sexta-feira, 31 de março de 2017

barata tonta

Gostava que blogasses mais por aí, ou que observasses mais as mães que pupulam as nossas vidas, sejam íntimas, sejam conhecidas de vista, sejam puras desconhecidas, de passagem pelos mesmos percursos.


Gostava que percebesses que não sou a única ligada à puta da corrente chamada ansiedade. Não que isso me desculpe do que quer que seja, mas que te ajude a entender-me um bocadinho melhor, nos meus stresses, nas minhas baratices tontas pela casa, nos meus gritos. Que saibas que também sou muito isto.


 

fui queixinhas

No supermercado do costume (o meu), uma senhora sobe literalmente para cima do longo frigorífico onde estão todos os laticínios e quejandos para escolher um queijo fresco.  "só assim é que lá chego", diz para o ar, para quem quiser ouvir, em jeito de justificação. Penso com os meus botões que seria mais civilizado pedir ajuda a um funcionário.


Chega uma "amiga" e diz-lhe que quer um queijo de bola mas gosta de os escolher. Começam ambas a abrir embalagens de queijo para analisar a qualidade e forma das bolas de queijo. Apeteceu-me mandar dois berros, mas calei-me. Eram senhoras já com idade para ter juízo, mas se faziam aquelas figuras juízo não tinham de certeza e ainda me mandavam, cheias das suas razões, à merda ou a um sítio bem pior.


Na caixa, na fila, toda eu era comichões. Quando chegou a minha vez de pagar, olhei para o funcionário nos olhos, ele olhou para mim com ar inquisidor e eu aproveitei e disse:


 - não sei se diga, se não diga....


ao que ele respondeu:


 - diga....


ao que eu disse:


 - estavam duas senhoras nos queijos a abrir embalagens de queijo.


 - Sabe dizer-me quem eram? perguntou.


 Agarrando nos sacos, acobardei-me e disse que "isso já não sei." Mas sabia, pois sabia. Não tive foi coragem de o fazer. Fui queixinhas e cobardolas.


 

sexta

 





 



Odeio segunda
Não gosto de terça
Melhoro na quarta
Sorrio na quinta
Gargalho na sexta
E subo na mesa


Ali começo a dançar
E só vou parar
Quando a polícia chegar






quinta-feira, 30 de março de 2017

mas os gajos são todos bons! (bardamerda)

Não vou começar a comer margarina nem usar aquele detergente só porque me aliciam com um gajo todo bom. A exploração sexual, seja feminina, seja masculina, que agora anda aí a bombar, como se as mulheres estivessem todas submetidas a um período de cio, para mim não funciona e custa-me acreditar que funcione para as outras mulheres.


Se já me era difícil ver quase tudo o que é produto ser vendido através da exploração do corpo da mulher, mais me custa esta nova onda inversa. Onde é que há aqui mostras de reconhecimento de igualdade entre géneros? Não é esta igualdade que me interessa.


Vou continuar a comer manteiga e a usar o detergente escolha acertada da proteste.

terça-feira, 28 de março de 2017

estou mal

Estou mal.


Mal do corpo, que se queixa da falta de treino ou do excesso dele, o gajo não se decide (no sábado levei uma coça tão grande que fiquei de cama com enxaqueca a tarde toda).


Mal da cabeça, que me esqueço de coisas importantes (deixei os testes que tinha de entregar corrijidos amanhã na escola, por exemplo), esqueço-me de palavras e de como se diz determinada coisa, de coisas que é preciso comprar, dou erros, estou a corrigir cenas e tenho de parar para pensar se estou a corrigir bem, não sei para onde me hei-de virar.


Às nove da noite o meu corpo e o me cérebro gritam CAMA e não posso, aliás, às nove da noite estou a acabar de jantar porque a mudança da hora mexeu com tudo em mim, como mexem todas as mudanças de hora. Às nove horas dou por mim a chamar para a mesa, aflita porque são nove horas, mas fui fazendo o jantar pensando que ainda era cedo e depois olho para o relógio e afinal são nove da noite!


Estou toda choné. Canto nas aulas, dou erros de palmatória no quadro, que os próprios miúdos corrigem, oscilo entre


"meus amores, façam pouco barulho, meus lindos"


e


"mas calem-se caraças (sim, eu às vezes digo cenas destas) ou vai já tudo corrido à paulada" (estou a exagerar, não sou assim tão violenta verbalmente).


Estou choné. Falo sozinha em casa, em voz alta, e chamo-me nomes e digo


"estás parva, pá!" vinte e cinco vezes por dia, às vezes vinte e sete.


Estou choné.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Big brother's watching you, eles andem aí, etc.

Durante cerca de um ano vivi, muito bem, sem facebook. Um dia qualquer, há uns meses, cansei-me de não saber de alterações de aulas no ginásio, que só eram comunicadas por facebook (mudavas de ginásio, não?), criei um novo.


O meu único "amigo" era o ginásio, depois, atrelada, veio a dona do ginásio, uma miúda porreira. Atrás da miúda porreira, dona do ginásio, veio a amiga da dona do ginásio. Depois, alguém se queixou de que eu não tinha facebook e assim não dava para partilhar as cenas engraçadas que encontrava na net comigo, e esse alguém passou a ser também meu amigo e depois mais outra pessoa que se queixava do mesmo, depois mais umas senhoras do ginásio...


 


Hoje, andei a cuscar voos para fora, mais casas e cenas que tal. E assim que chego ao facebook para mandar uns bitaites! Tchram! toma lá anúncios sugeridos especialmente para ti, de voos baratos para aquele sítio onde pesquisaste e casas nos sites tal e tal!


Eles andem aí!

não venho

Não sei, não sei.


Vir aqui falar do frio e da chuva, não sei.


Vir aqui falar da vida pequenina em geral, não sei.


Vir aqui e debitar asneiras ou piroseiras ou outras coisas acabadas em eiras, não sei.


Por isso, não venho.


 

terça-feira, 21 de março de 2017

sete

Fizeste ontem sete anos. O dia amanheceu farrusco e deitou-se farrusco. Deixa lá. Não posso fazer comparações entre o dia de ontem e o dia em que nasceste há sete anos. Não sei se choveu. Se fez sol. Só sei que nasceste.


Nasceu a Mr. como irmã e eu e o pai como pais de duas. Nascemos todos como família de quatro.


Têm sido uns sete anos pouco monótonos. Trouxeste-nos muitas coisas, mas o que de mais especial veio contigo foi a gargalhada contagiante que dás de boca escancarada.


Parabéns atrasados, Gr., Pelos teus sete anos de vida.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Estou bonita, estou

Achava eu que tinha mandado uma mensagem fofinha ao marido e já maldizia a sua insensibilidade por não me responder, quando recebo uma mensagem de uma colega a chamar-me fofinha e a agradecer tamanha mostra de amizade. Enganei-me no destinatário. Felizmente, não era nada de pornográfico, aquilo que eu dizia ao meu marido.

quinta-feira, 16 de março de 2017

guiomarês

 - Já sei o que quero ser quando for grande.


 - Quero ser polícia.


 - Porquê?


 - Só porque acho que os polícias não prendem os outros polícias. Não prendem, pois não?


 


Devo ficar preocupada?

raminhos effect

Já me pus em dia no que toca aos vídeos do Raminhos e das Marias. Acho piada àquilo, rio-me, muitas vezes, à gargalhada bem sonora, mas admito que não deixo de ficar um bocadinho preocupada com a sanidade mental das duas miúdas.

terça-feira, 14 de março de 2017

último sobre a Madeira

Deixámos o último dia na ilha da Madeira para o Funchal. Já aqui falei das primeiras impressões que a chegada à cidade me provocou (isto vai tudo cair por aqui abaixo, este pessoal é maluco por viver aqui, nestas casinhas equilibradas em pedacinhos de terreno assente em rochas com metros e metros de altura, estas senhoras não devem ter celulite, mas isto só sobe e desce, ainda bem que não tive de tirar a carta de condução aqui, não deve haver muitos dentistas cá na terra... eram pensamentos que o meu cérebro ia debitando, uns mais parvos do que outros).


 


Na manhã desse último dia fomos com mais calma ao Mercado dos Lavradores, onde o M. fez fotografias cheias de cor e onde nos queriam impingir fruta a 20 euros/kg!!


MAR_4207.JPG


 


MAR_4200.JPG


 Depois fomos à descoberta da cidade. Perdemo-nos um bom bocado no Parque de Santa Catarina, um jardim muito grande com diferentes níveis de altura, árvores monumentais, flora de vários cantos do mundo, um lago e uma zona relvada onde não me deitei porque não estava assim tão cansada. Na zona mais alta vê-se toda a baía do Funchal até à ponta do Garajau.


As ruas da parte baixa da cidade não são nada de especial, são ruas típicas de uma cidade.


Das zonas mais altas, o que me fica na memória é o cruzamento intrincado de ruas e ruelas, escadas íngrimes, apertadinhas, a mistura de grandes vivendas e casinhas pequeninas, mal arranjadas... os impasses (becos sem saída) onde parecia impossível fazer inversão de marcha...


De tarde, rumámos ao Jardim Botânico. O dia estava agora farrusco, aquele farrusco que deprime e chegou a chover, nada que nos obrigasse a fugir para debaixo de telha. O Botânico é bonito, mas confesso que não sou grande apreciadora de espaços deste género, especialmente se tenho de pagar e se recusam a passar recibo. Mais um sítio onde o M. se fartou de fotografar.


Quando saímos do jardim sentámo-nos no "nosso" carro e olhámos um para o outro "e agora? vimos tudo... que fazemos com o resto da tarde?" Seriam umas quatro horas.


Saquei do telemóvel e googlei "sítios a não perder na ilha da madeira".


Fomos fazendo check atrás de check, até chegarmos ao Paul da Serra, uma zona de planalto.


Alto lá! A Madeira tem um planalto?


Vamos embora!


Por volta das 5 da tarde estávamos literalmente acima das nuvens. De facto, a Madeira tem um planalto, mas as condições atmosféricas não nos deixaram usufruir dele. O frio e chuva miudinha foram-nos acompanhando e obrigando a prosseguir viagem.


MAR_4533.JPG


 Apesar de tudo, foi a caminho do planalto que vimos no interior da ilha as paisagens mais bonitas.


MAR_4527.JPG


 No regresso, voltámos a perder a taberna da poncha, mas conseguimos ir ver o Miradouro das Achadas de Cruz e o da Garganta Funda (o melhor de todos! :P). Todos os miradouros são magníficos, quer à beira mar, quer os do interior, mas este último, talvez pela hora a que lá chegámos ficou-nos marcado.


Parámos o carro no fim da estrada alcatroada estava o sol a pôr-se. O vento era gelado e o céu tinha farripas de laranja e cinzento. Fomos seguindo as indicações para o Garganta Funda a pé. Um carreirinho de terra batida, serpenteando entre casinhas de aldeia, até chegarmos a uma escarpa.


MAR_4621.JPG


MAR_4623.JPG


MAR_4637.JPG


MAR_4643.JPG


E não há fotografias que façam jus ao que vimos. Foi a primeira vez que o senhor meu marido sentiu frio (estavam 5 graus e o gajo de t-shirt).


Nessa noite fomos novamente ao Santo António (palermas, porque não foram experimentar o Vides? porque estávamos cansados, cheios de fome e no santo antónio já sabiamos com que que poderíamos contar)


 


 


 

sexta-feira, 10 de março de 2017

vamos cantar "dez anos.... "

Este texto será um desfiar de lugares comuns e se calhar até lhe junto, no fim, o Paulo de carvalho a cantar o "dez anoooosss é muito teeemmmmpo..."


Uma relação que queremos que funcione e que dure é uma viagem sem agência de viagens, é um reality show do género "survivor", com a diferença de que no reality show há um prazo para terminar - "uh uh! mais dois dias e isto acaba" - e uma relação não, se não queremos que ela acabe, se investimos.


A minha/nossa viagem faz dez anos, melhor dizendo, a segunda etapa faz dez anos. Lembras-te de que no ano passado dizíamos que íamos fazer um mega picnic "incontinente" - dizia eu, está bem - para celebrar e acabámos por não fazer nada? Não faz mal. De uma forma ou de outra, a marca dos dez anos não há-de passar incólume (tadinha).


São dez anos de uma viagem acidentada, a locais inóspitos, outros mais ou menos, e também a locais fabulosos, feita a dois e a três e a quatro, mas essencialmente a dois, que somos o comandante deste navio, o mestre de obras desta construção, o arquiteto da obra, etc.


Como dizia o sr. Moreira, ao apagar as velas, cada ano que passava "só peço mais um."


Parabéns a nós, porque o casamento pode ser fodido, mas nós temos feito do nosso uma cena muito boa.

quinta-feira, 9 de março de 2017

aproveitar bem

"Eu vou morrer, eu vou morrer, mas primeiro vou aproveitar bem" cantam os Capitão Fausto. Estes dias de sol e calor dão-nos aquela vontade mais ou menos louca de nos esticarmos numa esplanada com uma mini ou um gin tónico, dependendo da altura do mês e do estado das finanças.


O problema é que começamos também a olhar para o corpo que transportamos e que passou o inverno tapado por mantas e casacos. Apertamos as pernas e salta à vista a cabra da pele de laranja, olhamo-nos de perfil ao espelho e vemos a filha da mãe de uma barriguita que não estava ali em setembro do ano anterior... e começamos a pensar que a idade está a fazer das suas, aquela coisa de ser mais difícil perder peso, de as gordurinhas se instalarem insidiosamente sem nos darmos conta... e tentamos enterrar a vontade de nos perdermos num copo de gin, acompanhado de amendoins salgados.


Puta que pariu a idade. Aproveitamos bem ou temos cuidado com o corpo?


Eu sei de fonte segura que há gente que me conhece pessoalmente que está agora a gritar a plenos pulmões ou só interiormente "BARDAMERDA PARA TI, GABRIELA!!!, SUA CABRA, ESTE POST É GOZAR COMIGO" mas independentemente da imagem que os outros têm de nós, se não nos sentimos bem com o nosso corpo essa cena de "aproveitar bem" fica um bocado comprometida.


 


 

terça-feira, 7 de março de 2017

também tenho direito

Há três semanas que o meu cabelo não vê escovas nem pentes.


Só os dedos das mãos (podia ser dos pés, podia sim). O cabelo está brilhante e fixe e giro.


Para que não restem dúvidas, este post foi um "self indulgence" post (até escrevia isto em português, mas não me lembro da expressão equivalente).


MAR_3867.JPG


 

dreams

Quase todos os dias damos um pulo ao edreams. Gostávamos de fazer uma viagem os quatro. Impossível! Como é que as famílias viajam? O que nos está a falhar?

queridos leitores deste espaço alternativo

Nesse dia, depois de um almoço engolido num banco no cabo Girão (eu comi pão de beterraba), fomos até Porto Moniz, passando primeiro pela Calheta - ou deveria dizer por Calheta? ;). O tempo estava farrusco, mas a temperatura amena e havia gente a praiar. Bebemos a nossa primeira poncha tradicional. Porquê só agora? Porque não estávamos muito convencidos com essa coisa. Só tínhamos provado poncha engarrafada, da que se vende no aeroporto e aquilo não nos agradou. Resolvemos dar-lhe uma hipótese na Calheta - em Calheta - porque não nos apetecia café e a mim apetecia fazer um bocadinho de sala, ali.


IMG_20170226_154032.jpg


 Era agradável e, como se pode ver pela fotografia, o M. despachou a dele primeiro.


A caminho de Porto Moniz fizemos uma paragem em Madalena do mar. Queríamos despachar mais uma poncha, mas a avenida em frente ao mar estava interrompida para fazerem passar o desfile de carnaval, por isso demos uma volta e metemo-nos no carro.


Porto Moniz não ficará especialmente na memória. O dia continuava farrusco, as piscinas naturais eram umas poças de água fria e havia meninas em fatos de carnaval brasileiro. Too much cellulite!!!


Ficam na memória e na retina as paisagens para lá chegar. Já nos tinham dito que essa costa era mais bonita e de facto é assombrosa.


IMG_20170226_161732.jpg


IMG_20170226_174147.jpg


Porto Moniz ou o respeito pela sinalética.


No regresso ao Funchal (nós já dizíamos casa) passámos por Serra d'água e por uma taberna. Dei por mim a gritar "é ali, é ali que temos de ir abastecer de poncha! Carago, é ali" enquanto a Taberna da Poncha da Serra ia ficando para trás.


Frustrados porque já era tarde e convinha decidir onde seria o jantar, parámos no primeiro sítio onde foi possível. Abre aí os comentários do blog, verifica as dicas que te deram. E graças a essas dicas jantámos o melhor jantar na nossa estada na Madeira. Fomos ao Santo António, no Estreito de Câmara de Lobos e enchemos mesmo a pança com milho frito, espetadas e batata frita e bolo do caco e, tumbas, mais uma poncha para ajudar à digestão. Gostámos tanto que no dia seguinte estávamos lá batidos para jantar outra vez, tudo igual, desta vez acompanhados por uma Coral.

segunda-feira, 6 de março de 2017

papai e mamãe

eu devia ter tirado notas.


Passou uma semana, mas a minha memória engana-me e sinto que foi ontem e há muito tempo, tudo no mesmo saco.


No sábado à noite vi uma fotografia de um conhecido humorista da nossa praça com um copo de poncha no mesmo sítio onde estive uma semana antes e quero lembrar-me do mais que fiz, mas está difícil.


Já aqui contei às miúdas como foi o primeiro dia na Madeira. Hoje, são vocês os recipientes.


No segundo dia subimos, subimos muito, ao Curral das freiras, uma localidade enfiada numa garganta onde só se sobe ou só se desce. As mulheres de curral das freiras devem ter uns belos pares de gémeos, pensei eu, e pouca celulite.


MAR_3905.JPG


 Foto tirada a partir de Eira do Serrado


 


E agora tenho de recorrer às milhentas fotografias que o M. tirou para me lembrar dos locais que visitámos de seguida. Ontem, ao jantar, a Mr dizia, ressabiada, "vocês devem ter-se divertido muito". Realmente divertimo-nos, mas para elas seria uma estafa, porque passámos os dias a andar de carro, para baixo e para cima, engolindo kms por estradas vertiginosas, ora com o mar à vista (mar à vida, gritava o T, em Milfontes) ora no meio de florestas. Recordo acima de tudo as estradas e as gargantas fundas, onde de certeza ficaríamos se tivessemos tido algum acidente. Recordo os socalcos ocupados por bananais.


E as fotos dizem-me que fomos depois, até ao Cabo Girão.


MAR_3980.JPG


 Todos os cabos e promontórios da ilha valem a pena, este é famoso porque possui o chão em vidro transparente. Olhamos para baixo e lá está o mar.


MAR_3979.JPG


 Eu não pus lá os pezinhos. Era emoção a mais para mim. Limitei-me a circular. Era tudo muito mais bonito fora daquele circulo de vidro do que lá em cima.


Ih! Olhem as horas! Logo conto mais.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Estou aqui

a magicar desculpas para não ir trabalhar. Ouço a chuva e o vento no terraço, a roupa que seca lá fora bate na janela, tenho sono e meio frio. Não vou trabalhar hoje, faz de conta.

Dia 1, à tarde e à noite

Filhotas lindas,


à tarde, de Santana descemos / subimos ao Pico do Arieiro. Estava frio. No primeiro dia já tínhamos levado com temperaturas que iam dos 8 graus aos 20. E o pai sempre de manga curta. A mãe foi vestindo e despindo casacos e camisolas ao sabor das temperaturas e da humidade.


Depois, descemos em direção ao Funchal. Eu não sei descrever as sensações que o Funchal me despertou. Posso dizer-vos que logo nesse primeiro encontro e nos dias que se seguiram fiquei um bocado obcecada com as construções, com engenheiros e arquitetos, com a coragem ou loucura ou sei lá o quê que motivou as pessoas a fixarem-se naquela ilha, cheia de gargantas e penhascos, de uma geografia absolutamente avassaladora.


Com o GPS sempre ligado, perdido o olhar nas ruas e avenidas, encontrámos o nosso poiso, a residencial Funchal, mesmo em frente ao Mercado dos Lavradores. Mas que espelunca, meninas! Que espelunca! No entanto, se lá voltássemos novamente, era lá que ficávamos. Em pleno centro do Funchal, perto de tudo.


Instalámo-nos, eu passei pelas brasas (não se esqueçam de que estávamos a pé desde as duas e meia da manhã), o pai tomou um duche. Eu fiz uma pesquisa no tripadvisor, para descobrir onde poderíamos jantar e na minha cabeça ecoava a dica da menina bipol "fujam dos restaurantes do centro, fujam...". Não foi possível, estávamos cansados, não queríamos tirar o carro do sítio onde estava com medo de perder o estacionamento e acabámos mesmo por jantar no "Velhinho". Poderia ter sido pior. Fomos bajulados, sim, e aconselhados a ir ver o grandioso desfile de carnaval. "Não pode ser, vìr à Madeira nesta altura do ano e não ver o desfile!"


Fomos. Quer dizer, fomos até à avenida onde o tal desfile ia acontecer, as pessoas cheiravam bem e havia montanhas de turistas, especialmente alemães e ingleses.


Fomos cheirando o ambiente, mas por volta da 11 da noite olhámos um para o outro, de olhos piscos, corpo mole, e regressámos à residencial. Nem quis saber de nada. Cheirei os lençois, pareciam minimamente limpos e aterrei. Acho que o pai ainda viu um bocadinho do desfile na televisão, em direto da rpt madeira. "Para poder dizer que vimos o desfile."


 


 

quinta-feira, 2 de março de 2017

o dia 1

Filhotas,


às dez da matina já estávamos a caminho do Machico. Decidimos ir para o Funchal só mais à tarde e ir explorar a ilha para o lado oposto. Fizemos o nosso primeiro de muitos picos: o Pico (não me lembro.... sou muito má, nisto de relatar viagens). Chovia, aquela chuva miudinha chata.


 


IMG_0118.JPG


Esta é das primeiras fotografias que tirei, filhas lindas. Sim, está mázinha, mas capta bem as primeiras impressões da ilha, naquele primeiro dia.  


 


IMG_0121.JPG


 


Nessa manhã, ainda passámos pela prainha e fizemos uns penedos perto da Ponta de São Lourenço. Estava fora de questão fazermos caminhadas (o pai tem problemas de motricidade muito graves, minhas filhas. Quando se fala em andar a pé, os dedos das unhas dos pés começam-lhe a encarquilhar e o cabelo a cair e os dentes a abanar, vocês nem imaginam).


 


Almoçámos no Porto da Cruz, numa tasquinha perto do mar, que o tripadvisor recomenda. Comemos o nosso primeiro bolo de caco com manteiga de alho e ervas e bebemos a primeira de muitas Corais. Gostei muito do Porto da Cruz. Apanhei sol de manga cava, vejam lá, enquanto esperava pelo peixe fresco que iamos comer, trincando um bocado de bolo do caco, achei mesmo que daria para fazer praia.


Depois, lá fomos nós, Madeira acima, Madeira abaixo: Faial (sim), Santana (conseguimos ver algumas casas típicas, para aí umas três), São Jorge (sim). O carro a engolir kms, nós a engolir o fôlego com as paisagens e as estradas íngremes.


IMG_20170225_165632.jpg


 Acho que foi mais ou menos aqui que ligámos, nesse dia, pela segunda vez, para sabermos de vós. A estrada subia, subia, ladeada de pinheiros. Sabem o que é que estavam vocês a fazer? a ver televisão, pois claro. Havia que encher o bandulho.

uma medalha para a mesa do canto

Miúdas,


apanhámos o voo das sete, o que significou sair de casa às três da matina. Nem vos fomos dar um beijinho com medo de vos acordar. A mãe tremia como varas verdes, de frio e de nervos miúdos e graúdos.


O pai, aparentemente, estava na boa.


Chegámos a Lisboa por volta das 4 e andámos meio perdidos à procura do parque onde o nosso carro ia ficar. O pai até tentou entrar no parque errado, que dois totós.


No aeroporto, depois de descobrirmos as voltas que tínhamos de dar, e de passarmos a segurança (que confusão pá, tanta gente que voa todos os dias e não morre, porque é que eu ia morrer logo naquele dia, naquele voo, tanta criança e tanto bebé, porque é que íamos morrer? não íamos, claro que não) tivemos muito tempo livre para dar em doidos, a mãe, pelo menos (tanta gente, tanta, é claro que não é hoje que morro num desastre de avião nem de ataque de pânico, aqui já tenho mais dúvidas... ná, ná...)


O pai continuava na boa, aparentemente. Às seis e meia entrámos no avião. Acho que a mãe fazia os possíveis para não hiper ventilar, o pai na boa.


Às sete partimos. Confirmou-se: a mãe chora sempre que o avião descola, é uma reação física parva. O pai, aparentemente na boa, apertando a mão da mãe, fazendo-lhe festinhas na cara e se esteve ele próprio à beirinha de um ataque de pânico, disfarçou que foi uma beleza.


Às nove aterrámos. A mãe voltou a chorar, o pai encostado no banco murmurava: brutal, brutal e batia palmas, juntamente com os outros passageiros. O pai merecia uma medalha.


 

Untitled

Trouxemos duas tartaruguinhas de pano para as miúdas.


Entretanto, a Gr. afeiçoou-se a um corta-unhas que para aí anda. Chama-lhe "rolinhas" e quer dormir com ele.


Tartaruguinha fofinha, pois.

para registo e memória futura

O pai andou de avião. O pai não precisou de tomar xanax, nem sequer de emborcar de golada a pequena garrafinha de vidro, de vinho do porto, que levou e espantosamente deixaram entrar no avião (já a minha embalagem de plástico de gel de duche e shampoo não teve direito).


O pai andou de avião e não surtou e até foi capaz de apertar bem fortemente a mão da mãe, à beira de um ataque de nervos (a mãe fica sempre à beira de um ataque de nervos nas decolagens e nas aterragens. Nem vos conto como foi a aterragem na Madeira).


 

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...