segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Aventuras no reino do desemprego

A partir do momento em que me inscrevi no centro de emprego da minha área de residência, fui informada do meu dever de fazer comparências quinzenais em local determinado. A partir desse momento iniciei as tais comparências, sem nunca as questionar (sou muita estúpida!).


 


Esta semana, que é semana de o fazer, rumei a terras da Beira, para estar com os meus pais, sem me lembrar dessa merda (desculpem, mas é o que é). Hoje lembrei-me e tratei de me informar sobre forma de resolver a situação. Esclareço que os beneficiários do subsídios são realmente obrigados a fazer as comparências, duas faltas injustificadas resultam na perda do subsídio.


 


Liguei para a SS, esperava que fosse possível fazer a comparência noutro local. Ingenuamente pensei que tivessem essa situação salvaguardada: cidadã cumpridora por determinadas razões não pode ir ao sítio pré-definido, mas dispõe-se a ir a outro local.


A SS diz-me que apenas me pode informar sobre a situação em que se encontra o meu pedido de subsídio e que me passa a chamada para o Instituto de emprego, esses sim poderiam ajudar-me. Muito bem.


Pedido de subsídio ainda em análise. Ok, passe lá a chamada, se faz favor.


 


 


Instituto de emprego e formação profissional


 


Eu - tive de me ausentar, não posso fazer a apresentação quinzenal.


IEFP - ausentou-se da sua área de residência? Tem de pedir licença para o fazer.


EU - ah? mas eu não estou presa!


IEFP: é obrigada a fazer as comparências enquanto estiver a receber o subsídio.


Eu - mas eu ainda não estou a receber nada, ainda estou à espera, nem sei se tenho direito (à pôrra do subsídio)


IEFP - então não é obrigada.


eu - ah??? mas eu já as estou a fazer....


IEFP - sugiro que contacte o centro de emprego da sua área.


 


Centro de Emprego


eu: passa-se isto e isto.


Centro: tem de fazer. duas faltas perde o subsídio.


Eu: eu não estou a receber NADA!


centro: se vier a ter direito a receber, corre o risco de o perder.


 


E aqui meti a pata na poça. Disse que tinha sido a SS a dizer que não era obrigada a nada enquanto não estivesse a receber. Ao que me dizem: nós temos as nossas regras, eles têm as deles.


 


Desligo o telefone. Fico com ele na mão sem saber se me ria ou se chorava.


Acalmo-me, espero.  Procuro legislação, encontro, confirma o que diz o IEFP. 


Ligo novamente para o IEFP. Dizem-me taxativamente: só quando o seu pedido for diferido é que é obrigada a fazer as comparências.


Eu: e quem é que vai explicar isso aos gajos do centro de emprego?


IEFP: tem aí a legislação? Fale nela.


 


DESCULPE!!!????


Eu é que tenho de ir dizer aos cabrões dos incompetentes que estão a obrigar-me a fazer algo que pela lei eu não tenho de fazer???!!!


 


 

6 comentários:

  1. Bem... é caso para dizer que "só visto, contado ninguem acredita!"

    ResponderEliminar
  2. Se eu estivesse na tua situação sentir-me-ia um pouco como a Alice no País das Maravilhas onde tudo é absurdo, nada faz sentido, ora nos sentimos pequenos demais ora grandes demais em relação aos restantes (ou seja, estamos a parte da sociedade) e onde há um monstro que nos quer cortar a cabeça: OFF WITH HER HEAD!

    ResponderEliminar
  3. Sem falarmos em teorias da conspiração, este Estado com que vivemos está apostado em foder ao máximo o pobinho. Venha lá um golpe de estado à boa maneira oteliana.

    ResponderEliminar
  4. Funcionalismo público, no seu melhor.
    O papel do papel, do papel, do papel.
    E o mais importante... não sei, tem de perguntar no... e depois tem de ir ao....
    Normalíssimo neste país de brincar.

    ResponderEliminar
  5. Se não tivesse cancelado a inscrição no Centro de emprego tinha andado a fazer comparências quinzenais durante OITO meses! Porque demoraram OITO meses a informar-me que não tenho dto a subsídio.

    ResponderEliminar

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...