sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

dos referendos

Sou eu, a Gabriela, que não conhece o Martim de lado de nenhum, que tenho de decidir se o Martim deve poder ser adotado por um casal homossexual, se deve ir para uma instituição de acolhimento?


Sou eu que devo impedir a Manuela e a Joana de adotarem uma criança à espera há anos de uma família?


Sou eu que devo dizer que não senhor, o José não pode ficar com o pai que o criou se o pai verdadeiro morrer?


 


Referendar a adoção de crianças por casais homessexuais é para mim estúpido, para dizer o mínimo.


Um casal que reúna condições para adotar é um casal que pode e deve adotar, independentemente da sua sexualidade.


Não percebo como se pode ter o raciocínio distorcido de pensar que uma criança está melhor institucionalizada do que com uma família.


 


Se o José cresceu com dois pais ou com duas mães, no caso da morte de um dos elementos do casal, a permanência do José com o elemento que sobreviveu é uma coisa tão natural como as minhas filhas ficarem com o M., o pai delas, no caso da minha morte.


Sequer considerar outra hipótese é, para mim, completamente absurdo.


 


Posto isto, não percebo por que carga de água se fazem certos referendos.


 


E, mudando de tema, mas não mudando porque se trata também de referendar, adivinho um próximo sobre a legalização da IVG, imitando o que aconteceu na Espanha, que parece ter retrocedido uns quantos anos.


Brevemente, teremos aí associações, autoinstituídas como defensoras da vida, a apregoar a necessidade de rever a lei e a defender que elas ou outros é que devem decidir o que faço eu do meu corpo e da minha vida.

2 comentários:

  1. Concordo contigo! É uma palhaçada!

    ResponderEliminar
  2. Uma palhaçada, uma perda de tempo e de dinheiro, que isto de referendar é caro. Enfim...

    ResponderEliminar

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...