quarta-feira, 14 de novembro de 2012

ambivalência ou não faço puto de ideia do que ando a fazer

"Vou fazê um zenho bunito pa ti. Qués? um uso cô de rosa, qués?" 


Tão querida, vai fazer um desenho para a mãe, logo de manhã. Tão querida e a seguir já se despiu toda e não me deixa vesti-la. Tão querida!


 


"O que foi o almoço na escola, Gr.?"


"Foi cáne e feijão."


Outra vez, ainda ontem foi carne e feijão!


"cáne e feijão." repete.


 


"Não foi nada! Foi arroz e carne!" diz a Mr.


"Não, Mr, foi cáne e feijão." insiste a Gr.


E ficam nisto.


 


A acreditar, portanto na Gr., a ementa da escola não muda. 


E é tão querida num minuto e no segundo seguinte já me apetece torcer-lhe o pescoço e quebrar-lhe a teimosia. 


A Mr. está tão lenta, tão lenta, que me divido entre o deixá-la fazer as coisas ao tempo dela e o apressar porque o relógio não pára e já está na hora de saber cumprir horários.


 


Esta ambivalência no que toca a filhos e filhas não é só minha, pois não?


 


 

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