segunda-feira, 23 de junho de 2014

comida "groumet" (deixa meter aqui umas aspas não vão pensar que eu não sei como se escreve)

"As sardaniscas deixam-me um gosto mau na boca, mãe. Não quero comer. blhac!"- diz a Mr. ao jantar de ontem.


 


 


Se eu estivesse a comer pataniscas, a pensar que eram sardaniscas, provavelmente também sentiria um gosto mau na boca.

tudo tão patriota

mas depois nem a língua sabem usar (para falar e escrever, pelo menos)!


É melancia! Melancia!


 


Não é melância, caralhoças!!

sexta-feira, 20 de junho de 2014

nem sei que te diga

Onde vais com a tesoura, Mr. vai fazer a ficha!


Mas ali diz para retirar do texto a palavra que eu gostei mais...

quinta-feira, 19 de junho de 2014

as férias - atividades com os nossos filhos

Com a Mr. de férias, após o final do 1º ano de escolaridade, enfrento questões que até agora não eram problema.


Até ao ano passado, ela estava no infantário que só fecha em agosto. Depositava-a lá de manhã, mesmo estando eu de férias, de consciência tranquila. Ai que mãe! Então está de férias e põe a filha na escola?


 


Agora, a escola fecha e cá a tenho em casa, 24 sobre 24. Que maravilha, grita a matilha da parentalidade positiva.


Que horror, grito eu! 


Eu não sei entreter criancinhas, ainda que as criancinhas sejam minhas.


Ela acorda, vamos as duas deixar a mais nova ao infantário, tomamos o nosso café (eu, ela não), compramos um peixinho para o almoço e vimos para casa.


Eu tenho uma casa, que todas as noites se transforma num caos, para arrumar. Ela quer ver televisão ou brincar com a vizinha. E assim começam os meus problemas: eu quero paz e sossego para arrumar e não permito que ela se limite a estas duas atividades.


 


Um destes dias, ela espalhava-se pelo sofá, como um polvo, suspirava e dizia: "não tenho nada, nada, nada para fazer...." como se fosse um disco riscado. Eu, da ombreira da porta, olhava para ela e equacionava as hipóteses. Posso ir procurar qualquer coisa para fazer contigo ou posso deixar-te aí até que tu própria encontres maneira de te distraires.


 


O meu marido chamou-me a atenção para o facto de que até nós nos aborrecemos quando não temos nada para fazer, quanto mais uma criança. Sim, ele tem razão. Acontece que, na minha maneira de ver as coisas, eu não acredito mesmo que nós temos o dever se ser a fonte de entretenimento dos nossos filhos ou que temos de ser nós a encontrar algo para os entreter. Cabe-lhes a eles, dentro das possibilidades que lhes damos, escolher o que querem fazer.


À Mr. eu já tinha sugerido uma série de atividades que a poderiam ocupar algum tempo. Ela declinou-as, que fizesse então o que bem lhe apetececesse, ainda que tal fosse ficar espalhada no sofá feito um polvo.


 


Por isso, sabendo que eles na escola têm atividades claramente planeadas a pensar neles, é que nunca tive qualquer problemas de consciência em deixá-la na escola, mesmo quando eu já estava de férias.


 


 


 

terça-feira, 17 de junho de 2014

a minha mais nova

"Quando for grande quero ser..." é um dos temas propostos pelas educadoras da sala da Gr.


Entre os "quando for grande quero ser cabeleireira, bailarina, bombeiro, padeiro, professora de pequeninos..." está o da Gr.


 


"Quando for grande quero ser princesa".


 


Podia tecer imensas considerações cuchi cuchi, mas só me apetece dizer que não tenho a certeza se isso dá dinheiro suficiente para viver. 


Sim, sou uma cínica....

jogo de futebol

As crianças é que sabem, os adultos esquecem-se que isto no futebol o que interessa é o espetáculo do golo.


Ontem, quando fui buscar a mais nova ao infantário, via-se o jogo. Todos, dos mais pequeninos sentados nas cadeirinhas, aos mais velhos enrolados em bandeiras, saudavam e festejavam os golos. 


Mas isto sou eu, que não percebo um orgão sexual masculino de futebol.


 

sábado, 14 de junho de 2014

abdico

foi a primeira palavra difícil que aprendi, nos livros do Asterix.


Abdico da casa arrumada e limpa...


abdico de educar durante meia hora, mas deixem-me só descansar um bocadinho, filhas!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

mixtape

Quem me conhece bem sabe que por entre sorrisos e encolheres de ombro, as vezes em que ando bem são bem menores que as outras.


Tenho uma amiga que me vê poucas vezes, muito poucas, mas insiste em apontar os meus down moments e a necessidade de fazer algo para mudar, "algo por ti" é a expressão que ela usa com mais frequência. Bem lá no fundo, no fundo, fico contente por vê-la tão poucas vezes, porque ela traz ao de cima a minha inércia que só me prejudica. 


Eu vivo relativamente bem com a minha inércia, o problema é quando ma esfregam na cara. Aí, a coisa corre menos fino.


 


O que interessa agora é que eu gostava de conseguir fazer entender à minha amiga que enquanto o participar de salvamentos de galinhas que saltam o muro da quinta vizinha me fizer soltar umas boas gargalhadas eu até me aguento. 


 


 

terça-feira, 10 de junho de 2014

Mr.

Dia da raça.


Não me apraz o conceito de raça com que cresci, aquele que antropologicamente nem sequer existe.


No entanto, comecei assim o texto porque quero falar da raça da minha filha mais velha, que numa manhã aprendeu a andar de bicicleta.

domingo, 8 de junho de 2014

sábado à noite

Reza a lenda que correu melhor do que a estreia. Não sei, mas que foi do catano, isso foi!

sexta-feira, 6 de junho de 2014

ora digam lá

que não vos apetece fazer a árvore de natal?


 


Com este friozinho, esta musiquinha cai bem, não cai?


 


quinta-feira, 5 de junho de 2014

o tipo de mãe que eu sou

Gosto muito dos textos do João Miguel Tavares, especialmente aqueles em que ele reflete sobre a paternidade.


 


Revejo-me na ideia de que "a boa entrega - aos teus filhos, à tua mulher, ao teu próximo - tem de ser uma entrega pacificada, e não revoltada. E as minhas entregas - porque eu entrego-me - são, demasiadas vezes, bastante revoltadas."


 


Substitua-se ali a entrega à mulher por marido e esta sou, a que tem de se domesticar para colocar os interesses das filhas e do marido acima dos seus. Aquela que não vai ao barre terre porque o marido tem de trabalhar e não pode ficar com as miúdas, mas fica revoltada e chateada, por exemplo.


E sei que internamente seria uma pessoa bem mais tranquila se essa "desistência" do que me faz feliz em prol do que as faz felizes a elas fosse encarada como uma felicidade e não como uma fatalidade.


 


Sim, é este o tipo de mãe que sou.

terça-feira, 3 de junho de 2014

a minha crise

Aqui há uns tempos, uma pessoa que faz aula de barre terre comigo partilhou uma "boca" que um senhor cubano mandou numa confererência a que ela assistiu. Quando convidado a falar sobre a crise portuguesa, disse que em Portugal não havia crise nenhuma, que ainda há muitos gatos na rua. Em Havana não há gatos na rua, enquanto apontava para a barriga.


Concedo que, realmente, a maior parte das pessoas que conheço ainda não recorre a receitas de gatos vadios para matar a fome, mas esta versão do que é uma crise a mim não me convence.


 


Quando falo com os meus colegas professores contratados, vejo o mesmo desespero, a mesma angústia que me assola a mim, resultante da ausência total de esperança num futuro melhor.


A conversa gira sempre à volta "do que vamos fazer". No meio da escola pública, o túnel aperta e vamos perdendo a esperança de trabalho, no privado, as vagas estão preenchidas ou reina o "compadrio", que aliás cresce cada vez mais também no público.


 


Somos milhares, num túnel do qual não conseguimos sair, mas insistimos. Somos teimosos ou burros?


 


Levamos até às últimas a máxima de que a esperança é a última a morrer e insistimos. Chega esta altura do ano e lá vamos nós concorrer ao concurso nacional de professores, sabendo de antemão que ali não há nada para 95% de nós.


Somos burros, é a conclusão mais óbvia.


Excluindo conclusões que,vistas de fora, são óbvias, o que se passa é que se nos pomos a pensar em alternativas, elas exigem  investimento em formação, para a qual a maior parte não tem capacidade financeira e sem garantias nenhumas de trabalho, ainda que precário.


 


Esta é a minha "crise".

domingo, 1 de junho de 2014

Não se está mal no Arrimal, parte 2

as minhas filhas

 


Na semana anterior:


"No dia da criança quero o pequeno-almoço na cama."


"Eu também."


 


No dia da criança:


serve-se um pequeno-almoço constituído de leite com chocolate e torradas para a Mr., leite com nestum para a Gr.


Gr. pede torradas também. 


"Mr. achas que vais comer as torradas todas ou dá para partilhar com a Gr.?"


 


"Eu partilho, mãe, chega para as duas. Tu sabes que eu não sou pessoa de comer muito, sou mais de beber."


 


Socorro!!! 


 


 

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...