"Toda a gente precisa de pipi, ninguém precisa de pilinha."
sábado, 29 de junho de 2013
sexta-feira, 28 de junho de 2013
quinta-feira, 27 de junho de 2013
regional geographic
O habitante da Batalha não cede passagem a automobilistas que saem de parques,
não agradece quando algum automobilista lhe cede passagem,
não pára nos stops,
não dá piscas,
deve dinheiro a toda a gente, mas está na boa, porque toda a gente lhe deve dinheiro também.
dúvidas existenciais
Eu cresço (em idade) e cada vez percebo menos da vida e das pessoas.
Quando éramos miúdos, regra geral, brincávamos em regime de separação: rapazes com bola para um lado, raparigas com bonecas, tachinhos, lacinhos, ou até nada, para outro.
Hoje, faz-se um jantar com homens e mulheres e tudo continua na mesma: rapazes com cerveja na mão para um lado, raparigas para outro.
Como é que se estabelece uma relação duradoura entre seres tão diferentes?
quarta-feira, 26 de junho de 2013
teorias da conspiração (versão mini)
Tenho a ligeira impressão de que há senhoras que criam blogs de receitas, com as receitas truncadas, para se divertirem.
Qual massa quebrada sempre no ponto, qual carapuça!
Vai sair uma bela tarte, vai!
pensar pequenino
Impossibilitada de tomar grandes decisões, alteradoras de vida, (não me apetece fazer grandes reflexões) limito-me decidir pequenino: hoje, vou limpar as gavetas e o exaustor.
Hoje, vou passar a tarde de perna ao léu, na varanda, com o livro que trouxe ontem da biblioteca (Zadie Smith).
terça-feira, 25 de junho de 2013
é hoje
...que vou (novamente) exigir pedir (por favor) que me sejam pagos os salários em atraso.
São muitos, vergonhosamente muitos.
Sinto vergonha por ter de pedir o que me é devido, vergonha por sentir vergonha, bem entendido,
vergonha pela entidade que não paga à cara podre e aparece vestida com peças que pagavam parte do que me é devido.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Era era
Não fosse eu estar em jejum (não dieta, jejum que é mais radical), alapava-me agora na varanda, a sentir o calor na carantonha, com uma cerveja à frente e um prato de amendoins, a fingir que estava numa esplanada, após um dia de praia. Era era.
a pinceza uinda
"Era uma vez uma pinceza, muito uinda, muito uinda. E havia um cocodiuo, muito gande. Um cocodiuo. A pinceza estava no castelo. Veio o cucudiuo e comeu a pinceza toda! Vitóia vitóia, acabou-se a nossa históia."
Dúvidas e dúvidas enchem-me a cabeça. Estarei eu a desempenhar corretamente o meu papel de mãe, quando tenho uma filha mais nova que conta histórias destas?
sexta-feira, 21 de junho de 2013
do M.
O M., hoje, obrigou-me a ir comprar roupa.
O M. anda preocupado com tanta coisa ao mesmo tempo que não grava nada do que lhe digo na cabeça.
Ao ver o M. trabalhar em tanta coisa ao mesmo tempo e a procurar mais coisas para fazer, para ganhar dinheiro, ao ver o M. pegar em calças para eu experimentar apetecia-me rir e cantar isto:
quarta-feira, 19 de junho de 2013
terça-feira, 18 de junho de 2013
não podem ser só queixumes
A televisão tem de sair dessa casa, mais os DVDs dobrados em brasileiro.
Não bastava minhas filhas andarem aí numa de ois e tudo legau para cima e para baixo, agora é a mãe, que nesta época do ano, depois de ver o anúncio do picnic do continente, passa o dia a cantar tony carreira (a falta de maiúsculas é propositada, sim?)
segunda-feira, 17 de junho de 2013
o que não sou
Exerço as funções de professora há 11 anos, mas não sou professora. Profissionalmente sou nada, mão de obra barata e nem sequer paga.
Creio que é isso que mais me "dói".
Se fosse professora, hoje faria greve. Mas não sou.
sábado, 15 de junho de 2013
socialização
Socialização: processo através do qual o indivíduo se apropria da cultura do local ou da região onde vive, das normas ; processo contínuo, onde intervêm todos os elementos que constituem essa cultura: pais e restante família, escola, meios de comunicação etc.
Os restantes elementos estão a cumprir com a sua função: a rapariga não vê telenovelas, mas anda aí a cantar "ai, ai, ai. Assim você mata o papai."
chegou
É oficial: estamos na idade dos porquês.
É maravilhoso! Mentira! é uma grande seca.
Vou ali pegar na enciclopédia e já volto.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
afinal...
Sento-me para escrever, de manga arregaçada, porque interrompi a arrumação da cozinha, e nada me sai.
Não há episódios interessantes das miúdas,
não há piadas sobre o desempenho do marido,
não me apetece falar da merda de trabalho que vou tendo nos dias que correm,
não me apetece escrever sobre a falta de vontade para fazer muitas coisas, não quero queixar-me.
Não devo queixar-me de barriga meia cheia, quando há tanta gente de barriga vazia.
Não há revisão da matéria dada que me salve, porque afinal, ter muita coisa, mas não ter uma vida profissional ativa e minimamente interessante é mais importante para mim do que à primeira vista parecia ser.
Sobre o não poder queixar-me havia tanto a dizer. Isto de não nos sentirmos à vontade para dizer mal da vida porque há sempre alguém pior é tão pernicioso. Mais um fruto da puta da crise (tinha de vir o palavrão)
quarta-feira, 12 de junho de 2013
apontamentos
A Gr., na sua fase surrealista, enquanto se ouvem, na rua, foguetes: "tenho de ir tirar o barulho cor de rosa dos foguetes."
A Gr. na sua fase hindú: "estou indo caminhando" em resposta à pergunta "que estás a fazer?"
A Mr., na sua fase "não sei como lhe chame": "bolas, mas tu agora não tens emprego?!" quando lhe disse que era eu que as ia buscar, outra vez hoje.
Nada a registar. Nesta época do ano é a incógnita de sempre, que se prolongará de forma indefinida.
Tenho pensado nos meses que aí vêm. Na nova fase da Mr. Em setembro começa o gastar pipas de massa em material escolar. Começam (eu ia escrever preocupações, mas vou ver a coisa pela positiva e dizer) novos desafios.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
titleless
Não me tem apetecido escrever. Aqui ensimesmada com os meus "coisos" mais profundos, com os meus medos e com as minhas merdas.
Tenho medo da morte e não sei lidar com ela.
Não saberei lidar com ela.
terça-feira, 4 de junho de 2013
arrumações e narizes partidos
A minha filha mais nova é tão arrumadinha, que chega a casa, despe sozinha a roupa que levou para a escola, cuecas inclusivé, e arruma tudo na primeira gaveta que encontra.
Tão linda, tão fanhosa.
Estamos com medo que lhe aconteça o que aconteceu ao pai: até aos seis anos teve o nariz perfeitinho. Depois, caiu da bicicleta, partiu-o e nunca mais respirou como antes.
Agora, dorme com cpap (máquina que ajuda a respirar durante a noite e não permite que faça apneia).
dúvida existencial
Chega esta altura do ano e os anúncios a bebidas alcoólicas ditas refrescantes crescem como as urtigas no meu quintal.
E irritam-me.
Irritam-me porque nos espetam com praias lindas ou esplanadas cheias de gajas boas e gajos bons, sol e mar...
Gajas boas e gajos bons (desculpa, mãe). Não há uma mãe de família, não há um pai, não há uma criança a passear-se, entretida a brincar...
Qual é o raciocínio das agências publicitárias?
Pais e mães de família não são o público alvo, afinal mães e pais não bebem alcool?
Os jovens livres e desimpedidos, bons e boas, não bebem o suficiente nesta altura do ano e é preciso convenvê-los?
Convencer os pais e mães de família que se beberem mais cerveja XPTO vão transformar-se em gajos e gajas boas, sem filhos besuntados de areia e gelados, agarrados às pernas, após um dia de praia?
domingo, 2 de junho de 2013
dos fins de semana e da industria farmacêutica
Senhores da indústria farmacêutica:
ainda não perceberam que nisto dos xaropes tem de haver um equilíbrio, um meio termo?
Um xarope não pode ser tão mau que não se consiga fazer uma criança beber aquilo nem a troco de uma caixa inteira de pintarolas, como é o caso do panasorbe (chiça, que aquilo é horrível, até eu me arrepio toda só de pensar), nem tão bom como o ben u ron, que faz com que a chavala mais nova se equilibre em cima de um banco para o ir buscar onde julga que ele está e depois se atire cá para baixo, onde aterra com o nariz no chão, deixando-o (o chão) todo ensanguentado.
Pois foi isso que aconteceu, senhores que produzem o ben u ron! Logo no preciso momento em que a mais velha acorda suada e a tremer de frio e precisava de lhe ver a temperatura! Fiquei sem saber se acudia à miúda que tiritava, se à que de bruços no chão, chorava de forma muito aflitiva. Mais atarantada fiquei quando a levantei e vi o sangue que lhe escorria pela cara toda. Pois é, senhores, pois é.
E a culpa é de quem? Vossa, pois que se não fizessem um xarope tão bom, isto não tinha acontecido.
Meio termo, senhores, meio termo.
fazer a revolução (outra vez)
Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...
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Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...
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Estou aqui ou não?
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Estamos em casa. À minha volta vejo sacos e malas. Ouço as miúdas na casa de banho, dentro da banheira, a livrarem-se de sal e areia acumula...