Andei piúrça o dia todo... melhor, eu andei foi fodida o dia todo.
Acordei com expetativas elevadas e o gajo nada. Como se fosse um dia normal.
Passei o dia todo a dizer a mim mesma: "acaba com as expetativas, acaba com elas, elas é que são aqui o problema."
E lá fui andando, calando as minhas vontades de os esganar, de lhe arrancar a cabeça, "a culpa é tua que esperas coisas que já sabes que não têm de acontecer, afinal um ano ou outro até se esqueceram, os dois, deste dia... iadaiada" ia eu murmurando.
Fui dar as minhas aulas, fui buscar a miúda à piscina e, como quem não quer a coisa, mandei-lhe uma mensagem onde perguntava lhe não lhe passava pela cabeça ser ele a fazer o jantar. Não me respondeu e lá recomecei a criar minhocas "olha, se calhar já era ideia dele fazer um jantar e queria que fosse surpresa e agora estraguei-lhe os planos, ui ca bom que era, pshiu, cala-te, pára com isso, não vai haver nada, vai vai..."
Cheguei a casa, afinal não me respondeu porque não tinha o telemóvel carregado: "estás a ver, pára definitivamente de criar expetativas e pára lá de lhe quereres arrancar a cabeça, o tipo não tem culpa, é gajo, é gajo, não há nada a fazer!"
Quinze minutos depois de estar em casa, vem-me com uma ar comprometido dizer que se calhar ainda tem de ir a Leiria entregar não sei o quê, a não sei quem.
É agora que eu o mato, pensei logo.
Mas não matei, fiquei ali na cozinha a engendrar um jantar e a convencer-me, mais uma vez, de que era um dia igual aos outros: "é um dia normal, faz lá o jantar e acaba com ele, o dia, não o marido, obviamente."
Tocam à campainha. Era a R. Luz da minha vida. Mandam-me os dois ir vestir e eu fico ali, parva a olhar.
Fomos jantar fora, os dois, a reserva estava feita, a R. fez o jantar, fez babysitting, com a ajuda do R. e pôs as miúdas na cama (santos R. e R.).
As expetativas são tramadas e o M. também. Fez-me sofrer o dia todo para, no fim, me levar a um restaurante fantástico, onde pudemos namorar ao som de uma refeição deliciosa.
Sete anos não é nada, mas até é.