores. 


E eu digo: são, pôrra! sao! 


Só que não estão colocados! Andam de um lado para o outro, trabalham onde podem e no que aparece, recebem mal e tardiamente, são maltratados, mas estão lá, com os meninos. Não me venham dizer que eu não sou professora!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

as minhas filhas e a tendência para o palavrão

Primeiro, foi a mais velha que, enquanto comia uma feijoada de potas, afirmou alto e bom som que gostava do feijão e das putas.


Depois, ontem, enquanto fazia o jantar, a mais nova entra na cozinha e diz: mãe, puta.


Alto lá, pensei eu, a miúda não está a insultar-me, o vocábulo não anda cá por casa nem nos círculos que frequentamos (pelo menos quando há crianças à vista e já há algum tempo que não vamos ao norte). O que é que ela quer? E a miúda repetia: mãe, puta, puta.


 


Olhei para ela de alto a baixo e descobri: queria que lhe apertasse o atacador da sapatilha. Puta era "aperta".

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

planos planos para que vos quero

Deixo as miúdas na escola e chego a casa decidida a fazer uma série de coisas.


 


À medida que estou a meio de uma tarefa já estou a enumerar as que posso fazer a seguir. Quando acabar de arrumar esta roupa vou organizar as gavetas das miúdas e depois, claro, tenho de levar a roupa que não serve para o sótão e se calhar até dava uma arrumação àquilo.


 


Ou na cozinha, depois de arrumar a loiça tenho de ver se descubro de onde vem este cheiro, que deve vir aqui de baixo e tenho de tirar tudo e vou pensando no que fazer para o jantar e podia fazer uma lasanha de peixe, apetece-me peixe. Eh pá, uma lasanha dá uma trabalheira e tinha de ir às compras ao pingo doce e levantar dinheiro, pôrra lá para o pingo doce.


E depois penso, caraças porque estou a arrumar se daqui a pouco vou estar a pôr tudo em pantanas para cozinhar e para que é que vou arrumar gavetas se a Gr. desarruma tudo em cinco segundos? e sou invadida pela preguiça, pela letargia, pela inércia e limito-me a arrumar a cozinha a fazer as camas e o básico e pronto. 

tenho ciúmes!

Aos dois anos e meio, a caminho dos três, a Mr. andava demasido envolvida na sua vida, no seu mundo de brincadeira e de faz de conta. A chegada da irmã mais nova foi vivida assim com alguma indiferença: era uma coisinha que se agarrava às mamas da mãe, que ocupava a mãe, que a certa altura começou a gatinhar e a andar pela casa, mas que não incomodava.


 


Depois, o ser gatinhante e caminhante começou a falar e a andar atrás da irmã, a "roubar-lhe" os brinquedos, a fazer gracinhas cada vez com mais graça e, imagine-se, a dizer coisas que faziam os pais rir às gargalhadas e a indiferença teve de dar lugar ao reconhecimento da existência de um ser que pode ser competição em tudo. Graças a esse ser caminhante e exigente de atenção, a Mr. já teve de mostrar as garras, marcar território e tal valeu-lhe umas sapatadas no rabo ou nas mãos. A Mr. não sabe (claro, é tão novinha e pequena) como essas sapatadas custaram aos pais, que sabiam exatamente como seriam interpretadas pela Mr, mas sabiam também que há limites que é preciso marcar. 


 


Agora, a Mr. é um poço de ciúme. O colo que damos à Gr, os mimos, a ajuda nas tarefas diárias, tudo tem de ser medido e dividido. Damos com a Mr. escondida atrás de cortinas porque, quando acordou, espreitou a cozinha e viu o pai a fazer cócegas à Gr, que acordou mais cedo.


Amua quando sente que a irmã está a ter mais atenção do que ela e, caramba, reconheçamos, a irmã tem mais atenção do que ela. Precisa de ajuda para muitas coisas que a Mr. já faz autonomamente e, para além disso, exige sem pudores a atenção que a Mr tem pudor em exigir, preferindo as cortinas. Como dar a volta a isto?


 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

reduzir

A única preocupação do nosso estado é tramar os trafulhas, impedir a vigarice.


Por isso é que, de acordo com a nova proposta de lei, os trabalhadores que estiverem de baixa por mais de um mês perdem o subsídio e as férias. Como se TODA a gente que mete baixa mais de um mês fosse um caloeteiro, preguiçoso que quer ficar em casa na cama, em vez de contribuir para o aumento do PIB.


Quem mete baixa por mais de um mês, de acordo com a minha experiência, terá um problema de saúde grave. Para o estado não. Como se  não bastasse estar gravemente doente, ainda terá de ir trabalhar na mesma ou ficar sem receber.


É mais uma daquelas medidas feitas a retalho, desenquadradas, com o objetivo único de reduzir as despesas, reduzindo as pessoas a merda.


 


 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

o que é que o desemprego tem de bom

Poder estar ao sol numa esplanada a fazer nada antes de ir buscar as miúdas,


poder dormir de tarde, 


poder não fazer nada se assim me apetecer, ainda que haja coisas para fazer (chão para aspirar, roupa para apanhar, etc.),


poder vir aqui mandar bitataites.


Agora vou dormir. A roupa pode esperar.

privação do sono: efeitos

 



  • Depressão - não sei

  • Desmaios - não

  • Esquecimento - check

  • Hiperatividade - quem me dera

  • Irritabilidade - check

  • Náuseas - não

  • Olheiras - check

  • Palidez - check

  • Tonturas - check

  • Tremores - nas mãos, check

  • Confusão Mental - não sei, estou confusa.

  •  Dores Musculares - não

  • Hipertensão - não

  • Visão Turva - sem óculos check

  • Peso perda ou aumento de peso - da forma como ando a comer (muito) brevemente check em aumento.


 

sábado, 22 de setembro de 2012

nem sei que título dar a isto

Ontem, liguei aos meus pais. Cheia de preguiça, estendi-me na cama e fui falando.


A certa altura, já não sei se o pai ou se a mãe, pergunta se estou bem. Respondi que só estava cansada e por isso deitada.


Pergunta imediata: apanhaste a bebedeira ontem?


 


Nem sei que mais escreva. 


 


Ah, é de mim ou o Seguro precisava de aconselhamento capilar? Aquilo é cabelo que se apresente?

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

o M. faz anos

O M. hoje faz anos.


O M. é o amor da minha vida, por muitas razões.


A maior é a forma como dança, como agita as ancas e dá ao rabo, o que me faz rir até às lágrimas.

o que o tempo e a p.u.t.a. da crise nos dão

Até há pouco tempo, não compreedia porque é que as pessoas não descontavam o que deviam para a segurança social,


até há pouco, revoltava-me quando me apresentavam dois orçamentos: um com recibo, mais caro e outro, sem recibo, mais barato,


não entendia que houvesse gente a trabalhar (ilegalmente) e a receber o subsídio de desemprego ao mesmo tempo, 


apetecia-me trucidar aqueles que fugiam aos impostos,


e, numa nota mais caseira e prosaica, até há pouco, fazia-me impressão comprar coisas como iogurtes de marca branca (sei lá de onde isto vem!).


 


Agora, sabendo que o que escrevi é reacionário, sabendo que estamos numa situação de merda porque ninguém paga impostos a não ser o funcionário público e o trabalhador a recibo verde que não consegue fugir, sabendo isto tudo compreendo.


 


Eu também trabalhei no ano passado à revelia da lei, também não descontei para a SS, compreendi quando me apresentaram dois orçamentos e pasme-se, já compro iogurtes de marca branca. Os do Lidl são bons.


 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

as barbies

Shiu... as barbies (raios as partam, mais o M. que as comprou na feira da ladra a um euro cada uma!) estão a dormir na sala, debaixo de uma manta.


São as moradoras mais recentes cá de casa, juntamente com duas nancies, que vieram no aniversário da Mr, e que agora já nem roupa têm, coitadas. Por estas e por outras é que sou tão reticente em dar bonecas e brinquedos do género às miúdas. Tanto desejo de as possuir, tanto pedido e agora estão para ali caídas.


O desejo foi concedido porque a miúda entretinha-se muito com as bonecas na casa da vizinha e pensámos que aqui se repetiria o entretenimento. Não, não se repetiu.


 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

o que há de novo

Vir aqui agora significa invariavelmente fazer atualizações.


Então, esta semana as aulas começam a valer, para o M. pelo menos. Eu mantenho-me por casa.


As miúdas já há duas semanas que as deixo no infantário. Na primeira semana, umas horitas de manhã, depois mais um bocadinho de tarde e, desde a semana passada, já lá estão desde as 10 da manhã às quatro da tarde.


A Mr. não mudou de sala, mas na prática nem parece estar na mesma. Com o nº de miúdos que saiu da escola agruparam os três, quatro e cinco anos de idade na mesma sala (a da Mr.). É um reboliço! Da idade da Mr. restaram cinco putos, os restantes são os mais novos. Para a Mr., creio que metade do encanto despareceu. Todos os dias diz que não quer ir para a escola, porque há muito barulho e os outros meninos agarram-se aos brinquedos. Eu, que também me adapto mal às mudanças, compreendo-a, mas não posso deixá-la ficar em casa.


 


A Gr. vai dar-nos muita água pela barba! Anda há duas semanas com uma falta de apetite enorme e grandes diarreias. Já suspeitava de que seria sistema nervoso. Quando hoje de manhã fez, desculpem o termo, três grandes cagadas antes de sairmos de casa, enquanto se queixava de dor de barriga, confirmo que a coitadita anda a passar um mau bocado, uma vez que no fim de semana andou bem.


Já a estou a ver quando entrar para a primária, em dias de testes, em situações novas a bo*****-se toda. Pronto, também sai à mãe.


 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

pensamento positivo

Olhei para as estantes do escritório que me são dedicadas e para o monte de manuais, para os livros de verdade apertados e mal situados, que davam um mau aspeto à estante. Arrumei os manuais, separando os de português dos de inglês. Já não dou aulas de português desde 2008 (dio mio), decidi guardá-los na cave. Arranjei lugar para os livros de verdade e a estante ficou mais catita


 


Se as leis de murphy valerem de alguma coisa, na próxima semana serei contactada para trabalhar nalguma coisa que implique a disciplina de português.


 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

apontamentos

Estou à espera que as minhas filhas lavem as dentuças. A Gr. hoje está insuportável, a Mr. aceitável.


 


No sábado, pelos vistos, há uma manifestação em Leiria, que supostamente fará número com outras a acontecer por todo o país e planeio lá estar, a ver se diminuo esta sensação de asfixia que sinto, esta desesperança.


 


Parece que o Crato esteve na Benedita... se soubesse tinha lá ido, rever colegas do Externato e cumprimentar a maior desilusão política do século, enquanto min. da educação.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

coisas boas

Tenho-me entretido a ver a Gr. brincar sozinha. Dois objetos, como um garfo e uma faca, duas molas, um lápis e uma tampa fazem de bonecos e oiço coisas como: vamos passiá, miga? vamos? chigámos. Ai vamos caiii... ai, vamos papar. Queres ir para o chão? sim, miga? vamos, então anda" e pode estar assim uns valentes dez minutos, o que para uma miúda com dois anos e meio é muito.


É giro e eu fico babada. Gosto de pensar que alguma coisa de bom ando a fazer.

Pingo doce, não venha cá se não tiver dinheiro na carteira

Hoje, pensei em ir ao Pingo doce comprar um peixinho para o almoço (era coisa que fazia com frequência: deixar as miúdas na escola e comprar um peixinho).


Depois, comecei a pensar: "pôrra, ter de ir levantar dinheiro só para comprar dois carapaus, detesto levantar dinheiro!" e não fui.


Fritei uns rissóis de leitão do Lidl.


O Pingo doce pode até estar a contribuir para poupar dinheiro (pois...) a algumas famílias portuguesas. À minha está a contribuir para aumentar os níveis de colesterol.


Ainda se os supostos milhões que vão poupar em comissões bancárias servissem para aumentar salários...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

a primeira vez

Há uma primeira vez para tudo. Hoje, pela primeira vez na minha, vida levantei dinheiro e fui às compras ao Pingo Doce. Até me tremiam as mãos quando entreguei o dinheiro à menina da caixa.

lata

Olha-me esta gaja, que veio aqui dizer que não lhe apetece queixar-se da vidinha! É preciso ter lata!


Tem marido talentoso em muitos e diversificados aspetos (nem vou enumerá-los), que paga as contas,  tem umas filhas saudáveis e giras (devem ser, pelo que a gaja conta), tem casa onde morar, tem carro para passear, tem horta com tomates e espinafres (uma epidemia de espinafres), mora a 20kms da praia mais próxima, está um calor de verão que pode aproveitar para passear (já que está desempregada) e a gaja vem aqui falar mal da vida! Chama-lhe vidinha...


 


é preciso ter lata!

vidinha

Este blog está a caminho de uma morte natural: primeiro as férias, agora em casa sem computador, sem ver outros blogs, sem fontes de inspiração, sem motivos para vir aqui a não ser queixar-me da vidinha...


 


Sem vontade de vir queixar-me da vidinha.


 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

atualizações

Voltámos a casa.


Eis o que tivemos estas férias:


uns passeios de bicicleta, uns piqueniques, uns banhitos no rio Zêzere na serra da Estrela e em Castelo de Bode, uns belos jantares no terraço em Belmonte, descanso das miúdas quando ficaram com os avós paternos, pés sujos, banho de piscina para as miúdas, noites mal dormidas à conta de pesadelos e pedidos de "leitinho" às cinco da manhã, os anos da Mr, em simultâneo com o batizado da Marg. (o M. achou por bem despejar vinho branco por cima da miúda, dado que ela tem seis meses e estava na hora de a batizar, juntamente com os pais, a X. e o B.)


 


De regresso a casa, tento arrumar a roupa que ainda está nas malas, tento relaxar e pensar que vou encontrar trabalho que ajude a pagar as contas (não fui colocada, obviamente), tento convencer a Gr. que em breve recomeça a escola (começa a chorar quando falamos nisso), tento definir prioridades para organizar coisas cá em casa, tento entreter as miúdas que não podem estar o tempo todo agarradas à televisão...


 


O M. já teve reunião geral de professores e saiu de lá como entrou (na ignorância).


 


Estamos expectantes.


 

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...