Aqui há uns tempos, uma pessoa que faz aula de barre terre comigo partilhou uma "boca" que um senhor cubano mandou numa confererência a que ela assistiu. Quando convidado a falar sobre a crise portuguesa, disse que em Portugal não havia crise nenhuma, que ainda há muitos gatos na rua. Em Havana não há gatos na rua, enquanto apontava para a barriga.
Concedo que, realmente, a maior parte das pessoas que conheço ainda não recorre a receitas de gatos vadios para matar a fome, mas esta versão do que é uma crise a mim não me convence.
Quando falo com os meus colegas professores contratados, vejo o mesmo desespero, a mesma angústia que me assola a mim, resultante da ausência total de esperança num futuro melhor.
A conversa gira sempre à volta "do que vamos fazer". No meio da escola pública, o túnel aperta e vamos perdendo a esperança de trabalho, no privado, as vagas estão preenchidas ou reina o "compadrio", que aliás cresce cada vez mais também no público.
Somos milhares, num túnel do qual não conseguimos sair, mas insistimos. Somos teimosos ou burros?
Levamos até às últimas a máxima de que a esperança é a última a morrer e insistimos. Chega esta altura do ano e lá vamos nós concorrer ao concurso nacional de professores, sabendo de antemão que ali não há nada para 95% de nós.
Somos burros, é a conclusão mais óbvia.
Excluindo conclusões que,vistas de fora, são óbvias, o que se passa é que se nos pomos a pensar em alternativas, elas exigem investimento em formação, para a qual a maior parte não tem capacidade financeira e sem garantias nenhumas de trabalho, ainda que precário.
Esta é a minha "crise".
Sem comentários:
Enviar um comentário