O jantar de ontem foi uma loucura, desde o momento em que comecei a fazê-lo até ao fim.
Primeiro, é difícil dar banho a duas, começar a cozinhar, aperitivar um moscatel de Setúbal e amendoins e botar faladura com a amiga, tudo ao mesmo tempo.
Depois, mais difícil se torna se, no momento em que pomos a massa na panela, descobrimos umas coisinhas a boiar na água, que vamos a ver são bichinhos. Não sou vegetariana, gosto de carne, mas gosto de ser eu a escolher a proteina que vai acompanhar a minha massa, não quero que ela venha na massa! (já agora, para quem estiver interessado em refeições completas e baratas, a massa era do pingo doce e, sim, estava dentro do prazo e fechada!)
A seguir, o processo de comer também teve o seu quê de maluco, com uma miúda a mastigar e não engolir, outra a não deixar o pai e a mãe falarem, imiscuindo-se com cantilenas e berros, urros e palavrões (cocó, rabo e xixi).
Depois, a mais nova decidiu fazer necessidades sólidas. Enquanto a mudei não sei que se passou com a outra na cozinha. Quando regressei, estava o pai a impor-lhe castigos assustadores e horripilantes como: vais respirar pelo nariz; vais andar com as duas pernas; vais comer com a boca... tantos que a mais velha se vira para mim, com olhos esbugalhados e sussura "o pai está louco!"
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