Sento-me para escrever, de manga arregaçada, porque interrompi a arrumação da cozinha, e nada me sai.
Não há episódios interessantes das miúdas,
não há piadas sobre o desempenho do marido,
não me apetece falar da merda de trabalho que vou tendo nos dias que correm,
não me apetece escrever sobre a falta de vontade para fazer muitas coisas, não quero queixar-me.
Não devo queixar-me de barriga meia cheia, quando há tanta gente de barriga vazia.
Não há revisão da matéria dada que me salve, porque afinal, ter muita coisa, mas não ter uma vida profissional ativa e minimamente interessante é mais importante para mim do que à primeira vista parecia ser.
Sobre o não poder queixar-me havia tanto a dizer. Isto de não nos sentirmos à vontade para dizer mal da vida porque há sempre alguém pior é tão pernicioso. Mais um fruto da puta da crise (tinha de vir o palavrão)
Não concordo, isso não é fruto da crise, acho que está enraizado na nossa cultura. Podia sempre ser pior, se um desgraçado parte uma perna num acidente há sempre alguém que se levanta para dizer "podia ter sido uma perna e um braço" e por aí fora té haver membros.;)
ResponderEliminarSim, Trocatintas, é uma coisa cultural bem portuguesa, mas que piorou, penso eu, principalmente no que diz respeito ao trabalho. O mote agora parece ser "tens trabalho, não te queixes!"
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