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sexta-feira, 29 de maio de 2015

laços

Quando a Mr. nasceu, foi levada para a incubadora. Vi-a pela primeira vez no dia seguinte, peguei nela pela primeira vez nesse dia seguinte, ao final da tarde, se a memória não me engana. Dei-lhe de mamar passados dois dias. Foram dias surreais.


 


Quando a Gr. nasceu, fiquei uma horita no recobro, à espera que as pernas voltassem a ser minhas. Quando saí do recobro, puseram-na em cima de mim, já lhe tinham dado suplemento (os cabrões) e fui com ela para cima. Estivemos sempre juntas e lembro-me de quase tudo.


 


À medida que foi crescendo, a Mr. não dava sinais de saber que eu era a "special one". Ficava com toda a gente, sem choros, sem fitas, quando eu regressava vinha para o meu colo como se o meu colo fosse mais um e houve uma fase, após o meu regresso ao trabalho, em que a "special one" era a avó. Foram dias tramados. Aquela caramela, para quem eu devia ser tudo, tratava-me como mais uma.


 


A Gr. dependia de mim para tudo e agarrava-se ao meu pescoço para que não a levassem do meu colo, na escola ficava o dia inteiro a chorar, primeiro, a choramingar depois, pela mãe.


 


Sem avaliar o que foi melhor ou pior a médio, longo prazo, para mim ou para elas, ninguém me tira a ideia de que foram aquelas primeiras horas após o parto que fizeram toda a diferença.


 

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Bom dia

Estou sem coisas para escrever, sem coisas para dizer.


O dia está bonito, a casa está suja, eu preciso de um banho porque vim há pouco do treino matinal, a roupa tem de ser dobrada e guardada, o almoço o jantar planeados, há tanta coisa gira para fazer, a Elizabeth Costello já sente a minha falta, o meu quintal está infestado de espinafres e até há cerejas.


Até logo.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

não saio da adolescência

.... raios!

capicua eu amo você

"Se toda a gente passa alguma vez na vida, nem toda a gente passa com taça garantida. Isso é um alerta para quem não desperta para a janela aberta que é a transformação.


 

Se distrai, fica só como um bonsai, até que o pano cai e não houve evolução... é um sinal que tu tens de olhar para dentro e ver afinal o que é que queres para ti mesmo, no centro! Ser fiel ao sentimento e não temer a mudança que te exige esse momento."

 

 

Só faltava mesmo saber o que quero para mim mesma....



 



 

 

dondoca

Estou uma dondoca.


Ginástica de manhã, seguida de café.


Chego à escola não tenho putos.


As miúdas tomam banho sozinhas.


Adormecem sozinhas.


Estou uma dondoca. Só me falta o dinheiro para gastar nas compras.

terça-feira, 26 de maio de 2015

para memória futura

Desde a semana passada que ficam sozinhas à noite, na cama.


(só agora? que treta de pais!)


Sabe bem vir para a sala e saber que não vou ter de me levantar de cinco em cinco minutos para dar água, acender a luz, dizer que não podem comer bolachas, que já fizeram xixi, que não podem vir para a sala, que têm mesmo de dormir, sabe bem não entrar em coma na cama da Gr. às 22h e ter um serão como gente normal.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

...

Quando me sinto a recolher-me em mim mesma e vou buscar  Etty, sei que a TPM  está a chegar para me aborrecer.


É tão estranho as hormonas, algo puramente físico, mexer desta forma com a minha psique.


A Etty personifica "A mulher". Tão distante de mim...tão próxima... na busca de fé na possibilidade de viver uma vida plena e inteira.


 


(Etty Hillesum)

eu ia com intenções de correr

Chiu!


Mas o filho da mãe do joelho falou mais alto.

domingo, 24 de maio de 2015

anotações para a próxima festa

Os miúdos têm, aos sete, oito anos, o paladar estragado. Dos petiscos que pusemos na mesa comeram as bolachas de chocolate (compradas) e as batatas fritas.


O bolo de chocolate caseiro, os folhadinhos de salsicha, os pães de leite com fiambre ou queijo e, claro, o chá, ficaram na mesa.


O ouvido também: quando o M. pegou na guitarra, pediram para ele tocar a música do "jarrão". Alguém descodificou que era a música do jajão. Sabiam a letra toda e quando acabaram levantaram-se e foram berrar mais um bocado para o terraço.


A Mr. ficou um bocado desconsolada. Sendo uma festa do chá, acho que na ideia dela a coisa seria muito mais blasé, mais calma, disse ela à noite. "Elas não paravam quietas e não se calavam, sempre a correrem de um lado para o outro, acho que elas se divertiram mais do que eu."


"Que bom, linda, isso de elas se divertirem, não era o que tu querias?" disse -lhe eu, mas no fundo compreendo-a. São as putas das expetativas!


 

"detergente" caseiro

Hoje foi o dia em que não havia pastilhas para pôr na máquina da loiça e o dia em que não me apetecia ir ao supermercado alemão.


Vim à net, na esperança de encontrar qualquer coisa que pudesse fazer rapidamente e que não levasse bicabornato de sódio (quase todos os produtos caseiros precisam) e dei com a solução mais rápida, económica e eficaz de sempre (desde que a loiça não tenha muita gordura):


vinagre! Antes de fechar a máquina borrifei a loiça e fiz o programa normal.


Loiça limpa e brilhante num instante (não foi nada que o programa ainda dura umas duas horas).

sábado, 23 de maio de 2015

Eurovisao

Estou a ver... Em que lingua cantou o senhor da romenia?

festa do chá gelado

Não sou uma mãe fofinha ou cool. Fofinha com as minhas crias vou sendo, cool com elas ou com as crianças dos outros não sou de certeza e creio que já deixei de me esforçar para.


Sou aquela mãe que se chateia com as migalhas e com o caos em vez de olhar em volta embevecidamente.


Felizmente, tenho o M.


O M. foi "o animador". Se houvesse máquina de karaoke, o tipo tinha feito karaoke. Mandou piadas, fez cócegas, pinturas faciais, cantou, manipulou o laser na sala às escuras, à laia de discoteca, foi com eles lá para fora, amparou tralhos, pôs betadines e soprou nos arranhões.


Eu arrumei copos, mandei bocas que se não queriam chá gelado não havia mais nada para beber (não havia realmente), aspirei migalhas e pedia "cuidado, vai dar acidente", sempre que havia mais do que três no trampolim, que nem dois devia ter.


 


A "discoteca" foi o delírio. O filme, com pipocas caseiras, nos primeiros minutos foi bem recebido, mas como não era a violeta começaram a sair do recinto, deixando uma Gr. sozinha.


Houve quem trouxesse prenda, apesar do pedido para não o fazerem, foi simpático, mas senti-me mal.


Os miúdos foram-se embora e o chá ficou. Todo, todo, tirando os dois ou três copos que as minhas beberam. 


Ai, tanto chá!


 

chá

A casa parece uma fábrica de chá. Estamos em produção desde as 10. Há chá de limão, de lima-limão, de hortelã, de cidreira e de frutos vermelhos, todos bem doces.


Se a miudagem não o beber, temos chá para um mês!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

o meu marido é tão bom

como o marido da cocó.


Veio à cozinha ( meu, não o da SMS, já chega de cocó) e informei-o de que a nossa varinha mágica estava a dar o berro. Tirou-ma das mãos e levou-a.


Cinco minutos depois, voltou com ela arranjada.


"Será que o marido dessa cocó também lhe arranja a varinha mágica?" pergunta ele, com um ar entre ressabiado e vitorioso.

festas substitutas de festas de anos mas sem presentes

Nunca fiz uma festa de anos às minhas filhas. Não daquelas festas pensadas apenas para putos, festas elas têm, com bolos e velas para apagar, mas não aquele tipo de festa que agora é moda organizar.


Esta festa do chá será o mais parecido. Estou cheia de inquietações... devo arranjar toalhas e guardanapos a fazer pandam? Da violeta ou da xana toc toc? Devo fazer saquinhos com gomas para as miúdas oferecerem aos miúdos?


E a comida? o que dou de comer aos putos? faço cakepopes? muffins? macarrons? bolachinhas decoradas? fruta semi-coberta de chocolate?


Ai!


 

Supermercado alemão,

eu amo você!


Recebi hoje o cheque que cobre o valor das sapatilhas que comprei, juntamente com uma carta a lamentar o sucedido.


Já disse que gosto do lidl?

quinta-feira, 21 de maio de 2015

querido diário

Sabes querido diário, ainda bem que a novela da sic mudou de horário e ainda bem que aqui em casa não há tv cabo.


Assim, depois de ver uma série policial francesa que dá na rtp2 vou logo para a cama e acordo mais fresquinha de manhã.


E sabes, até tenho tempo para fazer tudo sem andar a correr.


É, a vida tem mais qualidade quando a gente dorme.


E agora que já terminou mais um episódio da tal série de que te falei vou-me deitar.


Já agora, conto-te um bocadinho do meu ritual de beleza ante de me deitar: lavo os dentes, limpo a cara com água termal das termas de S. Pedro do Sul, ponho creme hidratante da mesma linha, ponho creme das mãos nas mãos e nos pés e deito-me para ler um bocadinho. Agora ando a ler um livro do Coetzee.


Pronto diário, agora vou mesmo para a cama.


Beijinhos e até amanhã.

era bom, era...

Não era tão bom quando acreditávamos em máquinas do tempo?


É engraçado como a miúda não acredita no pai natal nem na fada dos dentes, mas quer a todo o custo construir uma máquina do tempo.


 

Petição para fazer desaparecer o marido da cocó

O marido da cocó é um atentado a todos os casamentos e devia ser evaporado da face da terra.


O homem eleva demais a fasquia e isso é mau, tanto para as restantes esposas, como para os seus maridos.


Por isso, vou lançar uma petição para que o marido da cocó seja de alguma forma exterminado. Sem dor, claro, que isto não é nada de pessoal.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

sai uma festa do chá gelado

A mais velha faz anos em agosto. Nunca teve festa de anos com miúdos da escola. Todos os miúdos fazem festas, ela não. Ai o trauma.


Inventou-se uma festa do chá, porque seria no inverno, que passou a chá gelado porque entretanto já estamos em maio e não está calor.


Fizeram-se convites no photoshop, deram-se convites e agora aguardam-se a confirmações. Não, não é preciso prenda, não se trata de uma festa de anos, não, minha senhora, não precisa de trazer nada, nada.


Agora, há uma miúda que nunca vi mais gorda ou mais magra que quer vir cá dormir porque querem construir uma máquina do tempo.


"Uma máquina do tempo???!!"


"Sim, uma máquina do tempo."


"?????????"


"Lá na escola destruiram um espaço que tinha areia onde nós gostávamos de brincar e nós queremos voltar atrás no tempo para mudar isso e não deixar."


Avençoadas sejam as nossas crianças.

outros blogs - uma novata que dá cartas

Da Sandra!  É bom! vão ver!

M. chamado à rece(p)ção

Lembras-te?


Estou à espera.

terça-feira, 19 de maio de 2015

borboletas

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(foto de Rita Luz)


 


A vida podia ser assim.

Olhe,

se faz favor, um café. É que acabou-se-nos o café em casa e ainda não fui comprar.


Já agora, tem alguma sugestão para o jantar que hei-de fazer mais logo?


As miúdas estão bem, obrigada. É, é uma chatice este tempo. Pois, o vento.... sim... e o café?


Obrigada.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

(des)educar

As coisas com as miúdas andam um bocado caóticas. Um bocado se calhar é eufemismo. A coisa anda tão "estranha" (mais outro), que fui convocada para uma reunião de pais pelo meu próprio marido.


 

o M. escreveu para mim

http://voucomprarcigarrosejavolto.blogs.sapo.pt/o-sol-do-meu-amor-824


 


 

fazer anos, quase quarenta

No dia em que fiz 38 anos, sábado, almocei favas.


Fui eu que as descasquei. É um trabalho demorado, que exige calma e paciência. Estive mais de meia-hora a descascar favas e, enquanto o fazia, tive muito tempo para refletir.


Isto de estar quase a chegar aos quarenta dá para isto, para pensar na vida.


Reflecti muito.


E cheguei à conclusão de que teria sido mais inteligente da minha parte ter primeiro escaldado as favas.


 


 


As favas, cozinhadas pela minha mãe, estavam maravilhosas!


 


 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

cenas de gaja

Ponho protetor solar na cara, a cara fica cheia de borbulhinhas.


Não ponho protetor solar na cara, a cara fica velha.


Como é?


Tenho visto a telenovela Império (é muito má!) e as atrizes têm peles maravilhosas. Não é só maquilhagem, é mesmo aquela pele lisa e fresca.


A minha é... má....


 

anos

Amanhã faço 38 anos.


Estou aqui, mais uma vez, a gerir as expetativas.


 

desafio de tudo um pouco (é assim?)

A menina pequenos encantos fez um link aqui do caixote para mais um desafio.


Fico sempre a sentir-me bipolarmente agradada e ligeiramente aborrecida, por isso ando aqui a empurrar com a barriga.


Fico agradada, como é óbvio, porque sabe muito bem que se lembrem da gente. Ligeiramente aborrecida porque não sou nada destas coisas de responder a desafios e sinto-me forçada a escrever sobre cenas sobre as quais não escrevo naturalmente.


Assim, para não te deixar ficar mal, pequenos encantos, nem te deixar pendurada, eu vou, à minha maneira (à minha maneira, à minha maneira.... lálálá. Já chega de Xutos?) responder ao desafio.


. Qual o teu estilo de música preferido?


Tudo. Ando há duas semanas a acordar com a porcaria de uma música do Anselminho Ralph, o que prova a minha "eclitude" (eu sei que não existe).


 


2. Que peça de roupa é a tua preferida do momento?


Sempre: calças de ganga.


 


3. Qual dos seus vernizes são mais divos?


Não percebo esta pergunta.... verniz só o das mobílias.


 


4. Shorts ou saia, e porquê?


No verão, ambos. Adoro andar de perna ao léu.


 


5. Cabelo liso ou encaracolado?


O que nosso senhor e a mãe natureza me deram, assim um misto de liso com ondulado.


 


6. Salto ou Sapatilha?


Sapatilha!


 


7. Brigadeiro ou sorvete?


A sério, a sério que prefiro uma boa sopa a qualquer um dos dois. Primeiro acho os brigadeiros muito enjoativos e não sou fã de sorvetes, prefiro gelados.


 


8. Doce ou Salgado?


Salgado. Quem me tira uma rodela de chouriça, uma lasanha, um caril, uma chamuça tira-me tudo.


 


9. Como defines o teu estilo?


Gótico-materno-primaveril.


  


10. És do tipo de mulher consumista ou só compras o básico?


Só compro o básico por força das circunstâncias.


 


11. Consideras-te vaidosa? 


Tenho dias....


 


Pronto, como estes desafios servem para saciar a curiosidade alheia, estão respondidas as questões.


Desafio quem quiser. O selo não sei pôr (não estou a brincar, não sei mesmo... )


 


 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

padrões

Parece que este esteve mais ou menos dentro dos padrões de perfeição para não ser amarfanhado, mas não o suficiente para mo mostrar.


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considerações várias e descontextualizadas

Fui andar e fazer máquinas no circuito da vila.


O meu joelho bomba. Bomba como se tivesse lá dentro uma mangueira a bombear água para regar o jardim público.


Não sei se treine, se fique quieta.


Estou quase a fazer anos, 38. Ui!


Tenho de me levantar daqui e ir fazer sopa.


Esqueci-me dos anos da minha sobrinha, embora me tenha lembrado nos dias anteriores.


Sinto-me em férias, mas não estou.


A Mr. já voltou à escola, depois de três dias em casa.


A Gr. ontem quis fazer um desenho para mim e eu, ocupada com os trabalhos que a Mr. tinha de fazer (que fui buscar à escola), fui-lhe dando folhas atrás de folhas, sem prestar atenção. Passado uma boa meia hora, veio ter connosco e disse que tinha desistido do desenho porque não estava a sair bem.


Hoje, dei com umas sete folhas todas amarfanhadas atrás da secretária. Esta mania da perfeição vai tramá-la e dar-nos água pela barba.


 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

momentos altos

 - Teacher, o A. deu um peido!


Este foi o momento alto do meu dia.


 

bullying

....


ná!


Não me apetece!

As segundas (para mais tarde recordar)

Um título destes dava pano para mangas.


Não, não vou aqui refletir sobre nada de especial. Só sobre as segundas-feiras, dias negros para a maior parte das pessoas. Para mim, tendo em conta a forma como tudo se desenrola tão bem cá em casa à segunda, por oposição aos outros dias da semana, as segundas entram no top-five.


Para muita gente, é a sexta. Tendo em conta a forma calamitosa como têm terminado, as sextas entram para o.... qual é o oposto de top-five? top-under five?


A noite de segunda, como descrevi aqui, foi maravilhosa.


A noite de terça foi merdosa. Houve pontapés, cabelos puxados, um "és um bocado estúpida, não és" saído da boca da Mr. revelador da afeição pura e doce que sente, em determinados momentos, pela irmã mais nova.


Portanto, que venham as segundas, o resto dos dias da semana que se lixem.


 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Neura!


Sim.... estou com a neura!

São Pedro, man

comé qué? tiro a roupa de verão das caixas ou deixo-as ficar aqui quietinhas até meados de agosto?


Tu vê lá!

em suspenso - parte 2

Dei ao Lidl uma semana para entrar em contacto comigo. Ontem ainda não o tinham feito, hoje fui à loja.


"Ainda bem que veio, íamos ligar-lhe, há um problema."


Vai lá dentro e traz-me a fatura das sapatilhas, com a data de compra sublinhada a marcador amarelo. 5 / 2 / 2015.


"Há aqui um engano, a fatura vem com esta data."


Saio do lidl, saco do telemóvel e ligo para a loja onde comprei as sapatilhas. "É assim que as nossas datas saem, minha senhora (gosto tanto quando me chamam minha senhora, tem assim um certo ar de jenececuá), está certo. Ainda que lhe enviássemos outra fatura, seria igual. O Lidl que ligue para cá, que nós confirmamos, se for preciso."


Regresso ao lidl e comunico aquilo que acabei de ouvir. "Está bem pronto, ainda bem, é que achámos muito estranho, nem nos passou pela cabeça que pudesse estar ao contrário."


"Pois..."


"Então aguarde uma semanita, semana e meia e o processo fica encerrado, reembolsam-lhe as sapatilhas."


Suspiro, de forma muito audível. Sorrio e pergunto: "as sapatilhas velhas? Vão ficar com elas? Eu gostava de a ter de volta, foi o meu marido que mas deu no natal."


"Então eu vou dar essa indicação, para ver se eles depois as podem mandar vir para cá outra vez."


Suspiro outra vez, sorrio, agradeço e vou buscar pão fresco.


Eu gosto do Lidl (até ver...)


 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

para memória futura

Mr. doente.


Gr. na escola.


Fico no sofá, entremeando camas e roupa, almoço, preparar aula da tarde.


Deixo Mr. na vizinha, vou dar aula.


Regresso, passo pela escola dela para trazer trabalho, passo no infantário e recolho a Gr., contente porque foram ao mercado semanal da vila e viram muitas coisas mas "eu só gostei dos gatinhos".


Chego a casa, Mr. pronta para mais uma dose de ben-u-ron.


Adianto umas coisas que ficaram por fazer, a Gr. à minha volta para comer a casa toda, vou negociando como posso o que come.


Faço camas de lavado, agora que se têm uma à outra a minha companhia no sofá é dispensada. Ainda bem, há muitas coisas que devia ter feito, aproveito. Apanho e dobro roupa, faço sopa, descongelo salmão para o jantar.


Quando vejo que o Ben-u-ron fez efeito, desafio a Mr. para fazer umas fichitas, a Gr. para pintar os desenhos onde assinalou diferenças, no caderno do infantário.


Calmas, ambas, cada uma dedicada aos seus trabalhos. Vou fazendo o jantar, tirando dúvidas, apreciando a forma como a Gr. pinta. Ainda consigo, sem stresses, sem nos enervarmos uma com a outra, explicar à Mr. as horas, num relógio de ponteiros.


A diferença que faz não passar o dia na escola! A todas, que agora aqui estamos, já jantadas, cozinha arrumada, a ver um bocadinho da Pocahontas (pela milionésima vez), antes de as pôr na cama.

domingo, 10 de maio de 2015

... (mais outro)

Há alturas da vida em que as potenciais ameaças ao nosso bem estar, ainda que pequenas, são tantas que nessas alturas sinto-me a andar pela vida como se as minhas entranhas estivessem enroladas. Imagino-me andando curvada pelo que me apoquenta, sinto-me a andar curvada pelo que me apoquenta.


Nestas alturas, se eu pudesse, engarrafava o cheiro das minhas filhas quando saem do banho, o cheiro das minhas filhas quando dormem, o cheiro das minhas filhas quando me abraçam pela cintura, o cheiro do M. quando me nele enrola.


Engarrafava esses cheiros e embebedava-me deles, enrolava-os numa mortalha e fumava-os, como se fuma um charro. E depois, deixava-me ficar ali e tudo havia de passar. Quando me levantasse, seria já capaz de caminhar direita, sentir-me-ia já a caminhar direita.


Era isso.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

(ler com sotaque brasileiro) Jantar de quinta

Temperar uns bifinhos de frango com sal, limão e alho.


Entretanto, ferver água para cozer esparguete milaneza com caril.


Levar os bifes a fritar num fio de azeite (um fio, não como fazem os "chefs", que dizem um fio e despejam meia garrafa).


Quando estiverem quase cozinhados, juntar cogumelos frescos grosseiramente fatiados e envolvê-los nos bifes.


Cozer, com um fundo de água, uns pés de brócolos e couve-flor, num pirex com tampa, no microondas. Depois de cozidos (8, 9mns), escorrer e temperar a gosto.


Quando o esparguete estiver al dente, coar e passar num jato de água fria.


Tirar os bifes da frigideira, deixar os cogumelos, juntar um pouco de vinho branco e deixar o alcool evaporar. Desligar o fogão e despejar a mistura em cima dos bifinhos.


Vinte minutos e o jantar está na mesa. Fast food!


 

quinta-feira, 7 de maio de 2015

isto é de Homem!


 

condromalácia

É o nome da coisa que afeta o meu joelho esquerdo. Parece que a cartilagem está a caminho de qualquer coisa má.


Estão explicadas as dores quando subo e desço escadas, quando danço e quando me baixo, fletindo os joelhos. A minha cartilagem está, digamos, a caminhar para velha.


Parece que é coisa comum nas mulheres, mais atreitas a sofrerem de descalcificações e osteoporoses. Se tivesse pilinha, se calhar a condromalácia não vinha atacar-me. Como sou mulher, toda eu vítima das hormonas, ela veio.


Deixei a academia onde fazia barre terre com a Natacha, agora grávida e linda, mas prestes a deixar também ela de dar aulas e comecei a aventurar-me nas máquinas do circuito da vila. (Natacha, não me batas, tenho tido cuidado, nem sequer corro!)


Graças ao gel sanitário do Lidl, tenho umas sapatilhas novas, lindas. Ontem fui fazer o test-drive. Portaram-se bem e são lindas, muito lindas.


Os meus glúteos (rabo) estão aqui doridinho e os abdominais um pouco menos. Tenho de me manter mais tempo em prancha. Qualquer dia, tiro uma selfie, como fez o claúdio ramos, para vocês verem...

quarta-feira, 6 de maio de 2015

adivinha

Senta-te direita.


Não comas com a mão.


Limpa a mão ao guardanapo.


Não limpes a mão à camisola.


Não, não podes ir à casa de banho.


Agarra no garfo como deve ser.


Usa a faca.


Olha, deixaste cair o guardanapo.


Está bem, vai lá à casa de banho.


Senta-te como deve ser.


Fecha a boca.


Mastiga de boca fechada.


Não, ainda não acabaste, não podes sair da mesa.


Sim, tens de comer tudo. Tudo.


Não, metade não, tudo.


Podes, podes sair da mesa, podes, sai da cozinha, sai de casa....


 


O jantar com duas crianças.


 

cabeçalho para que te quero! (neurotikka, you rule!)

Fui literalmente cobiçar a galinha da vizinha. A galinha da vizinha, ao que parece, andava aí feita maluca a fazer cabeçalhos para meio mundo, inclusivamente para a minha querida trocatintas. Eu cobiçei, a trocatintas pedinchou e na mesma tarde tinha uma boazona para "encabeçalhar" o meu blog.


É verdade que aquela boneca loura ou redhead (sou um bocado daltónica) nada, enfatizo, nada tem a ver com esta que vos escreve. Exceto o ser loura (mais ou menos). Ainda pensei pedir à autora que lhe pusesse uma caixa em vez de cabeça, mas achei que seria abuso da minha parte.


O cabeçalho causará espanto a quem me conhece pessoalmente, aí umas 10 pessoas, as outras 30 que aqui vêm não sentirão diferença. No máximo dos máximos, o cabeçalho acrescentará sex-appeal àquilo que escrevo, ainda que escreva sobre fraldas cheias de cocó (talvez não). E quem é que não quer ser lido com sex-appeal? Eu quero. Eu quero ser a pipoca da sapo, não, essa já é da sapo, quero ser a cocó da sapo, ai carago, essa também já é...


Calo-me. Está explicado o porquê daquela boazona ali em cima.


 

teaser

Que raio aconteceu aqui? Deito-me e isto é normal, acordo e vira forrobodó, com direito a pin up louraça?

terça-feira, 5 de maio de 2015

Adoro

Que saibas que a pinipon sereia é da gr. (eu sei lá quais são de quem, entre as dezenas que há, aí aos pontapés).

eu também falo do dia da mãe

A Mr. deu-me o presente que fez na escola juntamente com umas tiras de papel onde escreveu coisas como "gosto de ti no fundo do coração" e "estás convidada para o meu conserto", abraçou-me muito.


Passados cinco minutos disse-me: "mãe, já pensaste em começar a usar um anti-rugas?"


 

famigerados trabalhos de casa

Os trabalhos de casa foram inventados para pôr à prova o amor que pais e filhos nutrem uns pelos outros. Se esse amor vencer nessa dura tarefa, vence tudo.


Isso e para dar dinheiro aos psicólogos e psiquiatras, "sabe sr. dr. eu fiquei assim porque a minha mãe dizia que eu não tinha cálculo mental nenhum e o meu pai que eu era uma falhado por não saber quanto era um terço de 20."


 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

em suspenso

Na quinta-feira passada, às compras no supermercado alemão que começa em L, acaba em dl e no meio tem um i, peguei numa embalagem de gel sanitário com líxívia que estava danificada. Sem eu dar conta, enchi-me daquela porcaria, que me danificou as sapatilhas que o M. me deu este natal.


Fiquei tão abananada com a situação e com o cheiro que toda eu exalava que pousei o carrinho e vim a casa tomar um duche rápido (moro a um minuto da dita loja). Quando regressei (uns 10mns depois) o carrinho e a embalagem danificada ainda estavam como as tinha deixado e fui à procura do chefe ou da chefe de loja. Contei-lhe o sucedido e preenchemos uma espécie de relatório de ocorrência. A minha sapatilha do lado esquerdo estava danificada e e queria que a loja, de alguma forma, assumisse a responsabilidade. A senhora foi muito prestável e disse-me que sim senhora, que comprasse uma novas com fatura em nome da Lidl, levasse as velhas e a loja assumia.


Aproveitei a ida ao norte para dar um salto a um outlet na Póvoa de Varzim, comprei umas sapatilhas novas, pedi fatura com nº de contribuinte da loja e hoje de manhã lá fui eu.


A senhora ficou-me com as sapatilhas velhas e com o talão e disse-me que agora a empresa tinha de acionar o processo.... estou aqui a pensar que, provavelmente, vou ficar sem as sapatilhas que o M. me deu, que apesar de manchadas ainda davam para calçar e vou ficar com menos dinheiro na conta e que, se calhar, a cadeia de supermercados alemã perdeu uma grande cliente.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

eu e tu

Às vezes, o tempo é contado ao segundo.


Acordamos e saímos da cama, não nos tocamos exceto nas ombreiras das portas, entre uma divisão e outra, cada um entregue aos seus afazeres matinais. Depois, saímos de casa, encostamos os lábios e dizemos adeus, faço-te uma festa na cara e tu no meu cabelo.


Às vezes, só há tempo e espaço para uma breve conversa por telemóvel, uma troca breve de "tudo bem? sim e tu?"


Às vezes, não te vejo à luz dia.


Mas, à noite, quando chego à cama, ainda que estejas mais a dormir do que acordado, o teu braço quente procura-me e puxa-me para ti. Encostas a tua cara ao meu pescoço e sinto o teu cheiro. Ficamos assim e sei que apesar do tempo contado não permitir mais, o tempo somos nós que o fazemos.

ela foi a Londres, eu fui à dermatologista

 É claro que adorou Londres, principalmente o museu de história natural. Gastou uma pipa de massa no hard rock, andou kms e kms, socializou ...