sexta-feira, 31 de março de 2017

fui queixinhas

No supermercado do costume (o meu), uma senhora sobe literalmente para cima do longo frigorífico onde estão todos os laticínios e quejandos para escolher um queijo fresco.  "só assim é que lá chego", diz para o ar, para quem quiser ouvir, em jeito de justificação. Penso com os meus botões que seria mais civilizado pedir ajuda a um funcionário.


Chega uma "amiga" e diz-lhe que quer um queijo de bola mas gosta de os escolher. Começam ambas a abrir embalagens de queijo para analisar a qualidade e forma das bolas de queijo. Apeteceu-me mandar dois berros, mas calei-me. Eram senhoras já com idade para ter juízo, mas se faziam aquelas figuras juízo não tinham de certeza e ainda me mandavam, cheias das suas razões, à merda ou a um sítio bem pior.


Na caixa, na fila, toda eu era comichões. Quando chegou a minha vez de pagar, olhei para o funcionário nos olhos, ele olhou para mim com ar inquisidor e eu aproveitei e disse:


 - não sei se diga, se não diga....


ao que ele respondeu:


 - diga....


ao que eu disse:


 - estavam duas senhoras nos queijos a abrir embalagens de queijo.


 - Sabe dizer-me quem eram? perguntou.


 Agarrando nos sacos, acobardei-me e disse que "isso já não sei." Mas sabia, pois sabia. Não tive foi coragem de o fazer. Fui queixinhas e cobardolas.


 

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