quinta-feira, 26 de setembro de 2013

a minha filha é um caracol

Saiu-nos na rifa uma filha com genes de caracol.


O que não faz nas aulas, porque é lenta, traz para casa.


O problema não são os conceitos que estão a sistematizar, que ela tem bem sistematizados na cabeça desde os três anos de idade (esquerda, direita, em cima, em baixo, dentro, fora, cores e formas).


O problema é a escrita.


Imaginem-se a copiar pela primeira vez carateres chineses com o professor de chinês à perna. Isto é a Mr. a escrever coisas como o nome completo, a data e, hoje, a palavra "um", em letras à mão, maiúsculas e minúsculas.


 


Várias coisas me vêm à cabeça: ainda bem que o nome dela não tem seis apelidos como o da mãe;  por que carga de água têm eles de saber fazer aquelas letras que depois vão deixar de fazer em nome da velocidade; por que razões não aprendem a escrever com letras à máquina, desde que reconheçam todos os formatos em que uma letra pode aparecer?


 


Mais coisas: ainda bem que não a inscrevi nas atividades extra curriculares, porque pressinto que vai ser isto o ano inteiro: a rapariga traz os tpcs e os trabalhos que não fez em aula para fazer em casa.


Tem demorado, em média, duas horas e meia a fazer tudo. Ora, saindo da escola às 16h, descontando um bocadinho para esparecer, a miúda está agarrada ao que para já é "chinês" até às 19h.


 


E mais não escrevo que isto já vai grande.


 

2 comentários:

  1. As letras são os segundos desenhos que nós aprendemos. Os primeiros são aqueles de "Pede-se a uma criança: desenha uma flor”.
    Desenhar as letras é o primeiro sopro que nos vem de dentro das palavras.
    Não tens razão.
    A Mr comece a desenhar as janelas da casa das palavras e a Gr vá desenhando as flores que já sabe.
    Bom dia, catraias

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  2. As casas dos adultos têm demasiados arabescos. Devíamos deixar as crianças escrever as suas casas com legos.

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