terça-feira, 17 de março de 2015

Escola

"Tens de estudar, principalmente as matérias em que sentes mais dificuldades, para estares mais segura, para não estares nervosa nas fichas, para sentires que deste o teu melhor", - dizia-lhe eu.


 


"Quando eras mais pequena estavas sempre agarrada a um livro, eu chegava ao jardim da isabel e tu estavas num cantinho com uma história, vinhas a correr contá-la e querias que eu a lesse, chegavas a casa e fazias desenhos, perguntas, estavas sempre a querer fazer trabalhos... o que se passou que já não queres fazer nada?" -  perguntava-lhe eu. 


 


"Não sei, mas estou cansada (choraminga, chuif chuif), estou farta, na escola só trabalhamos, só fazemos fichas e fichas e fichas e eu estou farta e cansada (repete que está cansada umas quatro vezes, chora mais), só quero chegar a casa e brincar ou ver desenhos animados. Acho que já não gosto da escola..." - respondeu-me ela.


 


Estando eu dentro do sistema, é muito mau o que vou escrever a seguir, mas é aquilo em que cada vez mais acredito: esta Escola mata o aluno que há em nós. 


A culpa não é minha, não é da professora dela nem da escola, a culpa morreu solteira. 


 


 

5 comentários:

  1. Sinto muito isso no meu sobrinho-afilhado, como uma das minhas maiores penas na infância dele...

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  2. A culpa é do ensino que temos... que em vez de qualidade, chuta com quantidade e com mais exames e provas. Até ao meu quarto ano a escola era divertida e relaxada, muito tempo para brincar e para descobrir tudo.
    Depois tudo mudou, agora as crianças mal tem tempo para serem crianças, na escola vivem com horários rígidos, intervalos iguais para todos, tenham eles 6 anos ou 10 anos... na aulas os professores estão preocupados com provas e na matéria que tem de dar que a esquecem de ensinar de uma forma gira e interessante... agarram-se as fichas que vem no caderno de actividades porque é mais fácil (no meu tempo só tínhamos os livros, não havia cadernos de actividades, no outro dia chocou-me uma mãe dizer que para além dos 8 livros escolares, teve de comprar 8 livros de actividades e eu mas isso é para o ajudar a estudar certo, não menina é obrigatório, fazem todos os dias fichas de cada disciplina mais TPC´S e trabalhos de grupo).
    No outro dia saiu um estudo em que portugal esta no top 10 do ranking de alunos que passam mais horas semanais em tarefas escolares, cerca de 46 horas semanais. Abaixo de nós estão os alemães, e os estados unidos com 32 horas semanais... e o engraçado é que depois compararam avaliação de desempenho dos mesmos países e Portugal está num dos rankings piores.... Quando vão perceber que o aprender não passa por aumentarem o curriculum escolar de cada disciplina, andando os professores em stress a debitar matéria e a mandar exercicios e fichas para os miúdos praticarem? Quando vão entender que o sucesso está em disciplinas terem as componentes práticas... onde os alunos podem-se fazer as fichas e exercícios com o apoio do professor?! Na faculdade, tinha aulas práticas a quase todas as disciplinas, e admirem-se que tive boas notas a matemática e passei a gostar de matemática na faculdade, porque tínhamos aulas teóricas e aulas práticas e nas aulas práticas resolvíamos exercícios a professora explicava tudo... e via onde tínhamos mais dificuldade e insistia nesses problemas.

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  3. :'(
    Infelizmente tenho isso em casa, mas ainda pior! O meu filhote "odeia" a escola e o pressing é tanto que a auto-estima dele tem vindo a diminuir drasticamente!
    Tenho cada vez mais vontade de protege-lo, dizendo-lhe que de facto a escola NÃO PRESTA! Ele não é burro, ele não tem problemas... o sistema está podre, estragado e faz o meu filho sofrer, logo faz-me sofrer também

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  4. Infelizmente é mesmo assim! :(

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  5. É impressionante, à primeira vista; também o é à segunda, à terceira e às outras. Mas há um problema: o ministro não se impressiona porque sabe muito bem o que quer. Sabemos que ele sabe, mas sabemos também o que queremos. Talvez tenhamos a vantagem de ele pensar que o que queremos é o que ele pensa…
    Não é consolo nenhum, mas é certo alívio, exigente mas importante: temos de nos munir de soluções que levem a que os nossos filhos sejam o que devem ser: pessoinhas em crescimento livre, responsável, contestário; capazes de não se deixarem enterrar, como parte da minha geração, a dos avós, conseguiu apesar de dominada pelos grandes ideais de “saber ler, escrever e contar”, respeitar “os chefes e os pais”.
    É-lhes duro, mas pode ser de boa aprendizagem, ainda que já não devesse ser assim. Os tipos que mandam sabem o que querem, mas também sabemos que o que queremos não é o que eles querem.
    Também nos é duro, mas ficamos calejados, e a culpa não há-de morrer solteira...

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