quarta-feira, 20 de março de 2013

carta à Gr.

O teu chorinho, com pernas cá fora e cabeça lá dentro, fez toda a equipa médica rir-se.


Eu lembro-me que fiz por rir. Estava nervosa de mais. Era a primeira vez que assistia a mim própria a dar à luz, com baixas de tensão, perna aberta… (eu queria escrever uma coisa bonita, mas já comecei a descambar), gente de mais à minha volta, frio…


 


Dizia eu, o teu chorinho ainda dentro de mim foi a primeira coisa que de ti me chegou. Depois encostaram-te ao meu nariz e eu cheirei-te e vi-te. Feiinha, pensei e disse alto sem dar conta. Qual feia, mãe! É linda, a sua filha é linda!


 


E levaram-te. Voltei a ver-te uma horita mais tarde e passámos a noite juntas. Tu mamaste de duas em duas horas e deixaste-me ver como iam ser os próximos anos.


 


E hoje fazes três anos.


Três anos que passámos muito juntas.  Não sei como seria não te ter, a ti e à Mr.


Não sei como seria não vos ver juntas.


Olho para ti tão crescida, e, mesmo assim, apetece-me fechar-te nos meus braços e embalar-te como fazia quando eras pequenina, mas não sinto o que sentia quando olhava para a Mr a crescer: pena que não sejas só minha.


Porque a Mr. me ensinou que vocês serão sempre minhas, tal como hoje eu sei que serei sempre da minha mãe (vocês assim me ensinaram).

2 comentários:

  1. Muitos parabéns!(embora atrasados...) O tempo voa e passamos os dias a constatar isso mesmo, se por um lado já nem sabemos como era a vida antes da maternidade, por outro parece que foi ontem que eles nasceram... Ser mãe é um bocado esquizofrénico ;)

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