sábado, 27 de novembro de 2021

Notas

A mais velha conseguiu a proeza de ficar em isolamento provisório duas vezes no mesmo mês,  uma vez à conta dela, desta vez à conta de um caso positivo na turma. 


O pai esteve em casa quatro dias, à conta dele e de uma rinite marada que lhe deu metade dos sintomas do covid


Eu e a Guiomar vamo-nos safando, pelos pingos da chuva.


Estamos, a partir da próxima semana, em estado de calamidade. Vamos ver o que os próximos dias nos trazem para além do expectável. 


Beijinhos a todos. 


 

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

O poder da castanha

Ontem, algumas castanhas vindas de um dos domicílios de algum querido aluno ou aluna explodiram-me na cara/ máscara, cabelo, óculos, roupa, etc. 


Esta explosão não me impediu de ter um ataque de riso. No entanto, se apanhasse o puto que trouxe as castanhas por golpear era bem capaz de o golpear eu com um belo pontapé no rabo.


À noite, para não deixar passar em branco o São Martinho, estávamos sentados à mesa, às 22.00, que também não quis não ir à minha ginástica. Escrevia eu, eram dez horas da noite e estávamos à mesa. Os adultos acompanhados de um copo de tinto, as miúdas água (sem pé). Foram os momentos altos da semana.  

sábado, 6 de novembro de 2021

é tão bonita, a avaliação formativa

Aproximam-se as avaliações intermédias ou intercalares. Diz que tenho que fazer uma síntese de cada aluno, para conhecimento dos encarregados de educação. 


Eu gostava de ser capaz de dizer aos mesmos o que o seu educando é capaz ou não de fazer, em que é que precisa de ajuda e como é que tenciono ajudá-lo a superar as suas dificuldades. No entanto, eu não faço puto de ideia. Nesta altura do ano, fruto de turmas mistas maradas, há putos cujo nome ainda desconheço. Olho para as caras deles chapadas nas fotografias, mas a figura não me diz nada. Noutros casos, chego à brilhante conclusão de que nunca vi nada feito pela criatura, nunca ouvi a sua voz, sequer. 


O problema é meu, claro. Mas como hei-de conhecer todos e saber do que são capazes ou não, se passo os primeiros 10 minutos à espera que se acalmem, os seguintes 10 minutos à espera que o material esteja pronto. Toma! já se foram 20 minutos de aula. Quando consigo começar a trabalhar, tenho de jogar com dois sets de materiais diferentes, dois quadros, muitas vezes, e alunos que são incapazes de trabalhar autonomamente. Conheço já muito bem estes, os que me solicitam. Os outros, coitados, ficam para a semente ou para a professora titular que está comigo em sala e sem a qual eu estaria ainda mais lixada. 


Posso simplesmente escrever "nem sei quem é o seu educando. Espere mais um mesito, se faz favor. E entretanto, solicite à direção o fim de turmas mistas."


 


 


 

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

para memória futura

musicalmente falando, ando presa em eu.clides


de resto, the same old. que isto uma pessoa chega a uma idade em que já não acompanha os milhares de projetos que surgem todos os dias e parece que damos por nós a ir ouvir as coisas que já ouvimos há umas dezenas de anos


não queiras soar mais velha do que aquilo que és, até tens conseguido ouvir coisas novas e manter-te mais ou menos atualizada (obrigada, antena 3 e spotify que não se paga)


o trabalho vai indo, obrigada. começa a época de avaliações intermédias e a minha vontade é deixar registada a verdade: ainda não faço ideia de que é que este aluno é ou não capaz. o facto de passar o tempo de aula a correr entre os dois anos, dois manuais, dois sets de materiais diferentes e entre secretárias individuais não me deixa tempo para saber se o seu educando sabe o não sabe, se está a aprender ou não e que estratégias posso usar. assim de repente diria que poder dar aulas só aos alunos de um ano e depois aos do outro seria a estratégia mais eficaz, mas como não posso fazer nada, olhe ainda não conheço o seu filho. desculpe.


as miúdas continuam ranhosas e tossidoiras, queixosas da garganta e imbuídas de preguiça matinal que parece não as largar à medida que o dia decorre


o pai cá de casa anda cansado das horas que passa entre viagens para chegar às duas escolas, sempre cheio de sono e stress


diz que é a vida, mas tenho para mim que não


isto (de sobreviver e acordar de manhã para poder pagar as contas) um dia rebenta.


 


 

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...