Acabei ontem o Intermezzo da Sally Rooney. Foi um parto longo.
Não é de leitura fluída, como os anteriores, especialmente se estivermos a ler a versão original. Admiro e, ao mesmo tempo, irritam-me as narrativas no presente do indicativo. É um daqueles romances onde a maior parte da ação é o que se passa na cabeça das personagens, dois irmãos muito diferentes, que vivem o processo de luto após a morte do pai.
Demorei muito a engrenar, pegava no livro e só conseguia ler umas dez ou doze páginas de cada vez. Primeiro porque a escrita é difícil e depurada (a tradução deve ter sido complicada de fazer!), segundo porque a alternância entre duas vozes me deixava, no início, insegura - mas quem é este agora? o irmão mais velho ou o mais novo? Onde estou agora, e quanto tempo passou?
Depois, fui percebendo que a "voz" do irmão mais velho era completamente diferente da "voz" do mais novo, habituei-me ao presente do indicativo e acabei por não conseguir parar até chegar ao fim.
Gostei especialmente da forma os irmão vão processando tudo o que acontece - e fazem-no de forma completamente distinta - para chegarem a conclusões mais ou menos idênticas.
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