quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

os pontos

Quando a maria josefina diz ao seu homem, manel, que num certo dia quer forrobodó conjugal, o manel vai à sua vida e, à noite, quando chega à cama, atira-se para cima da maria josefina.


A maria josefina fica amofinada e manda-o dar uma curva. O manel não entende nada, vira-se para o lado todo lixado e adormece passados trinta segundos.


O manel não entendeu ainda que para a maria josefina os preliminares começam logo depois do anúncio de que quer forrobodó. Que para a maria josefina há todo um conjunto de acontecimentos que têm de ser postos em movimento pelo manel, que a maria vai criando um conjunto de expetativas às quais o manel teria de responder e não responde.


O manel não entende. 


Mas a maria josefina tem culpa no cartório. É que ela, sabendo bem como funciona a cabeça do manel, nunca foi capaz de lhe dizer, ponto por ponto, o que espera dele, tal como lhe diz na lista de compras (pacote de leite meio gordo, com 30% de matéria gorda, sem lactose, da marca xpto, os pacotes azuis e cor de rosa; 1 frasco de champô de camomila, de 200 ml, da marca xyz, frascos amarelos com letras verdes...)


Este há-de ser sempre o problema base na vida do manel e da josefina: não por os pontos nos is.


E antes que pensem que este post é uma parábola sobre a minha vida, explicito que não, é uma parábola sobre a vida a dois de qualquer casal, seja ele "straight", seja "gay".

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