Desencontramo-nos nos passos e rotinas da manhã, desencontramo-nos nas tarefas da tardinha.
Encontramo-nos à mesa de jantar, onde é preciso escutar e atender pedidos sem fim, levantar e sentar e comer uma comida que entretanto já arrefeceu.
Desencontramo-nos ao serão, encontramo-nos na cama, muitas vezes em timings desencontrados: quando chegas para dormir, já eu durmo feito pedra, pedra pomes porque acordo ao mínimo gemido das miúdas.
E os dias sucedem-se.
Leio que é assim o casamento, já me tinham avisado que era assim o casamento, mas, embora vivendo bem na maior parte dos dias, noutros não consigo deixar de me sentir defraudada.
É um assunto muito intimo e particular, cheio de armadilhas porque "cada caso é um caso" mas vou só contar uma coisa, e pode ser que encontres uma nova perspectiva. Eu tinha dias que pensava o mesmo, queria mais da relação que tinha, não que me sentisse infeliz mas, lá está, defraudada, e as discussões acmulavam, e dificultavam mais ainda os desencontros das rotinas de todos os dias. Depois a vida interviu. Mandou o meu marido para longe durante a semana e vemo-nos em regime de fins de semana. Dia e meio, para ser precisa. E eu sinto falta dos dias parvos que tinhamos. E penso, caramba!, não tínhamos nada mais interessante para fazer? Em última análise, ainda percebi que não era o casamento que estava "morno" era eu que andava apagada... Era eu que me tinha defraudado. Claro que pode nem sequer haver semelhanças, e estar a dizer um disparate gigantesco, mas existe sempre uma perspetica que nos escapa, por vicio de pensamento.
ResponderEliminarPor cá é a vida... o facto de ser necessário trabalhar mais e mais para pagar as contas e de ser só um a fazê-lo, o trabalho que surge depois do expediente normal, o dos fins de semana, enfim. Às vezes parece que em vez de vivermos sobrevivemos. E é também a filha da mãe da TPM que me ataca nos pré e no pós e faz desses dias uns dias muito pesados.
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