sábado, 19 de outubro de 2013

da classe e da falta dela

Aos 36 anos, após aceitar um horário de 8 horas de inglês no âmbito das AECs, num agrupamento de Leiria, descubro-me, e agora abro aspas, "Técnica de atividades de enriquecimento curricular" num mail que a escola enviou.


 


Isto vem muito a propósito dos pensamentos que tenho tido sobre a minha carreira docente: só fiz parte da escumalha e nunca ascendi a patamares dignos de ser considerada professora.


 


Eu explico:


1º ano: estagiária


anos seguintes: docente numa escola profissional não estatal, a recibos verdes, junto da camada estudantil que na cadeia alimentar está no fundo.


anos seguintes: Novas Oportunidades (ui, o degredo)


atualmente: AECs


 


Pronto!


 


Que os tipos do topo da cadeia (ministério da deseducação) me chamem isso é-me igual ao litro. Afinal, há pessoas de todas as áreas a lecionar AECs e a designação abrange-as a todas.


Que os colegas da escola o façam já me cai mal. Cai mal porque independentemente da área a que pertenço, a partir do momento em que me contratam para lecionar, nesse contexto eu e todos os outros somos professores, e não "técnicos".


 


Depois, lembro-me de que a classe do professor é a classe que não funciona por classe, logo é tudo gente sem classe. E então já não me importa tanto não ser considerada professora, porque eu tenho classe!


 


 

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