domingo, 22 de março de 2020

só para memória futura

Sou a primeira a levantar-me (durmo mal). Cozinha, pequeno-almoço de pão torrado e cevada (deixei o leite). Cirando pela casa, faço coisas pequeninas, ando meia perdida.


Quando o resto da casa se levanta, tomo banho e visto-me. Nos primeiros dias, sem problemas, nos últimos empurrando-me a mim própria. É difícil decidir o que vestir. As calças de ginásio têm sido as minhas colegas. Nos primeiros dias não, vesti calça de ganga. depois de vestida e calçada tiro um café e a mexê-lo saio. Subo um bocadinho da rua e assobio. A rita vem à janela e tomamos café assim, ela na varanda e eu cá em baixo. A júlia vem dizer bom dia e mandar coisas cá para baixo. Gosta que eu as devolva várias vezes.


Jogamos conversa fora. 


Volto para casa. lavo as mãos. oriento trabalho, meu e delas. nos primeiros dias foi a loucura. (agora, estou numa espécie de limbo, não posso continuar dependente de uma página web onde quase nenhum aluno põe os pés, se já era difícil fazê-los trabalhar em tempo de aulas agora é impossível).


Faço almoço, arrumo cozinha, estendo roupa, volto a orientar trabalho das miúdas. o whatsapp não pára, nos primeiros dias o telemóvel fumegava.


faço jantar, arrumo, enterro-me no sofá.


Entretanto,  já dei por mim a limpar portas e rodapés. faço exercícios todos os dias, com a mais nova. vejo netflix.


se saio à rua (aconteceu duas vezes), instintivamente afastei-me de tudo o que era gente.


Será que vamos ser capazes de abraçar e beijar quando isto passar?


deito-me mais ou menos cedo, mas durmo mal. 


Amanhã é outro dia. 

4 comentários:

  1. Com um bebé em casa parece que o trabalho nunca acaba...

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  2. Eu vou dar-te um abraço apertado, mas tão apertado que até verás estrelas.
    Cuidem-se muito e vai escrevendo. Talvez agora tenha mais tempo para te ler.
    Lis

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  3. Sim. Espero que sim. E podes escrever em francês, para a Maria ler. Devias ouvi-la. Ias ficar com os cabelos da nuca todos arrepiados.

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