Somos, invariavelmente, os responsáveis pelas atitudes dos nossos filhos. Prefiro o conceito de responsabilidade ao de culpa. A culpa faz-nos entrar em estado comatoso, a responsabilidade permite-nos avaliar o que fazemos, assumir o problema e andar para a frente.
A Gr. tem vindo a piorar no que toca à frustração. Em casa, qualquer coisa é motivo para birra, quando menos esperamos.
Já não é só na hora de vestir, ainda que aplique a técnica sugerida por quem trabalha com ela na escola (diminuir o leque de opções para facilitar a escolha e cortar birras pela raiz).
Por exemplo, hoje de manhã, fui para a cozinha preparar o nestum e ela aparece-me já a chorar. Chorava porquê? Porque queria ser ela a mexer a papa e vinha na assunção de que a papa já estava mexida. Teve de ser acalmada para perceber que ainda podia ser ela a fazê-lo e que não pode começar logo a chorar desta forma.
Ontem, antes de se deitarem, brincavam com o pai e os legos. O pai, na brincadeira, destruiu a própria casa e eu resovi entrar na brincadeira armada em godzilla. Destruí (que parva!) as construções que tinham feito, enquanto rugia "sou o godzilla, está na hora de ir para a cama!". Para a Gr., a mãe foi o fodezilla, que lhe destruiu a casa. Zás, birra de uma hora, que só o pai conseguiu acalmar.
Ando, à medida que as birras se sucedem, que escalam em quantidade e qualidade, a tentar perceber o porquê e a única conclusão a que chego é que eu sou a principal responsável. Para evitar crises, satisfaço as vontades ou contorno-as, alimento-lhe a incapacidade de lidar com a frustração e crio um ciclo vicioso.
A minha cabeça não pára. Toda eu sou uma gigantesca "não vou dar azo a birra", todos os meus neurónios se concentram nas tarefas que tenho de levar a cabo com ela e na forma como posso evitar birras. O resultado está à vista.
A procura do equilíbrio tem-me levado a opções no mínimo contraditórias. O meu sentido de persistência, que eu tenho como fundamental para educar uma criança, está pela hora da morte.
Se insisto com ela para, por exemplo, se sentar à mesa e fazer as refeições como toda a gente, obtenho crises e um prato cheio de comida. Se a deixo andar, a rapariga vem quando acha que deve vir e come tudo. No meio disto tudo, eu já não sei bem o que devo fazer.
Esta minha inconsistência e insegurança estão a contaminar a progressão da miúda.
Assumindo a responsabilidade, reconhecendo o problema, resta-me ser capaz de o resolver. Educar é lixado com F.
Ui, nem sei que te diga...
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