terça-feira, 22 de novembro de 2016

eu disse-te, não disse?

Ela entra em casa. Leva a mochila para a sala e senta-se na mesa que antes era a mesa que estava em frente à televisão, a chamada mesa de centro ou coffee table. Tenho de fazer os trabalhos de casa, ela diz assim, não diz TPC.


Abre os livrinhos, aquilo são livrinhos, pega na bolsa, já diz bolsa, à moda das gentes desta zona, e faz os trabalhos de casa.


A caligrafia é algo irregular, mas bem desenhada. Ainda tem de aprender a regular os tamanhos das vogais e das consoantes, nem sempre reconhece algumas letras e tem dificuldade em juntá-las. 


Se lhe digo que podia fazer melhor e lhe peço licença para apagar, olha para mim com um ar embaraçado e ao mesmo tempo aborrecido, mas deixa-me apagar e volta a fazer mais bem feito.


Depois de ter feito os trabalhos, nem sempre consigo que leia. Nem sempre lhe apetece, mas vem ter comigo muitas vezes, com o primeiro papel que lhe veio às mãos e pede-me para a ensinar a escrever palavras. São quase sempre os nomes das crianças com quem brinca na escola. Desenha as consoantes novas, juntando-lhe as vogais. Na semana passada, quis aprender o D. 


Na rua, nos letreiros, reconhece letras e faz uma festa.


Diria que a adaptação ao 1º ciclo está a correr top top.


 


 

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