quarta-feira, 30 de novembro de 2016

microcosmos

Elas não se misturam comigo. Almoçam não sei onde e quando vão tomar café não há um "queres vir tomar café?"


Eu vou sozinha. 


Quando chego ao café, elas já estão sentadas e há espaço, mas não há um "senta-te aqui connosco, se quiseres."


Hoje, o único colega chegou à sala de professores do 1º ciclo e vendo que eu já tinha almoçado deu-me um "já almoçaste? anda tomar café." Eu fui, agradecida por ter companhia pela primeira vez.


Quando chegámos ao café, elas estão sentadas. As do 1º ciclo numa mesa, as da pré-primária noutra, longe umas das outras.


Não é a diferença de horários, porque no que diz respeito à hora de almoço, ela é igual para todos aqui.


É a diferença de atitude, é uma postura que me incomoda, de microcosmos que não se misturam.


 

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

calendário, 2016 (tchannnnnnn)

Chegou aquela altura do ano em que só dá calendário do advento. 


Este ano teve a mãozinha (muito grande) do pai e ficou bonito. O pai tem mais paciência para estas merdas coisas e saiu isto:


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 Só usámos materiais que já havia em casa. Eu andava a colecionar rolos de papel sem saber muito bem para quê, era mais um saco que andava aí aos caídos e afinal até deram jeito. A base é uma espécie de contraplacado muito fininho que andava na garagem, os rolos, antes de serem pintados com spray prateado, foram recortados para depois os conseguirmos colar na base. Dentro de cada rolo, que tem uma tampa, vou meter um papel com as atividades. Foram as miúdas que escreveram a maior parte dos números nas tampas. 


As atividades são mais ou menos vira o disco e toca o mesmo, com algumas mudanças. Mais focadas em coisas simples, para ver se desta vez conseguimos cumpri-las. 

domingo, 27 de novembro de 2016

a mais velha

A miúda mais velha esteve a estudar matemática. O pai deu-lhe exercícios e a miúda fez, sem que houvesse gritos ou grande espalhafato.


Dei por mim, na cozinha, a questionar-me sobre se estaríamos a assistir ao tal clique que achamos que lhe falta, aquele bocadinho assim, que a fará ser mais organizada, concentrada e aproveitar melhor as capacidades que tem (pôrra, estou a soar a relatório de avaliação de final de período).


 

Untitled

Eu não sou uma mãe perfeita, nem sequer queria ser mãe.


Aconteceu-me ser mãe e eu vou sendo mãe.


Eu sou uma mãe que se sente a falhar, em toda a linha, quase todos os dias, sou uma mãe que está sempre à beira de se afogar.


Se a maternidade fosse uma piscina, eu seria sempre aquela tipa a esbracejar, a afundar-se e vir à tona. Sai-me do corpo, sai-me de todos os lados. E às vezes, consigo sentir-me bem porque não foi desta vez que me afundei.


Outras, deito-me com a impressão de que morri na praia. 


Provavelmente, esforço-me de mais. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Copias! Odeio cópias!

As cópias são um atentado à segurança das crianças que habitam esta casa. As cópias deixam as crianças desta casa num estado tal que a mãe que mora na mesma casa fica igualmente num estado tal que só lhe apetece mandar as crianças a um sítio muito feio e pela porta fora.

bitter sweet simphony

Uma destas noites, ao jantar, fizeram-se planos para o aspeto físico do calendário do advento de 2016. Foram lançadas ideias por todos os membros da família, foi-se ao pinterest. Senti-me bem, como se escreve agora por aí, fiquei de "coração cheio". (ou será coração quente?) Olha, que bom, nós aqui em família, a planearmos uma coisa que nos faz feliz, ai como somos uma família tão gira e fofinha.


Depois, todos se levantaram e eu fiquei a arrumar a cozinha sozinha. Rima e é verdade.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

eu disse-te, não disse?

Ela entra em casa. Leva a mochila para a sala e senta-se na mesa que antes era a mesa que estava em frente à televisão, a chamada mesa de centro ou coffee table. Tenho de fazer os trabalhos de casa, ela diz assim, não diz TPC.


Abre os livrinhos, aquilo são livrinhos, pega na bolsa, já diz bolsa, à moda das gentes desta zona, e faz os trabalhos de casa.


A caligrafia é algo irregular, mas bem desenhada. Ainda tem de aprender a regular os tamanhos das vogais e das consoantes, nem sempre reconhece algumas letras e tem dificuldade em juntá-las. 


Se lhe digo que podia fazer melhor e lhe peço licença para apagar, olha para mim com um ar embaraçado e ao mesmo tempo aborrecido, mas deixa-me apagar e volta a fazer mais bem feito.


Depois de ter feito os trabalhos, nem sempre consigo que leia. Nem sempre lhe apetece, mas vem ter comigo muitas vezes, com o primeiro papel que lhe veio às mãos e pede-me para a ensinar a escrever palavras. São quase sempre os nomes das crianças com quem brinca na escola. Desenha as consoantes novas, juntando-lhe as vogais. Na semana passada, quis aprender o D. 


Na rua, nos letreiros, reconhece letras e faz uma festa.


Diria que a adaptação ao 1º ciclo está a correr top top.


 


 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

escolho não ver

escolho não ver as montras


escolho não olhar para o presépio já montado no sítio do costume


escolho passar em passo acelerado pelos corredores das lojas atascadas de decorações natalícias


não ver as iluminações prontas para o pisca pisca anual


escolho ignorar


ainda é cedo


se cedemos já, começamos já a comprar. Compramos o que precisamos e o que não precisamos e andamos a comprar desde outubro até à véspera


não! ainda é cedo e não é isso o mais importante

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

escrevo menos

Vivo mais, escrevo menos.


Corro mais, escrevo menos.


Preparo aulas com muitas coisas, escrevo menos.


Leio mais, escrevo menos.


Vejo filmes, escrevo menos.


Vou ao ginásio, escrevo menos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

amador

Fazer teatro amador é ter de chegar ao sítio onde vamos representar a nossa peça e descarregar o cenário e depois montá-lo no palco, que, às vezes, é pequeno e outras vezes tem pianos de cauda em cima. É ter de afinar luzes e projetores e filtros e som.


É ir procurar os "camarins" e perceber que às vezes não há camarins, mas sim espaços estreitos atrás do palco onde todos nos teremos de encaixar para nos vestirmos/ despirmos, maquilharmos e aguardar a entrada em cena.


É morrer de calor ou de frio antes, depois e durante o espetáculo.


É ter de levar farnel e fazer uma patuscada antes do espetáculo começar, ali mesmo, na plateia.


É levar o espetáculo à cena e, a seguir, com a adrenalina toda a correr no sangue, ir beber uma mini para acalmar e, logo a seguir, quando o cansaço chegou, quando sentimos dores no corpo todo, ir desmontar o cenário e carregar a carrinha.


Fazer teatro amador é ir para casa, a 200 kms de distância, e voltar outra vez, as vezes que forem precisas, para repetir tudo outra vez.


É muito bom!

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Não tu

Achei que ias mesmo viver para sempre. Leonard Cohen... Não tu... Ainda acalentava a esperança de te ver ao vivo. Não tu...

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

dias que não contam

Nos dias em que quase não falamos um com o outro, porque chegamos um depois do outro, porque te agarras ao trabalho, porque vou ao ginásio, porque a falta de tempo para tudo comanda, nesses dias, em que nem na cama te encontro porque uma das filhas apareceu e por lá ficou, esses dias não contam no meu calendário.


Para mim é quarta-feira, hoje.


E no entanto, é quinta. O dia de ontem existiu.

O clássico cá de casa

quando elas começam a aprender as primeiras letras:


toto.jpg


 

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

trocadilhos parvos e ginásio

Hoje ia fazer jump, mas não havia quorum.


Fiz wod (workout of the day) e eu, que ensino inglês, fico feita estúpida a olhar para o quadro com as indicações.


Ele é jumping jacks, walking lunges, clean and jerks... e o que gozei interiormente com o "jerk"? Aqui estou eu, jerking off, em vez de estar em casa a corrigir testes e fazer o jantar, dava por mim a pensar. E ria-me, feita parva, enquanto o resto de pessoal olhava para mim, com ar de quem está a pensar "esta é doida".


 


 


 

Fot and Trump

Trump won. Fot (fly over territory) knows...

terça-feira, 8 de novembro de 2016

hibernar

Hibernei porque está frio, agora a sério e porque tenho uma resma de testes para corrigir.


Rio-me, para não chorar, com respostas destas:


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Não é apenas uma, nem duas. São muitos sex à laia de six. Grandes malucos me sairam estes miúdos!


(Muitos tems também)


 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

tu

Durmo melhor depois de uma noite como a de ontem, sabias?


O jantar estava bom e o vinho era bom e o bom de tudo foi teres sido tu a fazer quase tudo.


 


 


 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

sequência

Primeiro, andamos muito contentes atrás dos nossos filhos enquanto eles pedem "bolinho" e depois....


andamos deseperados a tentar livrar-nos das quantidades absurdas de doces que temos em casa.


Levo doces para a minha escola, da escola das miúdas vêm doces que a professora dá, levo doces aos vizinhos, os vizinhos dão-nos doces, ofereço doces como recompensa aos miúdos que se portam bem, eles dão-me mãos cheias de rebuçados...


No fim, ainda deito rebuçados melados ao lixo, lá por alturas da páscoa.

a minha criança

Eu tenho um metro e meio, mas a criança que mora dentro de mim deve jogar basquetebol num clube dos grandes da NBA.


Fui ao lidl e deram-me isto:


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Vim para casa toda contente.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

who's the best?

cheguei a casa, vinda do ginásio e vem o marido ter comigo à porta, com um ar furibundo. Tu vai ver o que as tuas filhas fizeram ao quarto, vai ver a bagunça!


Eu fui e honestamente não achei que houvesse mais bagunça do que a bagunça normal após um dia inteiro em casa (ontem).


Já me vinha embora, queria adiantar o jantar e tomar um duche, mas o marido obrigou-me a entrar novamente no quarto. Tu vê o que elas fizeram na cama, tu vê! berrava ele.


Sinceramente, não achei que a confusão fosse maior do que das outras vezes. Puxa o edredon para trás, tu vê!


Puxei o edredon e estava lá este papel:


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Eu li o papel umas duas vezes, sem perceber. Achava eu que devia pura e simplesmente apreciar aquele papel, o facto de os três se terem juntado para o escreverem e fazer essa surpresa.


Mas um bocadinho à frente, pousadas estavam estas lindas


 


 


 


 


 


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Está a passos largos de ficar melhor do que o marido da cocó!


 


 

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...