Está quase a fazer dois anos que nasceu a Gr. E quando penso no nascimento da mais nova, vem-me logo à memória o da mais velha. Foram tão diferentes como a água do vinho, tirando o facto de ambas terem nascido de cesariana.
A Gr. veio ao mundo com a mãe acordada e relativamente calma. O facto da miúda ter começado a chorar quando ainda estava dentro da mim, o que pôs toda a equipa a rir à gargalhada, ajudou muito.
A Mr. nasceu de cesariana de urgência, com anestesia geral. Quando acordei, fui levada para a sala de recobro e ninguém me sabia dizer o que tinha acontecido. Meia zombie, coloquei a hipótese de que teria morrido e fiquei ali, sozinha. Não sabia se devia começar a fazer o luto da minha filha ou se devia esperar que me viessem dizer que estava tudo bem. Passado o que me pareceu muito tempo, veio o M. Estava tudo bem. Tinha sido reanimada e estava na incubadora porque era muito pequenina.
Só a vi no dia seguinte. E não senti o que na minha cabeça devia ter sentido. O instinto de proteção apareceu num ápice, mas foi aquele instinto que toda a gente mais ou menos normal sente perante todos os seres indefesos, não foi um amor logo ali incondicional! Esse foi aparecendo gradualmente, e só depois de ela ter saído do hospital, quando já era só minha filha e não filha das enfermeiras e médicos e dos fios e bips bips das máquinas.
Esse amor foi crescendo todos os dias, ao ponto de, mesmo debaixo de uma depressão pós-parto, eu ser capaz de discernir que estava apaixonada, como nunca antes estivera, por ela.
Com a Gr. aconteceu o mesmo. Só que a parte do sair cá para fora foi bem mais fácil!
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